José Milton Scheffer defende representação federal do Extremo Sul e apresenta propostas para saúde, agricultura e desenvolvimento regional
Dando sequência à série de entrevistas com candidatos nas Eleições 2026, a Rádio Araranguá recebeu, na manhã desta terça-feira, dia 29, o candidato a deputado federal pelo Progressistas (PP), José Milton Scheffer. Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, o candidato falou sobre sua trajetória política, as prioridades que pretende defender em Brasília e a necessidade, segundo ele, de ampliar a representação federal do Vale do Araranguá.
José Milton, que já foi prefeito de Sombrio e exerceu quatro mandatos como deputado estadual, afirmou que decidiu disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados a partir da percepção de que a região estaria sem um representante federal diretamente ligado às suas demandas.
“Eu tenho dedicado o meu melhor desde o mandato de prefeito de Sombrio e os quatro mandatos de deputado estadual. Entendíamos que a região, eu vivi a falta de um deputado federal aqui na AMESC nos últimos 12 anos.”
Segundo o candidato, a ausência de um deputado federal da região teria dificultado a articulação de recursos e projetos junto ao Governo Federal. “A minha candidatura, Saulo, não é uma candidatura partidária. Ela é uma candidatura com a missão regional de recuperar a força política do Vale do Araranguá, que nós já tivemos no passado e perdemos por falta de representantes.”
Defesa da representação regional
José Milton afirmou que pretende manter um gabinete aberto para prefeitos, vereadores, entidades e demais representantes dos 15 municípios da AMESC.
Ele citou situações em que, segundo seu relato, lideranças regionais precisaram buscar apoio de deputados estaduais para encaminhar demandas que envolviam órgãos e ministérios federais.
Entre os exemplos apresentados pelo candidato estão questões relacionadas à infraestrutura, agricultura e saúde. “Quem abre a porta para o prefeito chegar no governador é o deputado. Quem vai abrir a porta para o prefeito para chegar um pedido aqui de Araranguá, do Arroio, do Maracajá ou lá do Turvo, no Ministério da Saúde, no Ministério da Educação, vai ser o deputado federal aqui da região.”
José Milton ressaltou, porém, que a atuação parlamentar não se resumiria à abertura de portas, mas também ao acompanhamento dos processos dentro dos órgãos públicos.
Como exemplo, citou a implantação do sistema de tratamento de esgoto em Sombrio, obra que, segundo ele, envolveu uma série de ajustes técnicos junto ao então Ministério das Cidades.
“Ficamos um dia inteiro no Ministério das Cidades e, graças a Deus, eu tinha o diálogo suficiente para eles me permitirem aquilo. […] Foi assim que nós tiramos uma obra que hoje passa de 100 milhões, o valor dela, que é Sombrio.”
O candidato afirmou que pretende repetir essa estratégia caso seja eleito deputado federal. “O meu gabinete vai ser um gabinete de porta aberta para os 15 municípios da AMESC. Eu repito, a minha candidatura não é partidária, é uma candidatura regional.”
UFSC Araranguá como símbolo da representação federal
Um dos principais exemplos utilizados por José Milton para defender a necessidade de representação federal foi o campus da Universidade Federal de Santa Catarina em Araranguá.
Ele atribuiu ao ex-deputado federal Jorge Boeira papel importante na implantação da universidade no município e afirmou que pretende trabalhar pela conclusão do prédio destinado às Ciências da Saúde. “Nós só temos a Universidade Federal aqui porque o deputado Jorge Boeira era daqui.”
José Milton contou ainda que conversou duas vezes com Boeira antes de assumir a candidatura e que recebeu dele o pedido para assumir o compromisso de apoiar a ampliação do campus.
“Eu tenho um compromisso com o deputado Jorge Boeira, com a cidade de Araranguá, com a universidade, de apoiar a nossa universidade para que ela possa ampliar cada vez mais os seus serviços aqui em Araranguá.”
O candidato relacionou a ampliação da estrutura universitária à formação de profissionais e à atração de novos cursos para a região.
Inovação, tecnologia e formação profissional
Outra prioridade apresentada por José Milton foi o desenvolvimento de um ambiente de inovação e tecnologia no Vale do Araranguá.
Para ele, universidades, institutos, prefeituras e entidades empresariais precisam atuar de maneira integrada para criar oportunidades para os jovens. “Agora, na área da inovação, nós precisamos chamar os institutos, as universidades, as prefeituras para criar e fazer com que o nosso jovem possa trabalhar nessa área da inovação, da tecnologia, que é o emprego do futuro.”
O candidato também defendeu que os cursos de qualificação profissional sejam definidos a partir das necessidades do mercado de trabalho. “Eu quero trabalhar na profissionalização do nosso jovem, mas em cursos que a indústria esteja precisando.”
José Milton comparou ainda o desenvolvimento do Sul catarinense com regiões como o Vale do Itajaí e o Norte do Estado e afirmou que pretende trabalhar para ampliar a atração de empresas e investimentos para o Extremo Sul.
“Nós temos que desenvolver, atrair empresas, criar condições para que grandes empreendimentos possam vir aqui para a região para dar oportunidade para o nosso jovem realizar o seu sonho morando aqui em Araranguá, em Maracajá, lá em Sombrio, aonde for.”
Infraestrutura regional
Durante a entrevista, o candidato também citou obras e projetos considerados estratégicos para a região, entre eles a BR-285, a Serra do Faxinal, a Barragem do Rio do Salto, a Interpraias, a abertura e fixação da Barra do Rio Araranguá e a SC-108.
José Milton afirmou que algumas dessas pautas permanecem há décadas entre as reivindicações regionais. “São bandeiras antigas. Agora estão começando a se concretizar.”
Sobre a Serra do Faxinal, o candidato afirmou que participou das articulações relacionadas à obra e atribuiu parte do avanço do projeto ao diálogo com diferentes órgãos e autoridades.
Também citou a SC-108, afirmando que a obra passou por novo processo de licitação e que havia expectativa de retomada dos trabalhos.
Saúde e regionalização do atendimento
Na área da saúde, José Milton defendeu o fortalecimento do Hospital Regional de Araranguá e a ampliação das especialidades oferecidas na unidade.
O candidato afirmou que pretende atuar em conjunto com o candidato a deputado estadual Evandro Scaini, que também participou da série de entrevistas da Rádio Araranguá e apresentou a implantação do atendimento oncológico no Hospital Regional como uma de suas propostas.
“O Evandro tem um projeto dele, que é de trazer o tratamento oncológico para cá, outras especialidades, e eu vou estar lá ajudando no Ministério da Saúde.”
José Milton também defendeu uma mudança na organização da regulação de consultas e procedimentos pelo sistema estadual.
Questionado por Saulo Machado sobre a possibilidade de uma regulação mais regionalizada, o candidato afirmou ser favorável a um modelo que considere as necessidades específicas do Sul de Santa Catarina.
“Eu defendo que seja macro-regional, tipo o Sul de Santa Catarina, que a gente consiga fazer isso e especializar hospitais nossos.”
Para ele, os hospitais regionais deveriam ter estruturas e especialidades definidas de acordo com as demandas de cada área. “Nós temos que agora realmente regionalizar, especializar ele para que ele possa cumprir o papel.”
José Milton avaliou que o sistema de regulação precisa ser repensado e afirmou que pretende levar o tema para discussão em Brasília.
Defesa da agricultura
Formado em Engenharia Agronômica e com atuação como extensionista rural, José Milton colocou a agricultura entre as principais áreas que pretende defender em eventual mandato federal.
Ele citou produtores de arroz, leite e fumo e afirmou que pretende atuar na formulação de políticas públicas para o setor. “Eu vou para Brasília com uma das missões de defender a agricultura, defender o desenvolvimento regional da AMESC e trabalhar muito a política pública de saúde para atender melhor a população.”
O candidato também defendeu medidas de proteção aos produtores em períodos de crise e afirmou que pretende discutir políticas relacionadas à entrada de produtos estrangeiros no mercado brasileiro.
“A gente vai criar leis para proteger mais o nosso agricultor, quando tiver crise, evitar que entre produto de outros países aqui para tirar a renda da família rural aqui de Santa Catarina ou do Brasil.”
Violência contra a mulher
Questionado por Saulo Machado sobre a violência contra a mulher, José Milton afirmou que pretende atuar tanto no endurecimento da legislação quanto em ações preventivas.
O candidato relatou ter conversado com profissionais da segurança pública e disse que pretende buscar orientação técnica para definir medidas que possam fortalecer o enfrentamento ao problema. “É algo que vai ter que ter leis mais duras e também vai ter que ter um trabalho junto à população para tirar isso da mente das pessoas.”
José Milton também afirmou que pretende buscar instrumentos para fortalecer a atuação das polícias Civil e Militar no atendimento aos casos de violência contra a mulher.
Trabalho de pessoas privadas de liberdade
Outro tema abordado durante a entrevista foi o trabalho de pessoas privadas de liberdade.
José Milton afirmou ser favorável à ampliação de oportunidades de trabalho dentro e fora dos estabelecimentos prisionais, desde que observadas as regras legais. “Não só sou favorável, como deputado estadual votei várias leis nesse sentido para dar condição que o Estado pudesse ter empresas dentro do presídio ou que os presos pudessem trabalhar fora.”
Para ele, o trabalho pode contribuir para a geração de renda e para a preparação do indivíduo para o retorno à sociedade. “O trabalho dentro do presídio, além de criar uma renda, ele cria uma profissão e a pessoa tem ali a oportunidade de se reintroduzir na sociedade na hora que ela sair.”
Segurança e mudanças no sistema de Justiça
Na área da segurança pública, José Milton afirmou que pretende apoiar medidas de endurecimento das leis penais e também defendeu mudanças no funcionamento do Judiciário. “O Zé Milton vai votar em pautas inclusive que busquem uma reforma no Judiciário.”
O candidato defendeu maior agilidade na tramitação dos processos e afirmou que, na visão dele, é necessário reduzir o tempo entre o início de uma ação judicial e a definição da pena. “Ele tem que ter mais agilidade nas sentenças. Não dá para esperar cinco, seis, oito anos para dar uma pena.”
As declarações representam as posições apresentadas pelo candidato durante a entrevista.
Manutenção das cadeiras estaduais da região
José Milton também defendeu a manutenção da representação da AMESC na Assembleia Legislativa e citou nominalmente o deputado estadual Tiago Zilli e o candidato Evandro Scaini. “Eu quero ir para Brasília, mas eu quero que a AMESC continue com, pelo menos, dois deputados. Se der três, deputado estadual, melhor.”
O candidato afirmou que pretende trabalhar em conjunto com os parlamentares estaduais da região caso seja eleito. “Então, são trabalhos que nós vamos trabalhar junto com a bancada de deputado estadual da AMESC, o Governo Federal, para fazer a diferença.”
Considerações finais
Na parte final da entrevista, José Milton voltou a destacar que considera sua candidatura vinculada às demandas regionais e pediu o apoio dos eleitores. “Eu quero colocar toda a minha energia, toda a minha experiência em Brasília a serviço de criar políticas públicas que melhorem a vida das pessoas que moram aqui na região da AMESC.”
O candidato também reforçou sua defesa de que os eleitores priorizem candidatos com atuação regional. “A candidatura do deputado Zé Milton é uma candidatura em nome de uma região que está há 12 anos sem ter um deputado federal.”
Como funcionam as entrevistas da Rádio Araranguá
A entrevista com José Milton Scheffer integra a série de entrevistas da Rádio Araranguá com candidatos nas Eleições 2026. A emissora estabeleceu critérios objetivos, previamente definidos e aplicados de maneira uniforme aos candidatos que disputam o mesmo cargo.
As entrevistas são realizadas de segunda a sexta-feira, entre 8h e 12h, com 20 minutos de duração, no estúdio da Rádio Araranguá. A participação é previamente agendada e está condicionada à disponibilidade da agenda da emissora.
Os candidatos ao mesmo cargo têm a mesma oportunidade de participação, respeitando o limite de dois candidatos por partido ou federação.
O formato é padronizado, com o mesmo tempo de duração e critérios de condução. As entrevistas são realizadas por dois comunicadores da emissora e transmitidas ao vivo, sem edição.
Eventuais manifestações de ouvintes durante as transmissões ao vivo não são utilizadas como critério para favorecer ou prejudicar candidatos, e a emissora não toma essas manifestações como parte da condução das entrevistas, em observância às regras estabelecidas para a cobertura eleitoral.
O candidato que confirmar e não participar no dia e horário agendados perderá aquela oportunidade, sem garantia de remarcação. Eventuais ausências comunicadas previamente serão avaliadas conforme a disponibilidade da agenda e a necessidade de preservar a igualdade de condições.
Os critérios foram estabelecidos com base na legislação eleitoral e na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observando os princípios da isonomia, imparcialidade, impessoalidade e igualdade de oportunidades.
A Rádio Araranguá dará continuidade à série de entrevistas com os demais candidatos, mantendo os mesmos critérios para os concorrentes ao mesmo cargo.









