Estratégias no período de pré-candidaturas começam a tomar forma em SC
O cenário político catarinense começa a ganhar contornos mais nítidos à medida que avançam os movimentos de pré-candidatura. O que antes era articulação de bastidores agora ganha palco, discurso e estratégia, e esses primeiros passos dizem muito sobre o que vem pela frente.
Nos últimos dias, dois exemplos ajudam a entender como esse jogo está sendo montado.
No Alto Vale, em Ibirama, o deputado estadual Oscar Gutz (PL) reuniu apoiadores em um evento que foi além da sua pré-candidatura à reeleição. Ao trazer Carlos Bolsonaro, o ato também serviu como vitrine para um projeto macro, que tem como um dos pilares dar mais força a pré-candidatura dele ao Senado, o que ainda enfrenta certa resistência por ele ter transferido seu domicílio para Santa Catarina.
Carlos, que construiu sua trajetória política no Rio de Janeiro, intensifica sua presença aqui no estado, tentando encurtar a distância com o eleitor catarinense. E junto com essa presença, começa a se consolidar um discurso: a ideia de proximidade com o possível novo poder executivo nacional. A narrativa que ganha força entre aliados é clara: caso Flávio Bolsonaro, seu irmão, avance em um projeto nacional e alcance a Presidência, ter um senador da família significaria acesso direto, influência e, na leitura dos defensores, mais resultados para Santa Catarina.
Enquanto isso, outros nomes no mesmo campo devem apostar em caminhos distintos, como a experiência política e a trajetória consolidada, casos de Esperidião Amin e Décio Lima, cada um com sua própria narrativa já em construção.
Se de um lado a direita ensaia seus argumentos, a esquerda também traça suas estratégias.
Carminatti alavancando Merisio
Em Chapecó, o lançamento da pré-candidatura à reeleição da deputada estadual Luciane Carminatti chamou atenção não apenas pela força eleitoral que carrega, uma das mais votadas do estado nas últimas eleições, mas pelas companhias e sinais emitidos.
A presença de Gelson Merisio no evento é um capítulo à parte. Diferente do questionamento geográfico enfrentado por Carlos Bolsonaro, aqui o debate gira em torno de identidade política. Merisio, que já esteve, recentemente, do outro lado, inclusive disputando o governo de SC em 2018 com apoio de Jair Bolsonaro, vem construindo uma aproximação com a esquerda desde 2022, quando atuou na campanha de Décio Lima.
Essa transição ainda é observada com cautela por parte da base, mas gestos como a participação no ato em Chapecó e, principalmente, a sinalização de que Luciane poderia assumir a Secretaria de Educação em um eventual governo, mostram uma tentativa clara de consolidação dessa nova identidade.
O que se desenha, portanto, é um cenário onde mais do que nomes, estão sendo apresentados discursos. Mais do que candidaturas, estão sendo moldadas narrativas.
De um lado, a aposta na proximidade com o poder e na força de um sobrenome. Do outro, a construção, ainda em ajuste, de novas alianças e reposicionamentos políticos.
É só o começo. Mas como sempre na política, os primeiros movimentos já dizem muito sobre o que virá até 2026.
Confira o comentário completo de Upiara Boschi:







