Vereador Júnior Bailão cobra regionalização do SISREG e ampliação de cirurgias na região de Araranguá
Em entrevista ao apresentador Lucas Casagrande, da Rádio Araranguá, o vereador Júnior Bailão destacou preocupações com o encaminhamento de pacientes da região para cirurgias e consultas em cidades distantes do estado, mesmo havendo estrutura hospitalar disponível no Sul catarinense. O parlamentar defendeu a regionalização do sistema de regulação estadual (SISREG) e a ampliação da oferta de procedimentos nos hospitais locais.
Motorista da Secretaria Municipal de Saúde há 16 anos, Bailão relatou que acompanha diariamente o deslocamento de pacientes para tratamento fora do domicílio e questionou a lógica atual da distribuição das vagas.
“Hoje a gente tem hospital na região que já atende. O Timbé está operando bastante e não opera mais porque o Estado não libera mais vagas. Tem capacidade para mais, mas a gente não sabe o porquê”, afirmou.
Estrutura existe, mas vagas são limitadas
Segundo o vereador, hospitais da região vêm ampliando sua capacidade de atendimento em áreas como ortopedia, oftalmologia, urologia e cirurgia bariátrica. Mesmo assim, pacientes continuam sendo encaminhados para municípios distantes, como Chapecó, Joaçaba e Concórdia.
“Por que o cidadão sai daqui para operar em outro lugar e o de outro lugar vem operar aqui? Essa é a pergunta que a gente faz há muito tempo”, disse.
Ele citou que, em muitos casos, o deslocamento prolongado prejudica o paciente e aumenta custos para o Estado. “Aqui no Timbé, por exemplo, em 50 minutos o paciente está em casa. Às vezes ele precisa viajar oito, dez horas com a perna esticada depois de uma cirurgia. Isso é muito difícil”.
Proposta de regionalização do SISREG
Uma das principais críticas apresentadas por Bailão é a centralização das filas do sistema de regulação estadual em Florianópolis. Para ele, a criação de filas regionalizadas traria mais eficiência e reduziria o tempo de espera. “Hoje o SISREG é uma fila só. Eu e tu estamos na mesma fila. Abriu vaga lá em Massaranduba, tu vai ter que ir. Por que não dividir por regiões do Estado?”
Ele defende que a prioridade seja atender primeiro os pacientes da própria região. “Primeiro vamos zerar nossas filas aqui. Sobrou vaga, aí sim chama gente de outras regiões”.
Impacto para pacientes e acompanhantes
O vereador também destacou os impactos sociais e financeiros para famílias que precisam acompanhar pacientes em tratamentos fora da região. “O acompanhante vai fazer o quê? Hotel? Até onde vai a perna dessa família para acompanhar esse paciente fora da região?”.
Segundo ele, há hospitais onde acompanhantes precisam permanecer em corredores, sem estrutura adequada. “No Regional aqui ainda tem cama para acompanhante. Em alguns lugares do Estado tem gente levando cadeira de praia para passar a noite”.
Situações recorrentes no transporte de pacientes
Durante a entrevista, Bailão relatou experiências vividas no dia a dia como motorista da saúde, incluindo deslocamentos longos apenas para realização de procedimentos simples. “Teve paciente que viajou sete, oito horas para fazer uma medida de prótese em quinze minutos e voltou embora”.
Ele também citou casos em que pacientes viajaram de madrugada para consultas canceladas. “Uma vez levei uma mãe com criança e o médico estava de férias. A família saiu duas horas da manhã de casa e voltou sem atendimento”.
Ações previstas pelo vereador
O parlamentar informou que pretende formalizar requerimentos e buscar diálogo com a regulação estadual e com hospitais da região para ampliar a oferta de cirurgias locais. “Vou entrar em contato com a regulação do Estado. Se precisar, a gente vai lá. Porque capacidade a nossa região tem”.
Segundo ele, a proposta é fortalecer a estrutura regional e reduzir deslocamentos desnecessários. “Os hospitais estão capacitados. Se o Estado liberar dez cirurgias por semana, eles fazem dez. O problema é que muitas vezes libera uma ou duas por mês”.
Defesa de prioridade regional no atendimento
Para o vereador, a descentralização dos atendimentos é essencial para melhorar o sistema de saúde pública. “A região precisa atender a sua região primeiro. Depois atende as outras. Isso vai melhorar muito e evitar que as pessoas piorem esperando”.
Ele afirmou que continuará acompanhando o tema e cobrando soluções. “Se nós vamos conseguir resolver, eu não sei. Mas vamos continuar brigando, porque é uma dor das pessoas”.







