Economia Presidente da ACIVA avalia anúncio dos túneis no Morro dos Cavalos e cobra cautela com pedágio

Presidente da ACIVA avalia anúncio dos túneis no Morro dos Cavalos e cobra cautela com pedágio

29/01/2026 - 09h33

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o presidente da Associação Empresarial de Araranguá (ACIVA), Jadiel Boza Della Vechia, comentou o anúncio do Ministro dos Transportes Renan Filho sobre a construção de dois túneis com pistas triplas no Morro dos Cavalos, além de abordar as principais pautas acompanhadas pela entidade.

Segundo Jadiel, a confirmação do projeto representa um avanço importante após anos de mobilização das associações empresariais do Sul catarinense. “Ainda em 2024, a ACIVA e outras entidades da região encamparam a defesa de uma solução definitiva para o trecho da BR-101, considerado um dos maiores gargalos logísticos do estado”.

Apesar de reconhecer a relevância do anúncio, o presidente da ACIVA afirmou que a entidade recebeu a notícia com entusiasmo, mas também com preocupação. “O principal ponto de apreensão é o prazo estimado de até 12 meses para o início das obras, o que coincide com o período pós-eleições, o que gera incertezas sobre o cumprimento do cronograma”.

Outro fator que preocupa a entidade empresarial é a falta de definição sobre o modelo de cobrança do pedágio. Jadiel destacou que o custo estimado da obra gira em torno de R$ 2,5 bilhões, e que ainda não foi esclarecido como esse investimento será amortizado.

“A gente não sabe se haverá aumento de tarifa, criação de novas praças ou a implantação de um novo sistema. Existem várias possibilidades, mas nada foi anunciado de forma clara”, afirmou.

Impacto direto no Sul catarinense

Jadiel explicou que a obra deverá ser executada pela concessionária CCR Motiva, após a transferência do trecho que antes era administrado pela Arteris. “O financiamento deve ocorrer majoritariamente por meio da arrecadação do pedágio, o que acende um alerta para a região Sul”.

Atualmente, a Mesorregião Sul Catarinense conta com duas praças de pedágio, localizadas em São João do Sul e Maracajá. “A preocupação da ACIVA é que trabalhadores que utilizam diariamente a rodovia acabem arcando com custos mais elevados para financiar uma obra distante, na região da Grande Florianópolis. A gente não pode permitir que o Sul pague essa conta. Tem gente que já compromete uma parcela significativa do salário só com pedágio para trabalhar em cidades vizinhas”, destacou.

Free Flow é visto como alternativa mais justa

Entre as alternativas em discussão, a ACIVA vê com bons olhos a implantação do sistema Free Flow, modelo sem praças físicas, no qual o motorista paga de forma proporcional ao trecho percorrido. “O assunto já está sendo debatido com deputados e representantes que acompanham as reuniões junto à ANTT e ao DNIT”, disse.

Segundo ele, o modelo é mais moderno, utilizado em países desenvolvidos, e pode trazer mais justiça tarifária, além de melhorar o fluxo de veículos. “No entanto, precisamos considerar a realidade local, especialmente os custos adicionais para os usuários, como taxas de manutenção de TAGs bancárias. A solução precisa ser justa. Não adianta não aumentar o pedágio e transferir o custo para taxas mensais que, no fim, ficam mais caras que a própria tarifa”, alertou.

Cobrança política e acompanhamento contínuo

O presidente da ACIVA reforçou que, a partir de agora, a entidade intensificará a cobrança junto aos representantes políticos da região para garantir que não haja aumentos abusivos e que o modelo adotado não penalize o Sul catarinense.

Ele lembrou ainda que a mobilização das entidades empresariais foi fundamental para que o tema ganhasse força nacional. “Se a gente não tivesse levantado essa bandeira, talvez nada tivesse saído do papel. Agora, precisamos seguir atentos para que a solução não venha acompanhada de um custo injusto”, afirmou.

Perspectivas positivas para Araranguá

Ao final da entrevista, Jadiel também comentou o cenário econômico de Araranguá, destacando expectativas positivas para 2026. Ele citou a implantação do Parque Industrial e a confirmação da chegada da Baly Brasil ao município, o que deve gerar empregos diretos, renda e atrair empresas fornecedoras para a região. “São investimentos que fortalecem a economia local e mostram que Araranguá vive um momento importante de desenvolvimento”, concluiu.