Política Vereador cobra aumento de efetivo no IML de Araranguá após demora na liberação de corpos

Vereador cobra aumento de efetivo no IML de Araranguá após demora na liberação de corpos

21/10/2026 - 10h04

Carlos da Funerária afirma que a unidade atende os 15 municípios da AMESC e defende a contratação de mais médicos legistas e profissionais para agilizar os atendimentos, principalmente nos finais de semana

A demora na liberação de corpos pelo Instituto Médico Legal (IML) de Araranguá motivou um pronunciamento do vereador Carlos da Funerária. Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o parlamentar chamou a atenção para a falta de profissionais na unidade, que atende os 15 municípios da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC).

O vereador relatou um caso ocorrido durante o último final de semana, quando uma família precisou aguardar aproximadamente 17 horas pela liberação do corpo de um homem que morreu em um acidente de trânsito. Segundo ele, a situação evidenciou as dificuldades enfrentadas pelo serviço, especialmente quando há várias ocorrências simultâneas.

Carlos da Funerária fez questão de ressaltar que suas críticas não são direcionadas aos profissionais que trabalham no instituto, mas à estrutura disponível para atender a demanda regional.

“Eu não vim aqui falar de funcionário, até porque são profissionais de alta qualidade, como profissionais, como pessoas. Eu vim falar da demanda, da quantidade de funcionário, que é pouco”, afirmou.

Família aguardou até o final da tarde pela liberação do corpo

Ao explicar o episódio que motivou sua manifestação na tribuna da Câmara de Vereadores, Carlos contou que o acidente ocorreu por volta das 21h de sábado. Após os procedimentos realizados no local da ocorrência, o corpo chegou ao IML de Araranguá por volta das 23h.

A liberação, no entanto, aconteceu somente no domingo, próximo das 17h. “O caso envolveu um homem de Jacinto Machado, que morreu após uma saída de pista. A família aguardava a liberação para organizar o sepultamento, enquanto os profissionais do IML precisavam atender outras ocorrências registradas na região”.

Carlos relatou que esteve na unidade por volta das 16h30min de domingo, a pedido dos familiares, para buscar esclarecimentos sobre a demora. Segundo ele, havia outros corpos no instituto e a equipe precisou se deslocar para atender uma ocorrência em Turvo, deixando a unidade sem atendimento local naquele período.

“Mas só que esse corpo ali ficou dezoito horas. É muito, gente. Dezoito horas”, declarou durante a entrevista.

O parlamentar também manifestou solidariedade às famílias que enfrentaram situações semelhantes. “Mas o que me deixa, assim, um pouco aborrecido é o sofrimento das famílias, de ficar ali”, disse, ao mencionar a angústia de quem perde um familiar de forma repentina e ainda precisa aguardar a conclusão dos procedimentos para a liberação do corpo.

Segundo Carlos, a situação é ainda mais difícil em mortes decorrentes de acidentes, nas quais os familiares não têm tempo para se preparar para a perda. “Cada minuto que passa é uma hora. Tu saber que do outro lado da parede, você perdeu um filho, perdeu um pai, uma mãe, que pode acontecer com qualquer um de nós”, afirmou.

Um médico legista para atender toda a região

Na avaliação do vereador, a principal dificuldade está no número insuficiente de profissionais diante da demanda regional. Durante a entrevista, ele relatou que encontrou um médico legista de plantão e uma auxiliar, enquanto havia vários corpos aguardando atendimento.

Carlos afirmou que o profissional que o recebeu explicou que aquele havia sido um final de semana atípico, com diversas ocorrências, e que estava trabalhando sozinho desde o período da manhã.

O parlamentar reconheceu a complexidade do trabalho e a necessidade de cumprir os procedimentos legais, especialmente nos casos que exigem investigação para determinar a causa da morte.

No entanto, defendeu que a estrutura precisa ser ampliada para evitar atrasos excessivos. “Então, acho que tem que ser vinte e quatro horas, aumentar o efetivo, ter médico vinte e quatro horas, como tem os outros, ML, Florianópolis, Porto Alegre, enfim”, afirmou.

Na sequência, defendeu a presença de mais médicos para garantir a continuidade do atendimento, inclusive durante a noite e nos finais de semana. “Mas acho que temos, o Estado tem que contratar mais, mais profissionais, mais médicos, acho que tem que ser dois médicos, porque se ele vira um à noite, como é que ele vai trabalhar de dia?”, questionou.

Para Carlos, a situação precisa ser analisada considerando o crescimento populacional e o movimento nas rodovias da região, onde, segundo ele, são frequentes os acidentes com vítimas fatais. “Nós temos aqui uma rodovia que passa milhares de carros por dia e que compreende Araranguá, são os quinze municípios da AMESC”, ressaltou.

O vereador também apontou a necessidade de ampliar o número de veículos utilizados na remoção de corpos. Segundo ele, há apenas um rabecão disponível para atender as ocorrências de toda a região. “Eu vejo só um rabecão. Se tiver outro, me perdoe, mas eu vejo só um rabecão na garagem e só vejo um”, declarou.

Vereador vai protocolar requerimento na Câmara

Diante dos problemas relatados, Carlos da Funerária anunciou que pretende protocolar um requerimento na Câmara de Vereadores para solicitar esclarecimentos à direção responsável pelo IML em Santa Catarina.

A proposta é convidar o responsável pelo setor para explicar a estrutura de atendimento da unidade, o número de profissionais disponíveis e as medidas que podem ser adotadas para reduzir o tempo de espera.

“Então, o que que eu quero disso? Pedir um requerimento ali, que ele venha aqui explicar pra nós, de repente botar um auxiliar, contratar mais um médico, enfim, tem que ter uma solução pro caso”, afirmou.

O parlamentar defende que o reforço da equipe contemple, pelo menos, a disponibilidade de dois médicos legistas nos finais de semana, além de mais profissionais de apoio e de um segundo veículo para a remoção de corpos.

Ele também levantou a possibilidade de organizar equipes de sobreaviso para auxiliar nos períodos de maior movimento, mas ponderou que é necessário verificar quais funções podem ser desempenhadas por outros profissionais e quais são as exigências legais.

Carlos afirmou ainda que pretende buscar informações diretamente com a direção estadual para compreender os motivos da atual estrutura e avaliar alternativas que melhorem o serviço.

“Eu vou pedir que o diretor que cuida geral de Santa Catarina, do Instituto Médico Legal, IML, que vê os custos também disso pro Estado, de repente é dinheiro nosso que não precisa estar sendo gasto, e ele vem a dar uma explicação aqui”, declarou.

Demora também afeta famílias de outros municípios

Durante a entrevista, ouvintes da Rádio Araranguá relataram experiências semelhantes envolvendo a liberação de corpos para sepultamento.

Um dos relatos mencionados pelo apresentador Saulo Machado foi o de um ouvinte cuja sogra precisou passar pelo IML. Segundo a mensagem, o corpo foi encaminhado à unidade no sábado, por volta das 22h, e liberado ao meio-dia de domingo. Depois disso, ainda foi necessário realizar os procedimentos funerários antes do sepultamento, previsto para o final da tarde.

Os relatos reforçaram a preocupação com o impacto dos atrasos sobre as famílias, que precisam lidar com o luto e, ao mesmo tempo, aguardar a conclusão dos procedimentos necessários.

Carlos destacou que a estrutura reduzida pode provocar dificuldades ainda maiores quando há várias ocorrências ao mesmo tempo. Nessas situações, segundo ele, alguns corpos podem precisar ser encaminhados para Criciúma, o que acrescenta deslocamentos e torna o processo mais complicado para os familiares.

“Muitas vezes nós temos só o IML de Criciúma também, final de semana. Mas aí o corpo sai daqui, vai pra Criciúma, pra depois o familiar, gente, não dá pra continuar assim”, afirmou.

O vereador voltou a enfatizar que a intenção de sua manifestação é buscar melhorias para o atendimento à população, sem responsabilizar individualmente os servidores. “Eu vim aqui falar de problemas que tá faltando, ao meu modo de ver, mais profissionais, para que seja mais rápido”, declarou.

Mudanças no transporte de corpos também entram na discussão

Outro ponto levantado pelo parlamentar diz respeito à remoção de corpos até o IML. Carlos comparou o modelo utilizado em Santa Catarina com o que, segundo ele, ocorre no Rio Grande do Sul, onde funerárias contratadas pelas famílias podem realizar determinadas remoções.

“A possibilidade de ampliar as alternativas de transporte poderia reduzir o tempo de espera em algumas situações, especialmente quando o veículo responsável pela remoção está atendendo uma ocorrência distante”, disse.

Ele citou como exemplo casos em que uma funerária já foi contratada pela família, mas precisa aguardar a chegada do veículo oficial para que o corpo seja encaminhado. “Lá se foi duas, três horas, podendo essa empresa já contratada, funerária, pegar esse corpo no hospital e trazer, ajudar, agilizar, agilizar”, argumentou.

Carlos afirmou que pretende buscar informações sobre a legislação e os custos envolvidos para avaliar se mudanças semelhantes poderiam ser adotadas na região. “A proposta precisa ser discutida com os órgãos responsáveis, respeitando os procedimentos legais e técnicos”.

Vereador também cita o Serviço de Verificação de Óbito

Na entrevista, o vereador abordou ainda a estrutura do Serviço de Verificação de Óbito (SVO), responsável por atender situações de mortes naturais dentro de suas atribuições.

Ele elogiou o trabalho realizado em Araranguá pela médica Maricele, que, conforme relatou, tem dado suporte às famílias que precisam do serviço. “Quero mandar um abraço pra ela, uma grande profissional que nós temos aqui, a doutora Maricele, que assumiu o SVO de Araranguá e tem dado respaldo, a família só agradece”, afirmou.

O vereador também mencionou dificuldades que, segundo ele, precisam ser enfrentadas em Criciúma, especialmente em situações de falecimento em residências e apartamentos, que exigem atendimento adequado e condições apropriadas para a remoção.

Para Carlos, a organização desses serviços é importante tanto para garantir o respeito às famílias quanto para evitar situações constrangedoras durante o atendimento.

“A nossa região é muito grande”

Ao encerrar a participação na Rádio Araranguá, o vereador voltou a defender a ampliação do efetivo e destacou a dimensão territorial e populacional da região atendida pela unidade.

Ele citou municípios desde Maracajá até Praia Grande e estimou que a população abrangida se aproxima de 300 mil habitantes. “Então tu imagina isso, um profissional só e uma chefe necrópsia. Não dá. Não tem. Temos que aumentar o efetivo”, concluiu.

Carlos também reiterou que reconhece o empenho dos servidores, mas considera que a estrutura atual precisa ser revista pelo Estado para que o atendimento ocorra com maior agilidade, principalmente nos finais de semana.

“Eu quero agradecer esse espaço aqui e vim esclarecer, porque realmente a gente só quer ajudar. Estou falando aqui como vereador, não como empresário, mas quero ajudar também um pouquinho da minha experiência pra que todo mundo seja beneficiado”, concluiu.