Geral Inova Sul Agronegócio apresenta diagnóstico e aponta novos caminhos para o setor no Extremo Sul

Inova Sul Agronegócio apresenta diagnóstico e aponta novos caminhos para o setor no Extremo Sul

16/09/2026 - 11h05

Evento acontece nesta quinta-feira, dia 17, na Unesc Araranguá, e reúne entidades, sindicatos, cooperativas, técnicos e representantes do poder público para conhecer resultados de estudo sobre potencialidades e desafios da agricultura regional

O Inova Sul – Setor Agronegócio será realizado nesta quinta-feira, dia 17, na Unesc Araranguá, com a apresentação de um diagnóstico elaborado a partir de informações coletadas junto a produtores, sindicatos, cooperativas, técnicos e outras entidades ligadas ao agronegócio da região.

Em entrevista ao apresentador Lucas Casagrande, da Rádio Araranguá, o diretor da Unesc Araranguá, Dorvanil Vieira, e o presidente do Sindicato Rural de Araranguá, Rogério Pessi, explicaram como surgiu a iniciativa, quais desafios foram levantados durante as reuniões e como os dados poderão contribuir para novos projetos e oportunidades no campo.

Estudo começou a partir de diagnóstico dos setores da economia

Segundo Dorvanil, o trabalho começou há aproximadamente um ano, dentro de uma iniciativa da Unesc voltada ao diagnóstico de diferentes setores da economia.

“Ela levantou um projeto de diagnóstico de dez setores da economia. E eu digo isso a Unesc como um todo. E aí começou a trabalhar isso lá na região da AMREC.”

Ao analisar o projeto, o diretor identificou a possibilidade de trazer o estudo sobre o agronegócio para a região da AMESC. “Quando eu olhei para isso eu identifiquei o setor do agronegócio como uma possibilidade de trazer para a nossa AMESC. E aí a gente trouxe isso para cá.”

A primeira reunião ocorreu em junho e reuniu representantes de diferentes segmentos ligados ao setor. “A gente fez no mês de junho a primeira reunião com vários sindicatos, cooperativas, organismos que estão voltados para o setor do agronegócio.”

Nessa etapa, foram levantadas as principais dificuldades, gargalos, potencialidades e perspectivas para o futuro. “Pegou todas as informações, tudo aquilo que vinha de quais eram as dores, quais os gargalos, qual é a visão que eles tinham de futuro, o que o setor identificava como necessário.”

Depois dessa etapa, as informações foram encaminhadas para pesquisadores da universidade. “Pegou todas essas informações e levou para o laboratório, para os professores, doutores, pesquisadores, trabalhar.”

Agora, o projeto chega à etapa de devolutiva para o próprio setor. “Então, passou-se esse período aí, fez-se todo esse trabalho e agora é a hora de fazer a devolutiva para o setor.”

Objetivo é transformar dados em decisões

Dorvanil destaca que a proposta é oferecer ao agronegócio informações organizadas e atualizadas para auxiliar na tomada de decisões. “A partir daí eles começarem a trabalhar de forma mais efetiva, tomando decisões a partir de dados, de informações.”

Para o diretor, a pesquisa deve ocupar um papel central antes da realização de investimentos. “Hoje em dia não precisa, aquilo que eu falo sempre, não precisa achar nada. A gente pesquisa.”

Ele defende que empreendedores e produtores utilizem os estudos disponíveis para reduzir decisões baseadas apenas em percepções pessoais. “A gente pode fazer as coisas baseada em informação, em pesquisa, em dado, para que ela seja uma decisão mais assertiva.”

Dorvanil também citou os planos de desenvolvimento elaborados pela universidade para os 15 municípios da região como fontes importantes de informação. “Então isso é uma riqueza de dado, de informações para pesquisa que não se encontra em qualquer lugar.”

Agricultura regional tem potencialidades e desafios

Rogério Pessi participou das discussões que deram origem ao diagnóstico e destacou as características que podem representar oportunidades para o agronegócio regional.

Segundo ele, foram discutidos aspectos como a localização, a fertilidade das terras e a proximidade entre diferentes ambientes naturais. “Foi falado muito das nossas potencialidades, da nossa região, que é uma região plana, que é uma região de terra fértil, que é uma região próxima do turismo, que tem serra, mar, planície, água boa.”

Ao mesmo tempo, os participantes apontaram dificuldades que interferem diretamente na atividade rural. “E também muita coisa assim das nossas dores, né? Nossas dores que são às vezes o clima que afeta, falta de crédito, falta de incentivo, falta de políticas públicas, a questão da nossa região ser uma região também uma das mais pobres do Estado.”

Rogério lembra ainda que a agricultura regional possui uma história bastante ligada à produção de farinha de mandioca. “Começou com a farinha de mandioca. Nós tínhamos aí mais de 100 engenhos de farinha de mandioca na nossa região. Hoje existe bem pouco, mas assim, é uma cultura um pouco antiga.”

Pesquisa pode ajudar agricultor a encontrar novas alternativas

Um dos pontos destacados por Rogério é a necessidade de apresentar novas possibilidades para produtores que desejam diversificar suas atividades. “Existe muita necessidade, Lucas, de estudos para que apontem caminhos novos, para que o agricultor, às vezes, ele está cansado de plantar fumo, mas ele não tem outra alternativa.”

Ele cita propriedades rurais que podem agregar outras atividades, como turismo, gastronomia e hospedagem. “Às vezes tem uma propriedade que não tem muita terra, mas às vezes ele tem um atrativo turístico de pousada, de gastronômia.”

Para o presidente do Sindicato Rural, o estudo pode ajudar o produtor a enxergar oportunidades que nem sempre são percebidas no cotidiano da propriedade. “A pesquisa, os técnicos, o estudo, ele, às vezes, aponta essa possibilidade e dá um norte mais seguro, e ele vem com projeções de negócios.”

Turismo rural aparece como oportunidade

A integração entre agronegócio e turismo rural também aparece como uma das possibilidades discutidas durante o levantamento.

Rogério destaca que a região possui rios, lagoas, serra, mar e uma série de elementos culturais que podem ser transformados em experiências turísticas. “A gente tem aqui uma região muito rica, perto do rio Araranguá, lagoas, e tudo isso tem que ser mais explorado.”

A gastronomia tradicional também pode fazer parte dessa estratégia. “As pessoas, às vezes, querem ver coisas bonitas, mas elas também querem comer bem, e querem comer coisas que os antepassados delas comeram.”

Entre os exemplos citados estão o biju e o cuscuz, além de outras tradições ligadas à produção de farinha de mandioca. “Querem comer um biju, querem comer um cuscuz, e tudo isso não existe.”

Para Rogério, recuperar essas tradições pode representar uma oportunidade de geração de renda e valorização da cultura regional. “Levantar isso de novo, essa tradição aí da farinha de mandioca, que é rica aqui na nossa região, e desenvolver essas potencialidades.”

Mão de obra, sucessão familiar e gestão estão entre os desafios

Dorvanil aponta que, além das questões de mercado e produção, o diagnóstico identificou problemas relacionados à própria estrutura das propriedades rurais. “A gente já levantou nessa questão aí, nessa primeira rodada de conversa que a gente teve, problemas que estão hoje presentes no dia a dia, principalmente dos agricultores. Mão de obra é um problema, a sucessão familiar é um problema, a gestão do negócio é um problema.”

Na avaliação apresentada pelo diretor, a inovação e a tecnologia podem contribuir para enfrentar parte desses desafios. “A gente precisa inserir a inovação e a tecnologia, a modernização, para que esses problemas que estão aqui sejam diminuídos no seu impacto que tem lá.”

Dorvanil também lembrou sua própria experiência no campo para destacar a transformação tecnológica da agricultura. “Não dá mais para você fazer agricultura como se fazia antigamente.”

E brincou ao comparar os antigos métodos de trabalho com as novas tecnologias: “Era o cabo da enxada, era o arado de boi, era a colheita, não era o drone.”

Segundo ele, a universidade pode atuar justamente aproximando conhecimento e tecnologia dos setores produtivos. “Nós estamos lá hoje com uma quantidade de professores, doutores, pesquisadores que causa inveja para muita gente e que estão à disposição da sociedade, que estão à disposição dos setores da economia para ajudar a desenvolver.”

Sucessão rural e novas gerações

Rogério afirma que, apesar do perfil tradicional da agricultura regional, há sinais de renovação e sucessão familiar, especialmente na atividade orizícola. “A nossa agricultura, o Lucas, ela tem, apesar de ser bem tradicional e um pouco conservadora, mas a gente vê a sucessão acontecendo, principalmente aqui a atividade que eu mais acompanho, que é o arroz.”

Ele também observa um movimento de retorno de pessoas ao campo. “A gente está acompanhando um movimento inverso agora. Antes era o êxodo rural e agora tem muita gente voltando para a propriedade do pai e da mãe, que às vezes estão se aposentando, já estão cansados, e inventando novos negócios.”

Na avaliação de Rogério, esse movimento pode ser potencializado quando o produtor tem acesso a projetos, crédito, capacitação e apoio técnico. “Às vezes, o que a gente acha que é muito difícil, Lucas, basta ter um projeto, ter um bom projeto, ter crédito às vezes, porque o crédito às vezes mobiliza tudo, e ter gente que ampare esse projeto.”

Produção rural pode se transformar em experiência turística

Rogério defende que atividades aparentemente simples podem ser transformadas em experiências para visitantes. “Às vezes, o atrativo é o cara andar em uma colheitadeira. Ele colher arroz junto com o produtor de arroz, é uma forma de fazer turismo.”

Ele também cita experiências envolvendo carro de boi, gastronomia e atividades tradicionais. “Então, assim, é coisas que, às vezes, o produtor tem lá no seu recanto, e ele acha que aquilo ali é um negócio pobre, mas é um negócio rico.”

Para ele, a diversificação pode ocorrer sem que o produtor abandone necessariamente a atividade agrícola. “Tudo isso aí a gente pode explorar, Lucas, através do agro, eu digo assim, através do agro inserido no turismo.”

Tecnologia e sustentabilidade

Rogério também defende uma agricultura mais moderna e sustentável, com maior agregação de valor aos produtos. “A gente tem esse sonho de que a agricultura se torne cada vez mais sustentável, cada vez mais limpa, cada vez agregando mais valor aos produtos, e que o agricultor se realize nisso.”

Nesse contexto, ele destaca a necessidade de aproveitar as novas tecnologias e a estrutura de capacitação disponível na região. “Vai ter gente capacitada para trabalhar essas novas atividades, esse novo agro aí.”

Integração entre agronegócio e turismo

Durante a entrevista, Dorvanil também relacionou o diagnóstico do agronegócio a outras iniciativas desenvolvidas pela Unesc, entre elas o IntegraTour, voltado à identificação de potencialidades turísticas.

Segundo ele, o trabalho pode contribuir para transformar propriedades rurais em novos destinos e ampliar as possibilidades de renda. “O IntegraTour, no seu trabalho de campo, ele obviamente vai identificar as potencialidades que tem cada propriedade e vai transformar isso em destinos turísticos.”

A expectativa é que a diversificação gere novas oportunidades para os produtores. “E isso vai fazer com que o setor do nosso agronegócio tenha mais oportunidade de renda. Vai diversificar a sua propriedade e vai transformar em um atrativo turístico.”

Dorvanil também defende o turismo como uma atividade capaz de trazer consumidores de fora para a região. “É um dinheiro que vem de fora.”

Para ele, o desenvolvimento de novos vetores econômicos é importante para fortalecer as economias locais. “Não tem outro jeito. Tem que buscar novos vetores econômicos para a economia. Principalmente as economias locais.”

Evento acontece nesta quinta-feira

A apresentação do diagnóstico do Inova Sul – Agronegócio acontece nesta quinta-feira, dia 17, na Unesc Araranguá. Segundo Rogério, a programação começa às 8h30min, com previsão de apresentação até as 10h30min.

Dorvanil reforça que a universidade pretende disponibilizar posteriormente o trabalho para os diferentes segmentos do agronegócio. “Depois será amplamente divulgado e colocado à disposição de todo o setor aí na nossa região.”

A proposta é que as informações apresentadas não fiquem restritas ao evento, mas possam servir como base para novos projetos, investimentos, políticas, iniciativas de diversificação e estratégias de desenvolvimento do agronegócio regional.

Como resumiu Dorvanil durante a entrevista, o principal objetivo do trabalho é “despertar, provocar a região”, aproximando conhecimento, pesquisa e os setores produtivos na busca por novas possibilidades para o desenvolvimento econômico.