Freio político: Senado sinaliza limites ao Planalto na escolha de ministros do STF
É impossível ignorar o peso do que aconteceu. O Senado Federal do Brasil impôs uma derrota histórica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Um fato que não se via desde 1894, ainda no governo de Floriano Peixoto, em um Brasil que sequer tinha as instituições plenamente consolidadas.
Ou seja: não se trata apenas de uma derrota política. É um marco institucional raro, praticamente inédito na República moderna.
Naquele período, o país ainda vivia incertezas básicas sobre o funcionamento do poder, inclusive sobre sucessão presidencial. Hoje, o cenário é outro. O que está em debate é o peso e a influência do Supremo dentro do sistema político brasileiro.
A rejeição de Messias quebra um tabu. Se cabe ao presidente indicar ministros da Suprema Corte, também cabe ao Senado exercer sua prerrogativa de avaliar, e, se necessário, barrar. Foi exatamente isso que aconteceu. Mesmo após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça, o nome não resistiu ao plenário.
O recado foi claro: há um limite para indicações vistas como excessivamente alinhadas ao governo.
No caso de Lula, a crítica se intensifica pelo histórico recente. O presidente já havia indicado nomes diretamente ligados ao seu núcleo político, como Flávio Dino e Cristiano Zanin. Ambos foram aprovados. Messias, porém, encontrou resistência.
Esse modelo, no entanto, não começou agora. A prática de levar figuras do alto escalão do Executivo diretamente ao STF ganhou força com Michel Temer, ao indicar Alexandre de Moraes, e seguiu com Jair Bolsonaro, ao nomear André Mendonça.
O que o Senado sinaliza é um incômodo crescente com essa lógica.
A decisão também evidencia uma mudança no equilíbrio de forças em Brasília. O chamado centrão mostrou peso, com protagonismo do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que atuou diretamente na articulação.
No pano de fundo, fica um debate maior: o STF se tornou um dos principais polos de decisão política do país, e isso tem gerado reações.
A rejeição de Jorge Messias não é um episódio isolado. É um aviso institucional.
Agora, a dúvida é como o governo Lula vai reagir diante dessa derrota histórica, e quais serão os próximos passos na relação entre Executivo, Legislativo e Supremo.
Confira o comentário completo de Upiara Boschi:







