Casas de abrigo podem virar realidade em Araranguá: vereadores articulam projeto e buscam recursos para proteção de mulheres
Em entrevista à Rádio Araranguá, no programa O Dia em Notícia, os vereadores Márcio Mano e Nelson Soares detalharam uma proposta que pode marcar um avanço importante no enfrentamento à violência doméstica no município. O anteprojeto apresentado por Mano sugere a criação de casas de abrigo para mulheres vítimas de violência, enquanto Nelson, líder do governo na Câmara, propõe destinar recursos públicos para viabilizar a iniciativa.
A proposta surge em meio ao aumento de casos de violência e à constatação de uma realidade preocupante: muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos por não terem para onde ir. “Não é que elas queiram ficar, é que não têm escolha”, afirmou Márcio Mano, destacando relatos frequentes recebidos em seu gabinete.
Acolhimento e recomeço
“A ideia é que as casas de abrigo funcionem de forma contínua, com atendimento multiprofissional, incluindo assistência social e apoio psicológico. O acolhimento seria temporário, com duração de até 180 dias, podendo ser prorrogado, e com limite de até 15 pessoas por unidade”, explicou Mano.
Além de garantir proteção imediata, o projeto também prevê oferecer oportunidades de recomeço. Segundo Mano, a proposta inclui capacitação profissional para que as mulheres possam conquistar autonomia financeira. “Que elas aprendam uma profissão, tenham uma nova perspectiva de vida”, reforçou.
Viabilidade e recursos
Já o vereador Nelson Soares destacou que a discussão vai além de números. “Quando se trata de vidas, tudo é viável”, afirmou. Ele propõe que parte dos recursos da Câmara Municipal, que poderiam ser devolvidos ou abdicados em 2027, seja destinada à criação de um fundo de apoio às mulheres.
“A ideia é que esse fundo não apenas viabilize a estrutura das casas, mas também sustente serviços essenciais, como acompanhamento psicológico, assistência social e programas de capacitação”, disse.
Segundo Nelson, a proposta já começou a ser debatida com o Executivo municipal, e um grupo técnico deverá analisar dados como número de casos, demanda e custos para estruturar o projeto de forma eficiente.
Quebrando o ciclo da violência
Durante a entrevista, os vereadores também destacaram o ciclo recorrente da violência doméstica. “Muitas mulheres registram ocorrência, conseguem medida protetiva, mas acabam retornando ao agressor por dependência financeira ou falta de suporte. A criação das casas de abrigo surge justamente como alternativa para romper esse ciclo, oferecendo segurança e condições para que as vítimas reconstruam suas vidas longe do agressor”, detalharam.
Próximos passos
O projeto ainda está em fase inicial, com levantamento de dados e articulação entre diferentes setores, incluindo assistência social, segurança pública e Judiciário. A decisão final sobre a implementação caberá ao Executivo municipal. “A expectativa é positiva. É um projeto técnico, embasado e necessário. A gente precisa tirar isso do papel”, destacou Nelson.
Canais de denúncia
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados de forma sigilosa pelos seguintes canais:
- 190 – Polícia Militar
- 180 – Central de Atendimento à Mulher
- Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, em Araranguá
A iniciativa reforça um debate urgente: a necessidade de políticas públicas efetivas para proteger mulheres e oferecer caminhos reais de recomeço. Em caso de violência, denuncie.







