Preocupação ou estratégia? Fim da escala 6×1 entra no centro da disputa em ano eleitoral
Nesta quinta-feira (23), dois temas relevantes avançaram no cenário político, um em Santa Catarina e outro em nível nacional, e prometem ampliar o debate nas próximas semanas.
Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, a Comissão de Finanças aprovou o projeto do governo estadual que prorroga a redução do ICMS sobre produtos da cesta básica até o fim do ano. A proposta, de número 258/2026, tramita em regime de urgência e deve ser votada em plenário já na próxima semana, sem grandes obstáculos.
O texto prevê a ampliação do prazo de isenção do imposto, que se encerraria em 30 de abril, para 31 de dezembro, beneficiando itens essenciais como arroz, feijão e diferentes tipos de farinha. A medida vale para produtos sem adição de outros ingredientes ou fortificações. Com isso, o governo busca manter o alívio no custo de alimentos básicos, especialmente em um momento de pressão sobre o orçamento das famílias.
Enquanto isso, em Brasília, o debate é mais amplo e polêmico. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados do Brasil aprovou a admissibilidade de duas propostas de emenda à Constituição (PECs) que tratam da redução da jornada de trabalho no país.
As propostas têm como objetivo, na prática, acabar com a escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). A PEC 221/19, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), propõe reduzir gradualmente a jornada semanal de 44 para 36 horas ao longo de dez anos. Já a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), prevê uma jornada de quatro dias por semana, também limitada a 36 horas.
Com a admissibilidade aprovada, os textos seguem agora para uma comissão especial, onde será discutido o mérito das propostas antes de irem ao plenário.
O tema ganhou força com o movimento “Vida Além do Trabalho”, que defende melhores condições de saúde mental e qualidade de vida para os trabalhadores. Por outro lado, enfrenta resistência de setores empresariais, que apontam possíveis impactos econômicos e aumento de custos.
Atualmente, a Constituição estabelece que a jornada de trabalho não deve ultrapassar oito horas diárias e 44 horas semanais, mas não define o modelo de escala.
A expectativa é de um debate intenso no Congresso, com forte apelo popular e possíveis reflexos no cenário eleitoral, já que o tema mobiliza tanto trabalhadores quanto empregadores e deve seguir no centro das discussões políticas nos próximos meses.
Confira comentário completo de Upiara Boschi:







