Política Empresa Pagé pode deixar Araranguá por falta de solução do DNIT para alagamentos em via federal

Empresa Pagé pode deixar Araranguá por falta de solução do DNIT para alagamentos em via federal

22/04/2026 - 09h29

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o vereador de Araranguá Juliandro Jaques (Republicanos) e o coordenador do partido Marco Antônio Mota manifestaram preocupação com a possibilidade de a empresa Pagé deixar o município devido a problemas recorrentes de alagamentos em uma via federal sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Segundo o vereador, a situação ocorre em um trecho do antigo leito da BR-101, onde a água se acumula com frequência, atingindo empresas e moradores da região. “Dá uma gota d’água, enche d’água. Não é só a Pagé também. Várias empresas ali estão passando esse problema, vários moradores, e nós não vamos descansar enquanto não resolver isso”.

Reunião com DNIT não aconteceu

Juliandro relatou que chegou a viajar até Brasília para tratar do assunto com o DNIT, mas a reunião foi remarcada diversas vezes e acabou não ocorrendo. “Nós estávamos a dois mil quilômetros. Estava agendado. Depois disseram que não iam conseguir atender. Na semana seguinte ofereceram horário quando eu já estava em Araranguá”.

O vereador classificou a situação como desrespeitosa com o município e reforçou que pretende continuar pressionando por uma solução. “A gente como vereador vai lutar uma demanda e é humilhado. Eu não vou me calar”.

Obra tem recurso, mas depende de autorização federal

De acordo com os entrevistados, a Prefeitura possui projeto pronto e recursos estimados entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões para executar a obra de drenagem que resolveria o problema de alagamentos até o açude Mané Angélica. No entanto, a intervenção depende de autorização do DNIT por envolver área federal.

“O prefeito garante o dinheiro. Se tiver licença, o prefeito garante. Mas não pode fazer a obra por baixo da BR porque leva multa diária no CPF. A drenagem beneficiaria não apenas a Pagé, mas diversas empresas e moradores da região”, relataram.

Risco de impacto econômico preocupa

O vereador destacou que a empresa possui entre 800 e mil funcionários, o que torna a situação ainda mais preocupante para a economia local. “Daqui a pouco essa empresa resolve sair de Araranguá. Quem é que vai pagar o prejuízo? Quem vai pagar o desemprego?”.

Segundo ele, maquinários de alto valor já foram atingidos por alagamentos e veículos de funcionários também sofreram danos em episódios recentes.

Mobilização política pode incluir protesto

Caso não haja avanço nas tratativas com o DNIT, Juliandro afirmou que uma mobilização poderá ser organizada junto a empresários e moradores da região. “Nós vamos até um ponto com a diplomacia. Se não resolver, vamos chutar o balde. Nem que seja duas ou três horas, aquela rua nós vamos fechar”.

Projeto maior para revitalização da marginal segue parado

Durante a entrevista, Marco Antônio Mota lembrou que existe ainda um projeto mais amplo de revitalização das marginais do antigo trecho da BR-101 dentro de Araranguá, com recursos previstos por emenda parlamentar federal. “Tem um projeto de mais de 20 milhões para fazer tudo ali. O município fez o projeto e doou para o DNIT. Mas o processo não anda”, concluiu.