Entre cores, gestos e camadas, Janaína Corá inaugura mostra inédita na Unesc
Em algumas telas o vermelho. Em outras o azul. Algumas, ainda, os dois juntos. Cores que refletem nos olhares de admiração das pessoas que passam pelo Espaço Toque de Arte da Unesc. Com obras formadas por de pinceladas, camadas de tinta e gestos, a exposição “Pintura Voraz”, da artista visual Janaína Corá, foi aberta oficialmente.
Selecionada por meio do Edital nº 538/2025 do Setor de Cultura da Unesc, a mostra ocupa o espaço até o dia 20 de julho, com visitação gratuita das 8h às 22h. Ao todo, a exposição reúne 13 pinturas a óleo, cinco fotografias e um vídeo, compondo uma experiência que parte da pintura, mas expande o diálogo para outras linguagens visuais.
A exposição foi concebida especialmente para o espaço cultural da Universidade e a montagem apresentada ao público é inédita. “A montagem apresentada ao público é inédita e reúne obras produzidas recentemente”, afirmou a artista.
Arte como experiência
Coordenadora do Setor de Arte e a Cultura da Unesc, Lenita Baesso Reddig, a Lenita, defendeu o papel da arte como experiência formativa e crítica dentro da Universidade. Ela também celebrou os 25 anos do Espaço Toque de Arte, equipamento vinculado ao Sistema Estadual de Museus. “A crítica na arte é necessária. Nem sempre estamos falando de coisas belas ou agradáveis”, afirmou.
Segundo ela, a exposição de Janaína provoca reflexões que atravessam diferentes áreas do conhecimento, como sociologia, psicologia, ecologia e política. “Esse trabalho é totalmente necessário para refletirmos aqui no Espaço Cultural da Unesc e na formação dos estudantes”, comentou.
Para a presidente da Fundação Cultural de Criciúma (FCC), Cristiane Uliana, iniciativas culturais dentro da Universidade ampliam a dimensão humana da formação acadêmica. “A cultura é a alma de uma cidade. E a cultura é a alma de uma universidade”, afirmou.
Pintura e pensamento
Natural de Guatambu, no Oeste catarinense, Janaína vive e trabalha entre Chapecó e São Carlos, onde mantém o ateliê. A artista constrói uma narrativa abstrata que atravessa memórias pessoais, território, cotidiano e percepção social.
“Penso o lugar que habito como artista, como cidadã, como mãe, como professora, que olha para esse mundo e se incomoda com as coisas”, afirmou a artista durante a abertura.
Janaína trabalha com desenho desde 1996 e desenvolve pesquisas em pintura a óleo desde 2015. A trajetória atravessa também a atuação como professora de arte em Chapecó e em territórios indígenas no Oeste do estado. A exposição incorpora, ainda, referências às vivências junto aos povos originários da região.
Para a artista, a configuração aberta no local amplia a relação entre obra e público. Instalado em uma área de circulação da Unesc, o local aproxima arte e cotidiano. “É quase como se o trabalho estivesse na rua, porque todo mundo passa e todo mundo é público. Não consigo pensar no meu trabalho artístico sem colocar algumas ideias na mesa para pensarmos juntos. A produção pode ser solitária no ateliê, mas a arte acontece no coletivo”, destacou.
Representando a Reitoria e a Diretoria de Extensão, Cultura e Ações Comunitárias, Abel Corrêa de Souza, reforçou a relevância das manifestações artísticas no ambiente universitário. “O artista representa o pensamento dele, mas também o de outras pessoas envolvidas com aquela produção. Façam da Unesc um espaço de cultura, lazer, estudos e diversão”, observou.













