Agronegócio Epagri de Lages estuda uso do bagaço de maçã na pecuária de corte

Epagri de Lages estuda uso do bagaço de maçã na pecuária de corte

24/02/2025 - 07h39

O aproveitamento do bagaço da maçã como alternativa alimentar para o gado de corte está sendo treinado pela Estação Experimental da Epagri em Lages. A pesquisa, conduzida pelas zootecnistas Vanessa Ruiz Fávaro e Ângela Fonseca Rech, busca oferecer uma opção sustentável para a pecuária, conciliando alimentação animal, redução de resíduos agroindustriais e ganhos financeiros tanto para produtores quanto para a indústria.

A região de São Joaquim, que nesta safra deve colher cerca de 290 milhões de toneladas de maçã, gera uma grande quantidade de bagaço, subproduto do processamento da fruta. A ideia é usar essa exclusão como complemento alimentar para o gado, especialmente em períodos de escassez de pastagem, como o outono.

Vantagens e desafios do uso do bagaço de maçã

O bagaço de maçã é pobre em proteínas, mas rico em energia e carboidratos solúveis de fácil digestão. Por isso, precisa ser balanceado com outros ingredientes na dieta do gado. O foco do estudo é o gado criado em pastel, que enfrentou oscilações na oferta de pastagem ao longo do ano.

Para garantir uma conservação adequada, o bagaço pode ser transformado em silagem, necessitando pelo menos 40 dias de armazenamento antes do consumo. Pesquisas já indicam que, quando armazenado corretamente em silo hermético, a exclusão mantém suas propriedades por até um ano e, possivelmente, até dois anos.

Um dos desafios da aplicação prática é a umidade do bagaço, que contém cerca de 80% de água, tornando o transporte um fator crítico a ser avaliado. No entanto, as negociações de exclusão para produtores podem ser uma solução viável para a indústria, que precisa dar a destinação correta a esse material para atender às exigências ambientais.

Análises garantem segurança nutricional

A composição do bagaço da maçã pode variar conforme o processamento industrial, o que exige análises laboratoriais para garantir sua qualidade nutricional. O material treinado no campo passa por avaliações bromatológicas no Laboratório de Nutrição Animal da Epagri Lages, onde são examinados teores de proteína, matéria seca, matéria orgânica, fibras, gordura e digestibilidade.

Os produtores interessados ​​em utilizar esse recurso podem realizar análises em laboratórios privados ou na própria Estação Experimental de Lages, a única unidade da Epagri que oferece esse serviço em Santa Catarina.

Estudos avançados e orientações serão publicados

O projeto conta com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e parceria com a empresa TC Agronegócios, fornecedora do bagaço de maçã para os testes.

A expectativa dos pesquisadores é lançar, em 2026, um relatório técnico detalhado, orientando os produtores sobre o processo de ensilagem e a adequação da exclusão para diferentes categorias de animais. A iniciativa fortalece a cadeia produtiva da maçã na Serra Catarinense, agregando valor ao setor agropecuário e promovendo práticas sustentáveis.