Eleições 2026 Paulo Josué apresenta propostas para segurança, reforma do Estado e investimentos regionais em entrevista na Rádio Araranguá

Paulo Josué apresenta propostas para segurança, reforma do Estado e investimentos regionais em entrevista na Rádio Araranguá

23/09/2026 - 11h51

Dando sequência à série de entrevistas com candidatos nas Eleições 2026, o apresentador Lucas Casagrande recebeu, na manhã desta quarta-feira, dia 23, na Rádio Araranguá, o candidato a deputado federal pelo Partido Missão, Paulo Josué.

Advogado e morador de Araranguá desde a infância, Josué falou sobre sua trajetória, os motivos que o levaram a entrar na política e as principais propostas que pretende defender caso seja eleito para a Câmara dos Deputados.

Trajetória e entrada na política

Paulo Josué contou que nasceu em Sapiranga, no Rio Grande do Sul, e que possui vínculos familiares com Araranguá. Segundo ele, o bisavô, Manuel Gregório Pereira, teve atuação marcante na história da cidade.

“Eu sou bisneto do Manuel Gregório Pereira, um cara bem icônico aí na nossa cidade. Portanto, minha família por parte de pai é toda daqui da região”, afirmou.

Ele relatou que passou parte da infância em Porto Alegre e Torres antes de se mudar para Araranguá aos dez anos. Na cidade, concluiu os estudos, cursou Direito e posteriormente abriu seu escritório de advocacia.

A decisão de disputar uma eleição, segundo o candidato, ocorreu após conhecer as propostas do Partido Missão e o chamado “Livro Amarelo”, documento que reúne as diretrizes defendidas pela legenda.

“Eu estudo política desde os meus 12, 13 anos e eu nunca tinha sido filiado a nenhum partido, porque eu nunca havia enxergado em nenhum partido um projeto de verdade, com diagnóstico de Brasil”, declarou.

Josué afirmou ainda que se identifica com a proposta ideológica da legenda e disse que aceitou o convite para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. “Eu sou um soldado da Missão, é por isso que eu estou aqui”, afirmou.

Identidade partidária

Durante a entrevista, o candidato também explicou o que considera diferente no Partido Missão em relação às demais legendas.

Ele defendeu que um partido deve possuir uma linha programática clara e criticou o que considera falta de unidade ideológica em outras siglas. “Para mim, o que é um partido? É uma agremiação de pessoas que tem uma ideologia e um objetivo, um plano de país muito claro”, disse.

Josué afirmou que o Partido Missão possui um conjunto de propostas para diferentes áreas, incluindo saúde, economia e segurança pública.

Segurança pública e reforma penal

Entre as principais bandeiras apresentadas pelo candidato está uma proposta de reforma da legislação penal.

Josué afirmou que pretende defender mudanças nas regras aplicadas a pessoas condenadas por crimes violentos, especialmente em relação à reincidência e aos benefícios previstos na legislação.

“Eu não consigo achar normal um cara que matou alguém ou que colocou uma arma na cabeça de alguém ou que espancou uma mulher, ele daqui 10 anos fique solto”, afirmou.

O candidato também defendeu que, para determinados crimes considerados por ele como extremamente violentos, as penas sejam mais rigorosas.

Outra proposta apresentada durante a entrevista foi a adoção, no Brasil, do conceito de “direito penal do inimigo”, teoria jurídica associada ao jurista alemão Günther Jakobs.

Josué defendeu que organizações criminosas como PCC, Comando Vermelho e PGC recebam tratamento jurídico diferenciado, com regras mais rígidas. “Eles são um invasor dentro do nosso território, portanto a gente tem que tratar eles de uma maneira muito mais incisiva”, declarou.

O candidato também mencionou a proposta do Partido Missão de declarar guerra às facções criminosas.

Metas para prefeitos e governadores

Outra proposta apresentada por Paulo Josué foi a chamada Lei de Responsabilidade Gerencial.

Segundo ele, a ideia seria estabelecer metas objetivas para prefeitos e governadores, utilizando indicadores relacionados a áreas como segurança pública, mortalidade infantil, alfabetização e saneamento. “Para o cara poder se eleger novamente, para ele não se tornar inelegível, ele vai ter que cumprir um mínimo de metas objetivas”, explicou.

O candidato também defendeu a criação de metas de incentivo, vinculando parte da liberação de recursos públicos ao desempenho dos governos em determinados indicadores. “Quanto melhor forem os números que um governador ou que um prefeito entregar, mais acesso a dinheiro público ele vai ter”, afirmou.

Posicionamento no Congresso Nacional

Questionado sobre como atuaria caso eleito, especialmente se estivesse na oposição ao governo federal, Josué afirmou que pretende manter as propostas do Partido Missão independentemente de quem estiver na Presidência da República.

Ele citou a necessidade de uma reforma fiscal e afirmou que, na sua avaliação, os principais candidatos à Presidência mencionados durante a entrevista não apresentariam propostas suficientes nessa área.

“Eu vou ter muito trabalho, vou trabalhar muito e vou ter que tentar articular junto com meus colegas para a gente poder avançar as pautas que nós defendemos”, disse.

Josué também afirmou que pretende defender a soberania nacional e criticou eventuais acordos envolvendo a exploração e comercialização de terras raras brasileiras. As declarações foram apresentadas por ele como uma posição do Partido Missão.

Representatividade regional e pacto federativo

Ao abordar as demandas do Extremo Sul catarinense, Paulo Josué defendeu uma revisão do Pacto Federativo.

Segundo o candidato, o atual modelo de distribuição de recursos e representação política gera diferenças entre os estados brasileiros. “A nossa Constituição de 88 está na hora da gente começar a rediscutir ela”, afirmou.

Josué também defendeu mudanças na distribuição de recursos arrecadados pela União, argumentando que Santa Catarina teria participação elevada na arrecadação nacional e receberia proporcionalmente menos recursos.

Durante a entrevista, ele também discutiu as diferenças na representação do Senado entre estados com populações muito distintas.

Fusão de municípios

Uma das propostas apresentadas pelo candidato envolve a fusão de municípios que, segundo ele, não conseguiriam sustentar suas próprias estruturas administrativas sem transferências de recursos públicos.

Josué afirmou que a proposta defendida pelo Partido Missão prevê a união administrativa de municípios com baixa capacidade de arrecadação, mantendo a população e os serviços locais.

Segundo ele, a estimativa trabalhada pela legenda seria de que cerca de 80% dos municípios brasileiros poderiam passar por algum processo de fusão. “De cinco mil ficariam umas mil cidades, se fosse aplicar o plano”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de Araranguá estar entre os municípios afetados, Josué disse acreditar que a cidade teria condições de permanecer independente caso houvesse uma reorganização administrativa regional.

Ferrovias como alternativa para logística

Na área de infraestrutura, Paulo Josué citou as rodovias e o escoamento da produção como demandas importantes para o Extremo Sul, mas defendeu uma discussão mais ampla sobre transporte ferroviário.

“Eu sou mais ousado, eu acho que a gente deveria ter políticos que começam a discutir ferrovia”, declarou.

O candidato argumentou que o transporte ferroviário poderia reduzir custos logísticos e também melhorar a mobilidade entre cidades.

Ele citou como referência a estrutura ferroviária existente na região e defendeu uma integração maior entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. “Eu acho que a gente, trazendo propostas mais diferentes, consegue resolver isso e fazer o básico”, afirmou.

Teatro de Araranguá

Durante a entrevista, Josué também abordou a situação do teatro de Araranguá, que permanece sem utilização após problemas estruturais e um incêndio.

Morador da região próxima ao teatro, ele relatou que acompanha a situação há anos e criticou a demora para solucionar o problema. “Eu moro, há 15 anos, na frente do teatro. O meu quarto é virado para a frente do teatro. E todo dia eu olho aquilo ali e é um absurdo, cara, ter um teatro daquele abandonado”, declarou.

Segundo Josué, o episódio demonstra, na visão dele, dificuldades decorrentes da divisão de responsabilidades entre diferentes órgãos públicos. “O cidadão não quer saber de quem é a competência, o que está no papel ele quer usar. Então é contra esse tipo de burocracia que a gente quer lutar”, afirmou.

Considerações finais

Ao encerrar a entrevista, Paulo Josué voltou a apresentar o Partido Missão e o “Livro Amarelo” como referências de sua campanha. “Eu sou advogado aqui em Araranguá, sou candidato a deputado federal. Me siga nas minhas redes, se você quiser receber esse material aqui, o meu e do Renan, me siga nas redes”, declarou.

Como funcionam as entrevistas da Rádio Araranguá

A entrevista com Paulo Josué integra a série de entrevistas da Rádio Araranguá com candidatos nas Eleições 2026. A emissora estabeleceu critérios objetivos, previamente definidos e aplicados de maneira uniforme aos candidatos que disputam o mesmo cargo.

As entrevistas são realizadas de segunda a sexta-feira, entre 8h e 12h, com 20 minutos de duração, no estúdio da Rádio Araranguá. A participação é previamente agendada e está condicionada à disponibilidade da agenda da emissora.

Os candidatos ao mesmo cargo têm a mesma oportunidade de participação, respeitando o limite de dois candidatos por partido ou federação.

O formato é padronizado, com o mesmo tempo de duração e critérios de condução. As entrevistas são realizadas por dois comunicadores da emissora e transmitidas ao vivo, sem edição.

Eventuais manifestações de ouvintes durante as transmissões ao vivo não são utilizadas como critério para favorecer ou prejudicar candidatos, e a emissora não toma essas manifestações como parte da condução das entrevistas, em observância às regras estabelecidas para a cobertura eleitoral.

O candidato que confirmar e não participar no dia e horário agendados perderá aquela oportunidade, sem garantia de remarcação. Eventuais ausências comunicadas previamente serão avaliadas conforme a disponibilidade da agenda e a necessidade de preservar a igualdade de condições.

Os critérios foram estabelecidos com base na legislação eleitoral e na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observando os princípios da isonomia, imparcialidade, impessoalidade e igualdade de oportunidades.

A Rádio Araranguá dará continuidade à série de entrevistas com os demais candidatos, mantendo os mesmos critérios para os concorrentes ao mesmo cargo.