Salvando vidas: a missão do cão Bono e do cabo Matheus, cada vez mais presentes nas operações nacionais
Dupla de sucesso. A parceria entre o binômio (dupla de bombeiro militar + cão de busca) resultou na conquista de mais uma certificação. O cabo Bombeiro Militar, Matheus Premoli e o Bono, do 4º Batalhão de Bombeiros Militar (4º BBM), participaram na última semana da Certificação Nacional de Cães, em Tijucas, e estão aptos para buscas em estruturas colapsadas. O Resgate em Estruturas Colapsadas é a ação desencadeada visando o salvamento de vítimas em um cenário provocado por um colapso de uma edificação (parcial ou total), sendo que estas vítimas podem ser encontradas superficialmente ou presas aos escombros.
Em entrevista à Rádio Araranguá, no programa Atualidades, apresentado por Juliana Oliveira, Matheus, acompanhado do cão Bono, falou sobre a parceria que vem fazendo sucesso nos últimos anos e a conquista da última semana. “Essa certificação deixou a gente apto para buscas em escombros, prédios desmoronados, como o ocorrido em Petrópolis. Nossa certificação é válida em todo o território nacional. Infelizmente é comum em nosso país acontecer esses desastres, com a certificação, podemos atender essas ocorrências”.
Além dessa certificação, o binômio já conquistou outras. “Já tínhamos certificado de busca rural, tanto por pessoas vivas, quanto para restos mortais, a nível estadual e depois conseguimos a nível nacional. A busca rural, consiste em buscas em meio à mata, de pessoas perdidas, desaparecidas e também restos mortais. Por último agora, conquistamos essa certificação”, acrescentou Premoli.
Essa foi a primeira prova de busca urbana que o binômio participou e conquistaram a certificação nas duas modalidades, de pessoas vivas e restos mortais. “Essa etapa é fruto de muita dedicação e treinamentos. Estamos diariamente há quatro anos colocando o Bono nos mais diversos cenários, buscando sempre estarmos aptos para os chamados de toda natureza”, afirma o cabo.
No mês de abril eles já haviam participado de uma certificação promovida pelo CBMSC em Blumenau. “O Bono está cada vez mais maduro e criando as competências necessárias para esses tipos de buscas e ocorrências”, finaliza Premoli.
Muitas pessoas têm dúvidas de como funciona essa parceria, entre o cão e o ser humano. Além da parceria, existe todo um treinamento que é realizado para a ação da dupla. “Esse é um tipo de treino para cão de busca. Por exemplo, a pessoa que está perdida na mata, nossa equipe coleta uma peça de roupa da vítima e dá para o cão cheirar. Após isso, o animal se desloca para buscar a vítima. Aqui em Santa Catarina, apenas um cão é treinado de forma diferente, o restante são todos da forma de venteio (técnica implica em que o cão esteja capacitado a detectar vapores/odores/células liberados pelo corpo de uma pessoa (não necessariamente da vítima). O animal sente o odor de alguma pessoa e esse odor que vem pelo vento, não vem pelo rastro, e ele vai procurar o odor de uma pessoa que ele está sentindo. Se estamos em seis pessoas, e tem uma em outro cômodo, ele sente o odor de todos, mas vai de atrás daquele (pessoa) que não está vendo.”

Existem inúmeras raças de cães que são campeãs em inteligência, porém o cabo ressalta que a escolha pela raça labrador tem um motivo. “Trabalhamos com o labrador porque ele tem um conjunto completo. A estatura dele, a parte física, a pelagem e o formato do focinho, ajudam muito nas buscas. Claro que existem inúmeras raças, mas nós optamos por essa. Em Santa Catarina temos 12 cães de busca”.
Conheça um pouco sobre a história da dupla
O cabo explica que sempre gostou de cachorro e quando entrou na corporação, não pensava que iria trabalhar com cães. “Entrei no Corpo de Bombeiros em 2012, vou completar 11 anos esse ano. Toda semana tínhamos formaturas militares. Em uma dessas formaturas, apareceu os cães de resgate lá, eu como já gostava de cachorro, vi que era uma boa atividade em seguir na corporação. Tentei fazer várias vezes o pedido de inclusão no curso, mas nunca conseguia vagas. Com muitas dificuldades e inúmeros cursos eu consegui. Assim que nasceu a primeira ninhada eu recebi o Bono. O avô dele detém o título de primeiro cão salva-vidas do país. A avó dele que já é falecida, é uma das cadelas que mais tem certificados no Estado. O pai do Bono é cão de busca da Polícia Militar no Rio de Janeiro, a mãe do Corpo de Bombeiros também do Rio de Janeiro, os primos de Santa Catarina. A família toda é dessa linhagem de cães de busca”.
O Bono chegou no 4º BBM no ano de 2019 e completou quatro anos no último dia 02 de julho. A dupla fica localizada na cidade de Araranguá, na 3ª Companhia de Bombeiros Militar, onde realiza seus treinos diários e ficam de prontidão para chamados que necessitem de buscas. No último ano, já foram empregados nas buscas após deslizamentos de terra na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Sobre as provas que os cães precisam passar não são tão simples ressalta Premoli. “A prova para pessoas vivas ela tem um tempo máximo de 20 minutos. São duas vítimas em uma área de 700 metros quadrados de estruturas colapsadas. Durante esse tempo o cão precisa encontrar essas duas vítimas. Na prova de restos mortais, ela é de uma área um pouco menor. São duas amostras que a gente tem que encontrar em 15 minutos e dentro desse ambiente que a gente trabalha ainda existe amostras fakes, que são partes de animais em decomposição. Em Santa Catarina a forma de indicação é o latido, os cães latem para indicar que encontraram a vítima. A prova é difícil, é muito difícil conseguirmos restos humanos para treinarmos. Precisamos disso para treinar os cães”.
Caso de Petrópolis
A dupla atuou em conjunto com o Corpo de Bombeiros no caso de Petrópolis onde, devido fortes chuvas, aconteceu uma enxurrada, com desabamentos e vítimas. A atuação aconteceu na busca por vítimas. “Quando chegamos no local, era a fase final da operação. Tinha quatro corpos para serem encontrados. Desses quatros, dois estavam no rio. Nosso primeiro trabalho foi no rio. Os cães que trabalharam comigo não detectaram nada, tanto que os corpos foram encontrados dentro do rio muito tempo depois. Após isso, fomos trabalhar na área Morro da Oficina, nesse local foi muito triste de ver. Enquanto estávamos na área de espera, passavam muitos moradores que eram parentes das vítimas. Trabalhamos muito nessa área e realmente não tinha nada, o corpo foi encontrado em outro local”.
Apesar de ficar localizado no Extremo Sul do Estado, o binômio pode ser acionado, através do CBMSC, para buscas em todo o país. “É importante que a nossa região conte com a dupla para as ocorrências de buscas. Ficamos muito felizes pela dedicação e conquista deles. Vamos seguir dando todo o suporte necessário para que venham mais certificações”, enfatiza o comandante do 4º BBM, tenente-coronel Bombeiro Militar, Henrique Piovezam da Silveira.











