Política Santa Catarina vira palco da disputa presidencial antecipada, com pré-candidatos em busca de espaço político

Santa Catarina vira palco da disputa presidencial antecipada, com pré-candidatos em busca de espaço político

23/04/2026 - 09h41

O cenário político nacional já começa a ganhar contornos mais definidos em Santa Catarina, com a movimentação de pré-candidatos à Presidência da República e articulações que também impactam diretamente o ambiente estadual.

Um dos que passou recentemente pelo Sul do Estado e, inclusive participou de entrevista na Rádio Araranguá, foi Renan Santos, pré-candidato à Presidência pelo partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre. A sigla surge como uma alternativa declaradamente “antissistema”, posicionando-se de forma crítica tanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro quanto ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O MBL, que ganhou projeção nacional durante as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, foi aliado de primeira hora de Bolsonaro, mas posteriormente rompeu com o bolsonarismo. Agora, busca consolidar uma candidatura própria, ainda que com limitações estruturais: o partido Missão não possui tempo de televisão no horário eleitoral gratuito nem presença obrigatória nos debates presidenciais.

No Estado, o grupo também articula a pré-candidatura ao governo de Marcelo Brigadeiro, que enfrenta o mesmo desafio de visibilidade.

Enquanto isso, o Partido Liberal se movimenta para reforçar sua presença em Santa Catarina. O senador Flávio Bolsonaro tem agenda confirmada para o dia 9 de maio, em Florianópolis, onde participará de um grande evento que marca o início de sua pré-candidatura presidencial no Estado.

A visita também carrega um peso estratégico: tentar unificar alas internas do partido que vêm demonstrando divergências. De um lado, o vereador Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado; de outro, a deputada estadual Ana Campagnolo, que já fez críticas públicas à articulação. As tensões refletem um cenário nacional mais amplo dentro do bolsonarismo, envolvendo diferentes grupos e lideranças, como Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro.

Nesse contexto, Flávio Bolsonaro assume o papel de articulador para manter o grupo coeso, tarefa que, até o momento, nem mesmo o governador Jorginho Mello tem conseguido cumprir sozinho no Estado.

Outro nome que intensifica presença em Santa Catarina é o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Partido Novo. Após passagens recentes pelo Oeste e pela Serra, Zema retorna entre os dias 17 e 19 de maio, desta vez com foco na Grande Florianópolis.

Apresentando-se como pré-candidato à Presidência, Zema surge também como peça-chave em possíveis alianças. Parte do Novo defende que ele componha como vice em uma eventual chapa com Flávio Bolsonaro, enquanto o Progressistas também busca espaço nessa composição. Com o fortalecimento do partido Novo, que ampliou sua bancada federal, Zema garante participação em debates, o que pode ampliar sua visibilidade nacional e consolidá-lo como alternativa dentro do campo da direita.

Já no campo da esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não tem agenda oficial confirmada em Santa Catarina, mas lideranças indicam que ele deverá visitar o Estado ao menos duas vezes durante o período eleitoral, uma no início e outra na reta final da campanha.

Outros nomes também devem entrar no radar catarinense nas próximas semanas, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ampliando ainda mais o leque de pré-candidaturas e consolidando Santa Catarina como um dos palcos estratégicos da disputa presidencial.

O movimento intenso de lideranças reforça o peso político do Estado no cenário nacional e antecipa uma campanha marcada não apenas pela polarização tradicional, mas também pela tentativa de construção de alternativas e rearranjos dentro dos próprios campos ideológicos.

Confira comentário completo de Upiara Boschi: