Morgana Daniel apresenta propostas para saúde, segurança e transparência durante entrevista na Rádio Araranguá
Dando sequência à série de entrevistas com candidatos nas Eleições 2026, a Rádio Araranguá recebeu, na manhã desta terça-feira, dia 22, a candidata a deputada federal pelo Partido Novo, Morgana Daniel. Em conversa com o apresentador Saulo Machado, ela apresentou as principais pautas que pretende defender em Brasília caso seja eleita e falou sobre representação regional, saúde, segurança pública, educação, transparência e fiscalização dos recursos públicos.
Logo no início da entrevista, Morgana comentou as condições climáticas enfrentadas pela região e defendeu que o poder público adote medidas preventivas para reduzir os impactos de cheias e enxurradas.
“Nós precisamos, na verdade, debater a situação das cheias, a situação das enxurradas, as consequências que elas trazem, não apenas quando elas acontecem. É importante ficar o alerta para as autoridades, nós fazermos um levantamento das necessidades da região antes que esses fatos aconteçam.”
Representação do Extremo Sul
Ao explicar sua decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, Morgana afirmou que considera o Extremo Sul catarinense sub-representado politicamente e relacionou essa condição a dificuldades para o encaminhamento de demandas regionais.
“A nossa região, Saulo, ela é subrepresentada. E, por isso, muitos problemas que poderiam ter sido resolvidos, não há resolução por conta dessa subrepresentação e a falta de lideranças que, de fato, lutem pelas nossas bandeiras lá em Brasília.”
A candidata também citou demandas relacionadas à infraestrutura e à destinação de recursos federais. “Há muitos anos nós não temos um deputado federal. Isso compromete pautas como as questões de infraestrutura, que agora estamos sentindo com relação a essa enxurrada, a questão de recursos que vêm para a região e o atendimento de obras importantes, que são históricas, lutas históricas.”
Morgana afirmou que o convite do Novo para disputar a eleição federal ocorreu diretamente para essa função e disse ter passado por processos de preparação dentro da legenda.
“Nós, no Partido Novo, não somos apenas convidados para ser candidato, Saulo. Nós nos preparamos, passamos por processo seletivo, nos submetemos a diversos cursos que nos deem capacidade de exercer essa condição de deputado federal.”
Saúde e desburocratização do SUS
Entre as principais propostas apresentadas durante a entrevista, Morgana destacou a saúde pública. Segundo ela, a redução das filas e a integração dos sistemas de regulação devem estar entre as prioridades do poder público.
“É revoltante, Saulo, que em 2026 nós estejamos ainda discutindo fila de SUS. Isso é um problema que, no nosso entender, já deveria ter sido resolvido há muito tempo.”
A candidata defendeu mudanças nos mecanismos de regulação e maior utilização da tecnologia para que o cidadão possa acompanhar sua situação diretamente. “Nós temos mecanismos de mudar o regulamento do SUS, a regulação do SUS, para que exista um sistema único e para que as pessoas de fato acompanhem, muitas vezes até mesmo através da tecnologia, da tela do seu celular, a maneira como ela vai ser atendida.”
Morgana também relatou ter encontrado pessoas que, segundo ela, aguardam há anos por consultas ou retornos médicos. “Eu acompanho casos de pessoas que estão há quatro anos na fila. E não é fila para receber atendimento. Tem gente que morreu esperando.”
Outro ponto levantado foi a necessidade de ampliar a oferta de atendimento especializado dentro da própria região, reduzindo deslocamentos de pacientes para outros municípios. “A saúde precisa vir ao encontro da população. Os especialistas têm que atender nas nossas cidades ou até mesmo o mais próximo possível dentro da nossa região os pacientes.”
Segurança pública e mudanças na legislação
Na área da segurança pública, Morgana defendeu alterações na legislação penal e processual penal. A candidata utilizou a expressão “prende e solta” para se referir ao que considera uma dificuldade no sistema atual.
“Nós precisamos debater a questão de acabar com esse prende e solta.”
Segundo Morgana, a proposta passa por uma reforma do Código de Processo Penal. Ela também citou situações observadas durante visitas a estabelecimentos comerciais de Araranguá.
“Estivemos na última semana no bairro Mato Alto, no bairro Coloninha, visitando o comércio, e, Saulo, pasmem, em Araranguá, os estabelecimentos estão funcionando de portas fechadas, chaveados. O cliente tem que bater na porta para ser atendido.”
Ao tratar do sistema prisional, a candidata defendeu a construção de novas unidades e o trabalho de pessoas privadas de liberdade durante o cumprimento da pena.
“Nós temos que construir presídios. Eu sou do grupo que defende que, quando ele é preso, as penitenciárias sejam industriais e que eles trabalhem e paguem, inclusive, pela sua estadia durante o cumprimento de pena.”
Morgana também utilizou a expressão “bandido bom é bandido preso” para resumir sua posição sobre o tema e defendeu que o sistema prisional ofereça condições para o trabalho dos detentos.
Violência contra a mulher
Questionada sobre propostas específicas para o enfrentamento da violência contra a mulher, Morgana relacionou o tema à política de segurança pública que defende.
Ela afirmou que a sensação de impunidade pode contribuir para a reincidência de crimes e defendeu mudanças na legislação como uma das medidas para enfrentar também casos de feminicídio, ameaças e outros crimes contra mulheres.
“Isso abraça também essa pauta do feminicídio, de ameaça, dos crimes contra a mulher, que nós temos índices bem assustadores em Santa Catarina.”
Terceiro setor, causa animal e apoio às mães
Morgana também apresentou propostas voltadas ao terceiro setor, destacando o papel desempenhado por associações e organizações não governamentais na prestação de serviços à população.
“Nós precisamos criar mecanismos para que recursos, para que a manutenção dessas entidades seja um pouco mais fácil.”
A candidata citou ainda projetos relacionados à causa animal e à criação de uma rede de apoio para mães de crianças neurodivergentes. “Hoje o número diagnóstico cresceu e a tendência é que ele cresça, de crianças neurodivergentes. Existem políticas públicas, existem legislações que atendem, mas e as mães neurodivergentes, que muitas vezes são mães solo e não têm um braço para contribuir com elas?”
Segundo Morgana, sua proposta é ampliar o olhar das políticas públicas também para essas mães. “Nós precisamos de políticas públicas também nesse sentido, para atender as mães. O meu olhar é sobre as mães.”
Transparência e fiscalização dos recursos públicos
Outra bandeira apresentada pela candidata foi a fiscalização dos recursos públicos. Morgana afirmou que o parlamentar tem entre suas funções acompanhar a aplicação do dinheiro público.
Ela também defendeu maior transparência sobre as atividades dos deputados e propôs uma ferramenta digital para permitir que os cidadãos acompanhem informações relacionadas ao mandato.
“Eu proponho um mecanismo digital para que, da palma da mão, as pessoas, de fato, consigam acompanhar o custo do meu mandato e todas as minhas votações e tudo aquilo que eu vou propor lá na Câmara dos Deputados.”
Emendas parlamentares
Questionada por Saulo Machado sobre a utilização de emendas parlamentares, Morgana afirmou que o Novo não é favorável ao mecanismo, mas disse que, caso seja eleita, utilizará os instrumentos disponíveis para direcionar recursos à região.
“Nós do Partido Novo não somos favoráveis à distribuição de emendas parlamentares. No entanto, se é um mecanismo à disposição, naturalmente que eu vou me utilizar para que os recursos cheguem principalmente à nossa região.”
Ela também declarou que pretende dar publicidade à aplicação dos recursos e afirmou que não pretende receber qualquer percentual relacionado à destinação das emendas.
Referência a Jorge Boeira e à UFSC
Durante a entrevista, Morgana citou o ex-deputado federal Jorge Boeira ao falar sobre a importância da representação política regional. Segundo ela, o mandato de Boeira contribuiu para a implantação do campus da Universidade Federal de Santa Catarina em Araranguá.
“Ele foi deputado federal, ele interiorizou a Universidade Federal, o campus foi colocado aqui, o prédio foi construído uma parte, a outra ficou pela metade, está lá até hoje. Por quê? Porque não temos representatividade.”
Morgana afirmou que pretende assumir o compromisso com pautas relacionadas ao desenvolvimento regional caso seja eleita. “Todo compromisso que for para desenvolver a nossa região, que ainda ela está na segunda posição de região mais pobre, menos desenvolvida economicamente de Santa Catarina, eu vou assumir toda e qualquer pauta.”
Relação entre política e religião
Outro momento da entrevista foi dedicado à relação entre política e fé. Morgana afirmou que sua atuação política será orientada por princípios cristãos e declarou posições contrárias ao aborto.
“Eu não votarei enquanto deputada, Saulo, tudo aquilo que contraria a palavra de Deus. Sou pró-vida, sou contra o aborto e é esse o contexto.”
Ela também afirmou defender a liberdade religiosa e disse considerar importante a presença de representantes cristãos na política. As declarações refletem a posição pessoal e política apresentada pela candidata durante a entrevista.
“Nova voz do Sul”
Ao falar sobre a possibilidade de enfrentar resistências em Brasília, Morgana afirmou que pretende atuar de forma independente e criticou o que classificou como excesso de privilégios e exposição de parlamentares.
“O sistema, ele tenta nos engolir. Primeiro, isso tem que acabar. É tudo mantido com dinheiro nosso, dinheiro público.”
A candidata também defendeu uma mudança na forma como a população enxerga a atuação dos políticos e destacou que obras e recursos públicos não devem ser tratados como favores. “Político não faz favor, faz por obrigação. Nada do que ele faz é favor, é obrigação.”
No encerramento, Morgana afirmou que pretende representar o Extremo Sul na Câmara dos Deputados e pediu que os eleitores busquem informações sobre os candidatos antes da votação. “Araranguá, querido ouvinte, merece uma representante. Sou, de fato, verdadeiramente nascida e sempre vivi em Araranguá e conheço a nossa realidade.”
Como funcionam as entrevistas da Rádio Araranguá
A entrevista com Morgana Daniel integra a série de entrevistas da Rádio Araranguá com candidatos nas Eleições 2026. A emissora estabeleceu critérios objetivos, previamente definidos e aplicados de maneira uniforme aos candidatos que disputam o mesmo cargo.
As entrevistas são realizadas de segunda a sexta-feira, entre 8h e 12h, com 20 minutos de duração, no estúdio da Rádio Araranguá. A participação é previamente agendada e está condicionada à disponibilidade da agenda da emissora.
Os candidatos ao mesmo cargo têm a mesma oportunidade de participação, respeitando o limite de dois candidatos por partido ou federação.
O formato é padronizado, com o mesmo tempo de duração e critérios de condução. As entrevistas são realizadas por dois comunicadores da emissora e transmitidas ao vivo, sem edição.
Eventuais manifestações de ouvintes durante as transmissões ao vivo não são utilizadas como critério para favorecer ou prejudicar candidatos, e a emissora não toma essas manifestações como parte da condução das entrevistas, em observância às regras estabelecidas para a cobertura eleitoral.
O candidato que confirmar e não participar no dia e horário agendados perderá aquela oportunidade, sem garantia de remarcação. Eventuais ausências comunicadas previamente serão avaliadas conforme a disponibilidade da agenda e a necessidade de preservar a igualdade de condições.
Os critérios foram estabelecidos com base na legislação eleitoral e na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observando os princípios da isonomia, imparcialidade, impessoalidade e igualdade de oportunidades.
A Rádio Araranguá dará continuidade à série de entrevistas com os demais candidatos, mantendo os mesmos critérios para os concorrentes ao mesmo cargo.











