Agronegócio Sindicato Rural alerta para impactos do Super El Niño e orienta produtores a se prepararem para excesso de chuva

Sindicato Rural alerta para impactos do Super El Niño e orienta produtores a se prepararem para excesso de chuva

21/07/2026 - 09h07

Presidente da entidade, Rogério Pessi, afirma que fenômeno pode trazer prejuízos para culturas como arroz, mandioca, milho, soja e hortifrutigranjeiros na região

A confirmação da formação de um Super El Niño tem mobilizado produtores rurais do Extremo Sul Catarinense. Com previsão de chuvas acima da média nos próximos meses, especialmente durante a primavera, agricultores da região já começam a adotar medidas preventivas para minimizar possíveis prejuízos nas lavouras e na pecuária.

Em entrevista à Rádio Araranguá, o presidente do Sindicato Rural de Araranguá, Rogério Pessi, destacou a preocupação do setor com os impactos do fenômeno climático e reforçou a necessidade de planejamento antecipado.

Segundo ele, o Sindicato Rural tem promovido orientações técnicas aos produtores e realizado ações em parceria com entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a Epagri e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

“A agricultura é uma indústria a céu aberto. Ela tem uma importância enorme para a economia, mas também uma vulnerabilidade enorme, porque depende de chuva, depende de sol. O clima afeta tanto positivamente quanto negativamente. O problema é quando afeta negativamente”, afirmou.

Super El Niño preocupa agricultores

A preocupação aumentou após uma palestra promovida pelo Sindicato Rural, em parceria com a Epagri e a empresa Plantar, com o climatologista Márcio Sônego. Durante o encontro, foram apresentados dados históricos sobre os efeitos do El Niño nas últimas décadas.

“Ele mostrou os dados dos últimos 50 anos e a diferença é enorme quando acontece El Niño. Segundo as estimativas, este ano o Oceano Pacífico pode aquecer até três graus acima da média. Seria um Super El Niño. Isso é muito impactante e praticamente inédito”, explicou Pessi.

De acordo com os estudos apresentados, os meses de setembro, outubro e novembro tendem a registrar volumes de chuva acima da média, podendo superar em cerca de 100 milímetros os índices normais de precipitação.

“Tomara que não tenha os desdobramentos que estão falando, mas existe uma preocupação muito grande porque todas as atividades agrícolas da nossa região podem ser afetadas”, alertou.

Arroz pode ter plantio adiado

Entre as culturas mais importantes da região está o arroz, principal atividade agrícola do Vale do Araranguá. Embora seja uma cultura adaptada à água, o excesso de chuva em determinadas fases do desenvolvimento pode causar perdas significativas.

“O arroz suporta água, mas algumas áreas da nossa bacia alagam e permanecem cinco ou seis dias submersas. Se a planta estiver com apenas 10, 15 ou 20 dias, isso afeta bastante”, explicou.

Por isso, a orientação é que muitos produtores considerem adiar o plantio para escapar do período de maior risco. “Está sendo feita uma orientação para atrasar um pouco o plantio do arroz, plantar mais em outubro ou novembro para escapar dessa janela de excesso de chuvas”, destacou.

Mandioca, milho e soja também estão em risco

Além do arroz, outras culturas tradicionais da região também podem sofrer impactos severos. “A mandioca não tolera muita umidade. Se as áreas ficarem alagadas por muito tempo, a rama e até mesmo as raízes podem apodrecer”, afirmou.

O mesmo ocorre com o milho. “O milho gosta de uma chuva moderada. Se houver excesso de água logo após o plantio, a semente pode apodrecer e o produtor perde todo o investimento”, disse.

Pessi ressaltou que a situação preocupa ainda mais diante do alto custo dos insumos. “Hoje um saco de semente de milho pode custar R$ 1.500. Se o produtor planta e depois enfrenta uma semana de chuva intensa, pode perder tudo e ter que investir novamente”.

A soja e o feijão também estão entre as culturas mais vulneráveis. “A soja é uma lavoura que não tolera muita água. Vai ser quase inviável plantar soja em algumas áreas da nossa região se as previsões se confirmarem”, avaliou.

Possíveis reflexos nos preços dos alimentos

Além dos prejuízos no campo, o presidente do Sindicato Rural alerta para reflexos diretos no abastecimento e nos preços dos alimentos.

“Se a agricultura for muito afetada, os alimentos podem subir rapidamente de preço. Produtos como soja, feijão, tomate, alface e outras hortaliças sofrem muito com o excesso de chuva. Isso pode acarretar falta de produto e até desabastecimento em alguns momentos”, observou.

Orientação é reforçar drenagem e prevenção

Diante do cenário, o Sindicato Rural recomenda que os produtores iniciem imediatamente ações preventivas em suas propriedades. “O principal é cuidar da drenagem. Manter valas abertas, limpas, verificar tubulações e pontos onde a água costuma represar. Cada agricultor conhece a sua propriedade e sabe onde estão os maiores riscos”, explicou.

Segundo ele, a velocidade no escoamento da água após períodos de chuva intensa pode ser determinante para evitar perdas. “Quando a chuva passa, a água precisa sair da propriedade o mais rápido possível. Isso pode fazer toda a diferença para salvar uma lavoura”.

Pessi também defendeu uma atuação conjunta entre agricultores, prefeituras e Defesa Civil. “A Defesa Civil precisa estar preparada para agir rapidamente. Às vezes, abrir dez ou vinte metros de vala já resolve um problema e evita prejuízos muito maiores”, destacou.

Sindicato amplia apoio ao produtor rural

Além do trabalho voltado às questões climáticas, o Sindicato Rural de Araranguá segue oferecendo assistência técnica, capacitações e programas voltados à saúde dos agricultores.

Entre as iniciativas estão treinamentos do Senar, assistência técnica para bovinocultura de corte e leite e o programa Saúde no Campo, que leva atendimento preventivo às propriedades rurais.

Para Rogério Pessi, a união do setor será fundamental para enfrentar os desafios que podem surgir nos próximos meses. “Estamos orientando os produtores para que se preparem desde agora. Não dá para impedir que chova, mas podemos planejar, minimizar os riscos e tomar decisões mais seguras para proteger a produção e a economia da nossa região”, concluiu.