Geral Três tornados e duas microexplosões são confirmados pela Defesa Civil de Santa Catarina

Três tornados e duas microexplosões são confirmados pela Defesa Civil de Santa Catarina

06/11/2026 - 18h15

Em quatro dias, os temporais severos deixaram marcas em diferentes regiões de Santa Catarina. A Defesa Civil Estadual confirmou três tornados na quarta-feira (04), em Chapecó, Xanxerê e Rio Negrinho. Também identificou duas microexplosões, uma em Fraiburgo, no domingo (1º), e outra em Timbó Grande, também na quarta.

Desde 1º de novembro, 126 municípios registraram ocorrências e 62 decretaram situação de emergência. O Estado soma 6.423 residências afetadas, 100 pessoas desabrigadas, 557 desalojadas e dois óbitos.

Os tornados no Oeste ocorreram durante a passagem de uma linha de instabilidade. “Como o próprio nome sugere, são várias tempestades severas que se organizam em forma de linha”, explica o meteorologista da Defesa Civil Caio Guerra. Segundo ele, o sistema pode ter centenas de quilômetros de extensão e costuma se deslocar rapidamente, provocando fortes rajadas de vento por onde passa.

“Para um observador num ponto fixo, a mudança no tempo é brusca. Antes da linha chegar, o tempo costuma estar abafado, com vento fraco. Na passagem, o vento muda de direção e fica muito forte em poucos minutos. Depois que passa a parte mais intensa, ficam a chuva mais fraca e o vento moderado”, descreve Guerra.

As condições para tempo severo começaram a ser divulgadas no início da semana e, na terça-feira (03), a Defesa Civil emitiu um aviso meteorológico de nível muito alto para o Oeste e o Norte catarinense. A previsão apontava tempestades severas e fortes rajadas de vento a partir da madrugada da quarta-feira (04). No entanto, ainda não era possível prever como essas tempestades se organizariam.

Na manhã de quarta, por volta das 9h30, as tempestades vindas do Rio Grande do Sul alcançaram o Oeste, como uma linha de instabilidade. Os radares meteorológicos detectaram a organização do sistema, e os meteorologistas emitiram alertas cell broadcast com 15 minutos de antecedência para os municípios por onde ele avançava, com destaque para o risco de rajadas de vento.

Às 10h30, o primeiro tornado passou por Chapecó. No município, foram cerca de 2.400 residências afetadas, o maior número do estado. Cerca de 20 minutos depois, por volta das 10h48, o radar do Oeste identificou um segundo tornado, a mais ou menos 50 quilômetros do primeiro, em Xanxerê. A linha seguiu pelo Extremo-Oeste e pelo Oeste ao longo da manhã, com rajadas superiores a 100 km/h em diversos municípios. 

Às 13h30, cruzou o Planalto Norte e provocou o terceiro tornado, em Rio Negrinho, onde a Defesa Civil observou araucárias com as copas danificadas, árvores arrancadas pela raiz e casas com telhados destruídos. O município registrou estragos em 134 residências. Logo depois, o sistema avançou para o Paraná. “Foram mais ou menos quatro horas para atravessar o estado”, resume Guerra.

Duas microexplosões foram registradas entre domingo e quarta

Os temporais iniciaram antes da linha de instabilidade. Na tarde de domingo (1°), em Fraiburgo, no Meio-Oeste, uma tempestade severa atingiu o município. A análise dos meteorologistas indicou que a causa foi uma microexplosão, fenômeno em que uma corrente de ar desce com força de dentro da tempestade, atinge o solo e se espalha, causando danos em uma área restrita.

Fraiburgo teve 891 residências afetadas, com queda de árvores, de estruturas metálicas e de postes de energia. A Defesa Civil entregou lonas para a cobertura provisória das casas, além de itens de assistência humanitária.

Posteriormente, na quarta-feira (04), uma tempestade severa e isolada atingiu Timbó Grande e causou danos em poucos minutos. Foram 25 habitações afetadas. As imagens aéreas feitas pela Defesa Civil mostraram árvores derrubadas e espalhadas para fora a partir de um ponto central, o que permitiu concluir que se tratava de uma microexplosão. 

Como a Defesa Civil diferencia um tornado de uma microexplosão

Para quem vê os estragos, os dois fenômenos podem parecer semelhantes. Entretanto, há uma diferença na forma em que os ventos se distribuem e no padrão dos danos, analisados por imagens aéreas.

No tornado, o vento gira com força e o centro da rotação toca o solo. Por isso, as árvores caem em sentidos diferentes de cada lado do caminho, como se o vento puxasse tudo para o meio. O rastro é estreito e bem definido, e uma área muito atingida pode estar ao lado de outra praticamente intacta. Mesmo durando poucos minutos, o tornado causa destruição concentrada.

Na microexplosão, o vento desce da tempestade e se espalha ao bater no chão, como a água de uma torneira que atinge a pia. Árvores, estruturas e materiais caem na mesma direção, ou se afastam de um ponto central, dentro de uma área mais ampla. Esse padrão, somado às características da tempestade, indica a ocorrência da microexplosão.

Em ambos os casos, as análises de radar, as inspeções em campo e os registros fotográficos aéreos são fundamentais para confirmar os fenômenos e estimar a intensidade.

Como se proteger de um tornado

Antes da chegada de um fenômeno extremo, o primeiro passo é verificar a resistência da estrutura da casa, especialmente do telhado, e retirar objetos que possam cair ou ser arrastados pelo vento. Também é recomendado desligar os aparelhos elétricos e o gás, além de evitar estacionar veículos próximos a torres de energia, árvores ou placas.

Durante o tornado, a recomendação é buscar abrigo imediatamente no cômodo mais interno da casa, longe de janelas. O banheiro costuma ser uma boa opção por ter estrutura mais reforçada e, geralmente, não ter janelas, o que reduz o risco de estilhaços e detritos. Sempre que possível, a orientação é ir para o andar mais baixo e proteger a cabeça com travesseiros, cobertores ou colchões. Quem estiver fora de casa deve deitar em uma vala ou depressão do terreno, afastado de árvores, postes e muros.

Após a passagem do fenômeno, a Defesa Civil orienta evitar o contato com fios caídos e não se aproximar de construções danificadas. O retorno para casa só deve ocorrer quando as autoridades confirmarem que é seguro. Em caso de emergência, a população pode acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a Defesa Civil pelo 199.

Além das orientações de segurança, a Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina emite avisos meteorológicos antes mesmo de um fenômeno extremo atingir uma região. Os avisos e alertas são enviados por SMS, WhatsApp e Cell Broadcast. Para recebê-los gratuitamente em tempo real, a população pode enviar o CEP para 40199 ou acompanhar o site defesacivil.sc.gov.br e as redes sociais da secretaria.

Saiba como receber alerta da Defesa Civil

  • Canal oficial no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VagXA5V3GJP04QTwmx0j 
  • SMS: envie o CEP para 40199
  • WhatsApp: envie o CEP para (61) 2034-4611
  • Site: acesse www.defesacivil.sc.gov.br
  • Defesa Civil Alerta: sistema de alerta crítico por Cell Broadcast, envia mensagens diretamente aos celulares que estão em uma área de risco. Diferentemente do SMS, não é necessário fazer cadastro para receber esse tipo de alerta.
  • Emergências: telefone 199

Texto: Clara Spessatto