Geral Maracajá em alerta: surto da doença mão-pé-boca interdita unidades e exige protocolos emergenciais no combate ao vírus

Maracajá em alerta: surto da doença mão-pé-boca interdita unidades e exige protocolos emergenciais no combate ao vírus

26/09/2025 - 09h47

As secretarias de Saúde e Educação de Maracajá estão em alerta. Em entrevista ao jornalista Lucas Casagrande, nesta sexta-feira, dia 26, no programa Dia a Dia, a diretora de Educação de Maracajá, Rosilaine Magagnin, trouxe dados do aumento de casos da doença mão-pé-boca na cidade.

“Há uns 15 dias começaram alguns casos, nas três escolas que nós temos alunos da Educação infantil. Mas, da semana passada para cá, os casos aumentaram muito. Hoje somente na unidade do CEI (Centro de Educação Infantil) são mais de 30 casos. Inclusive, funcionários que também pegaram”.

A diretora ainda reforçou que todas as medidas estão sendo adotadas para combater o vírus.  

“Tivemos que acionar a vigilância epidemiológica e também a sanitária e estamos nos esforçando ao máximo para que isso não cresça ainda mais. A transmissão é muito intensa e nesse momento o que precisa é que as crianças que apresentem sintomas, fiquem em casa. Nas escolas reforçamos os cuidados de higiene. Estamos trabalhando com salas abertas para que o ar circule. Adotamos também o não compartilhamento de brinquedos. Na troca das crianças os funcionários estão bem orientados para fazerem sempre a higiene das mãos, bem como, a higiene do trocador. Ou seja, estamos adotando todos os protocolos necessários. A gente sabe que os pais precisam deixar as crianças na escola para irem trabalhar, mas pedimos que não encaminhem em caso de apresentarem sintomas. Precisamos cessar esse vírus. Passando o período de febre, em até 4 dias depois, as crianças já estão voltando para a escola”.

Rosilaine explica que unidades precisaram ser fechadas para uma desinfecção geral.

“Fechamos o CEI por um dia para que fosse feita a desinfecção do local. Paramos também um dia a Escola de Educação Básica Municipal Maria Libânia e hoje a escola Eufrásio no período da tarde não terá aula para passar por essa desinfecção. Então reforçando, todas as medidas possíveis estamos adotando. Afastamos as funcionárias grávidas por recomendação dos médicos. Sendo assim, nosso efetivo está bem menor”.   

A doença mão-pé-boca

A doença mão-pé-boca é uma enfermidade contagiosa causada pelo vírus Coxsackie da família dos enterovírus que habitam normalmente o sistema digestivo e também podem provocar estomatites (espécie de afta que afeta a mucosa da boca). Embora possa acometer também os adultos, ela é mais comum na infância, antes dos cinco anos de idade. O nome da doença se deve ao fato de que as lesões aparecem mais comumente em mãos, pés e boca.

São sinais característicos da doença:

– febre alta nos dias que antecedem o surgimento das lesões;

– aparecimento, na boca, amídalas e faringe, de manchas vermelhas com vesículas branco-acinzentadas no centro que podem evoluir para ulcerações muito dolorosas;

– erupção de pequenas bolhas em geral nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, mas que pode ocorrer também nas nádegas e na região genital;

– mal-estar, falta de apetite, vômitos e diarreia;

– por causa da dor, surgem dificuldade para engolir e muita salivação.

A transmissão se dá pela via fecal/oral, através do contato direto entre as pessoas ou com as fezes, saliva e outras secreções, ou então através de alimentos e de objetos contaminados. Mesmo depois de recuperada, a pessoa pode transmitir o vírus pelas fezes durante aproximadamente quatro semanas. O período de incubação oscila entre um e sete dias. Na maioria dos casos, os sintomas são leves e podem ser confundidos com os do resfriado comum.

Tratamento:

Ainda não existe vacina contra a doença mão-pé-boca. Em geral, como ocorre com outras infecções por vírus, ela regride espontaneamente depois de alguns dias. Por isso, na maior parte dos casos, tratam-se apenas os sintomas. Medicamentos antivirais ficam reservados para os casos mais graves. O ideal é que o paciente permaneça em repouso, tome bastante líquido e alimente-se bem, apesar da dor de garganta.

Recomendações:

– nem sempre a infecção pelo vírus Coxsackie provoca todos os sintomas clássicos da síndrome. Há casos em que surgem lesões parecidas com aftas na boca ou as erupções cutâneas; em outros, a febre e a dor de garganta são os sintomas predominantes;

– alimentos pastosos, como purês e mingaus, assim como gelatina e sorvete, são mais fáceis de engolir;

– bebidas geladas, como sucos naturais, chás e água são indispensáveis para manter a boa hidratação do organismo, uma vez que podem ser ingeridos em pequenos goles;

– lembre-se sempre de lavar as mãos antes e depois de lidar com a criança doente, ou levá-la ao banheiro. Se ela puder fazer isso sozinha, insista para que adquira e mantenha esse hábito de higiene mesmo depois de curada;

– evitar, na medida do possível, o contato muito próximo com o paciente (como abraçar e beijar);

– cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir;

– manter um nível adequado de higienização da casa, das creches e das escolas;

– não compartilhar mamadeiras, talheres ou copos;

– afastar as pessoas doentes da escola ou do trabalho até o desaparecimento dos sintomas (geralmente 5 a 7 dias após início dos sintomas);

– lavar superfícies, objetos e brinquedos que possam entrar em contato com secreções e fezes dos indivíduos doentes com água e sabão e, após, desinfetar com solução de água sanitária diluída em água pura (1 colher de sopa de água sanitária diluída em 4 copos de água limpa);

– descartar adequadamente as fraldas e os lenços de limpeza em latas de lixo fechadas.