Preso médico foragido investigado por descumprimento de medida protetiva e reiteração de condutas contra a sogra e a ex-mulher
A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Araranguá, informa que foi cumprido, nesta quarta-feira, 26 de agosto, em Criciúma, o mandado de prisão preventiva contra um homem de 34 anos, médico, que se encontrava foragido e cuja localização vinha mobilizando policiais civis desde a última quinta-feira.
A prisão preventiva foi representada pela Delegada de Polícia titular da DPCAMI de Araranguá, no âmbito de inquérito policial instaurado pela delegada, Eliane Chaves, para apurar violência doméstica e familiar contra a mulher. A investigação teve início após o registro de ameaças de morte dirigidas à ex-companheira e à mãe dela, além de outras condutas ofensivas. Diante da situação, foram requeridas e deferidas medidas protetivas de urgência em favor das vítimas.
Mesmo após a imposição das medidas judiciais, houve novo registro de descumprimento de medida protetiva, depois que o investigado encaminhou mensagens ao telefone da mãe da ex-companheira, circunstância que passou a integrar a investigação conduzida pela DPCAMI.
Diante da reiteração das condutas e da demonstração de que as medidas até então impostas não estavam sendo suficientes para interromper a violência e assegurar o cumprimento das determinações judiciais, a Autoridade Policial representou pela decretação da prisão preventiva, posteriormente deferida pelo Poder Judiciário.
Condutas se intensificaram após a expedição do mandado
Após tomar conhecimento da expedição do mandado de prisão, o investigado não foi localizado nos endereços conhecidos e passou a permanecer escondido, enquanto policiais civis da DPCAMI de Araranguá realizavam diligências para localizá-lo.
Mesmo na condição de procurado pela Justiça, o homem passou a publicar sucessivos vídeos em redes sociais, nos quais, além de debochar da situação e da atuação das autoridades, continuou fazendo acusações e declarações ofensivas contra a ex-companheira, familiares dela e outras pessoas, condutas que, em tese, podem caracterizar novos crimes, entre eles calúnia, difamação, injúria e ameaça.
Em algumas dessas manifestações, o investigado também convidava mulheres a entrarem em contato com ele pelas redes sociais, apesar de ter plena ciência de estar sendo procurado para cumprimento de ordem de prisão.
As novas publicações ampliaram o número de pessoas atingidas pelas condutas. Entre elas está a proprietária de um laboratório de Araranguá, cuja identidade será igualmente preservada. A profissional já havia registrado ocorrência relatando intimidações e questionamentos ofensivos à sua integridade profissional e à credibilidade do estabelecimento.
Posteriormente, diante da continuidade das publicações, foi registrado novo boletim de ocorrência. Segundo o documento, o investigado publicou vídeos acusando o laboratório de fraude, mencionando pessoas nominalmente e afirmando que os envolvidos teriam de “pagar” pelo que teriam feito. Diante da insistência e dos novos fatos, a proprietária manifestou interesse em representar criminalmente.
A apuração também revelou outros registros policiais recentes envolvendo o investigado e diferentes vítimas. Em ocorrência registrada em Morro da Fumaça, duas mulheres relataram ameaças, ofensas, cobranças e comportamentos intimidatórios atribuídos ao homem no ambiente profissional. Uma delas relatou, inclusive, o recebimento de mensagem contendo grave ameaça contra diversas pessoas.
Prisão em Criciúma
As diligências indicaram que o foragido estaria escondido com auxílio de amigos em um bairro de Criciúma. A partir dessas informações, policiais civis da DPCAMI de Araranguá solicitaram apoio à DIC/DRR de Criciúma, que passou a atuar na localização do investigado.
Nesta quarta-feira, após diligências realizadas naquela cidade, policiais civis da DIC de Criciúma localizaram e prenderam o foragido em via pública, dando cumprimento ao mandado de prisão preventiva.
No momento da abordagem, foram encontradas com o investigado substâncias entorpecentes, motivo pelo qual, além do cumprimento da ordem de prisão, a equipe policial adotou as providências cabíveis e lavrou Termo Circunstanciado em relação ao fato.
A DPCAMI de Araranguá agradece especialmente aos policiais civis da DIC/DRR de Criciúma, coordenados pelo Delegado de Polícia Yuri, pela pronta resposta ao pedido de apoio e, sobretudo, pelo empenho nas diligências que possibilitaram a localização e a prisão do foragido. A cooperação entre as unidades foi fundamental para que a ordem judicial fosse efetivamente cumprida.
O caso demonstra também que medidas protetivas de urgência são ordens judiciais e devem ser rigorosamente cumpridas. Quando o investigado insiste em violá-las e mantém ou intensifica comportamentos dirigidos à vítima, a prisão cautelar pode tornar-se necessária justamente porque as medidas menos gravosas se revelaram insuficientes para fazer cessar a violência.
A Polícia Civil continuará apurando os fatos ocorridos durante o período em que o investigado permaneceu foragido, inclusive as publicações realizadas em redes sociais e eventuais novos crimes delas decorrentes. Em respeito à legislação e para evitar qualquer forma de exposição ou revitimização, a identidade da ex-companheira, de seus familiares e das demais vítimas será integralmente preservada.













