Eleições 2026 Mariana Sartor apresenta propostas para meio ambiente, educação e proteção animal em entrevista na Rádio Araranguá

Mariana Sartor apresenta propostas para meio ambiente, educação e proteção animal em entrevista na Rádio Araranguá

29/09/2026 - 11h30

Dando sequência à série de entrevistas com candidatos nas Eleições 2026, a Rádio Araranguá recebeu, na manhã desta terça-feira, dia 29, a candidata a deputada estadual pelo PSOL, Mariana Sartor. Em entrevista ao apresentador Lucas Casagrande, ela apresentou suas principais propostas e falou sobre meio ambiente, educação, proteção animal, direitos das mulheres e participação política.

Mariana Sartor afirmou que é natural de Criciúma, tem 30 anos, é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Botânica pela instituição e atua como servidora pública no município de Treviso, na área ambiental.

“Trabalho diretamente com políticas públicas, principalmente na área ambiental, com programas de proteção animal, com recuperação de áreas degradadas, com educação ambiental, programas de castração. Então, esse é o meu dia a dia profissional.”

Segundo a candidata, sua aproximação com a política ocorreu a partir da participação no coletivo Salve Morro do Céu, em Criciúma, que atuava na defesa de uma área verde do município.

Mariana afirmou que se filiou ao PSOL em 2021 e que, em 2024, concorreu ao cargo de vice-prefeita de Criciúma. Para 2026, decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

“Esse ano, estou lançando a candidatura própria, deputada estadual, e buscando ocupar um espaço político onde nós, mulheres, somos sub-representadas, principalmente em Santa Catarina.”

Meio ambiente como uma das principais bandeiras

Entre as prioridades apresentadas pela candidata está a política ambiental. Mariana defendeu a criação de um orçamento permanente para programas de castração de cães e gatos e também a adoção de medidas de prevenção a alagamentos.

Uma das propostas citadas foi a implantação do conceito de “cidades-esponja”, com áreas verdes, jardins filtrantes e espaços destinados à absorção e ao escoamento da água da chuva.

“São projetos para que as cidades tenham áreas onde a água possa escoar sem inundar, sem alagar as regiões centrais, principalmente das cidades.”

A candidata relacionou a proposta aos episódios recentes de chuvas intensas registrados no Sul de Santa Catarina.

Segundo Mariana, a ideia é ampliar a capacidade das cidades de lidar com eventos climáticos por meio de planejamento urbano e soluções baseadas na própria estrutura natural do território.

Críticas ao modelo de licenciamento ambiental

Mariana também defendeu a revisão do Código Estadual do Meio Ambiente e criticou o modelo de Licença Ambiental por Compromisso (LAC).

Na avaliação dela, a modalidade pode reduzir a participação da análise técnica prévia em determinadas atividades. “A gente vai propor essa revisão do Código para fortalecer a legislação ambiental e fortalecer a atuação dos servidores técnicos concursados nos órgãos ambientais das prefeituras, mas também no órgão ambiental do Estado.”

A candidata defendeu ainda a realização de concursos públicos e a valorização dos profissionais responsáveis pela fiscalização. “Se a gente não tiver um órgão ambiental forte, os servidores valorizados, a parte ambiental vai ficar desprotegida.”

Mariana reconheceu que a desburocratização pode ser necessária, mas afirmou que, na avaliação dela, ela precisa estar acompanhada de estrutura adequada para fiscalização.

“É muito fácil vir falar de desburocratizar, de vir com autodeclaração, só que depois cai tudo nas costas do fiscal. A gente não tem equipe técnica preparada o suficiente para isso.”

Educação e valorização dos professores

Outra área destacada durante a entrevista foi a educação pública.

Mariana defendeu a realização de concursos para professores da rede estadual e o chamamento de profissionais aprovados em concursos anteriores.

Segundo a candidata, a estabilidade dos professores também teria impacto na continuidade do vínculo entre educadores e estudantes. “Tratar a educação com prioridade é valorizar os professores, é concursar os professores.”

Ela também defendeu escolas estruturadas para enfrentar eventos climáticos, climatização dos ambientes, acessibilidade e ampliação do quadro de profissionais especializados para atender estudantes com deficiência.

“A gente precisa pensar nos segundos professores, concursos para segundos professores, que são aqueles professores que cuidam de alunos autistas, alunos com alguma deficiência.”

Direitos das mulheres e violência

A defesa dos direitos das mulheres também foi apresentada como uma das bandeiras da candidatura.

Mariana defendeu o fortalecimento das estruturas de atendimento e citou a ampliação do funcionamento das delegacias especializadas. “Ter mais mulheres como a nossa candidatura, ter como eu, na política, que defendam as mulheres, que defendam delegacias 24 horas, combate da violência.”

Ela também chamou atenção para diferentes formas de violência contra as mulheres, além da agressão física. “A gente sabe que não existe somente a violência física da agressão. Existe a violência psicológica, a violência moral, a violência financeira.”

Durante a entrevista, Mariana fez ainda críticas a declarações e posturas de figuras públicas em relação às mulheres. Essas manifestações fazem parte da posição política apresentada pela candidata.

Proteção animal e castração

Questionada por Lucas Casagrande sobre o abandono e os maus-tratos de animais, Mariana afirmou que considera o problema uma questão regional e defendeu políticas permanentes de controle populacional.

Para ela, a castração deve estar associada a outras ações de educação e adoção responsável. “A questão do controle reprodutivo dos animais precisa acontecer e ela só vai acontecer quando a gente tiver investimento, orçamento para castração.”

A candidata rejeitou soluções baseadas simplesmente no recolhimento de animais e defendeu o que chamou de controle populacional ético. “A gente tem que pensar em controles populacionais éticos, e a castração é a melhor forma de fazer isso.”

Mariana ressaltou, entretanto, que a castração, isoladamente, não resolveria o problema. “Ela tem que estar integrada com a atividade de educação ambiental, com campanhas de educação, de incentivo à adoção responsável também, porque é um conjunto de políticas públicas, não é somente a castração.”

Ela também defendeu maior apoio às protetoras independentes e às organizações que atuam no acolhimento de animais abandonados. “A gente vê as ONGs lotadas, não tem mais espaço para recolher animais, não tem mais espaço para acolher os animais abandonados, e essas protetoras estão sobrecarregadas.”

Fiscalização e estrutura dos órgãos ambientais

Ainda dentro da pauta animal, Mariana relacionou o enfrentamento aos maus-tratos à necessidade de fortalecer os órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.

Ela afirmou que a quantidade de profissionais disponíveis seria insuficiente para atender todas as demandas. “É muito trabalho para pouca equipe. E a questão animal também entra nisso, porque acaba sendo responsabilidade dos órgãos de meio ambiente, querendo ou não.”

Na avaliação da candidata, as políticas de castração precisam ser acompanhadas de fiscalização, educação ambiental e ações de incentivo à adoção responsável. “Tem que ser um trabalho contínuo.”

Objetivos eleitorais do PSOL

Questionada sobre a estratégia do partido para as eleições estaduais, Mariana afirmou que o PSOL trabalha para manter a cadeira atualmente ocupada pelo deputado estadual Marquito e ampliar sua representação na Assembleia Legislativa.

“O objetivo do PSOL é manter a cadeira na Alesc, que nós temos hoje com o deputado Marquito, garantir a sua reeleição e ampliar a base do PSOL para uma segunda cadeira.”

Mariana também falou sobre a estratégia nacional do partido relacionada à cláusula de desempenho e citou o candidato a deputado federal Professor Elson Pereira como parceiro de campanha.

Experiência na campanha

Na reta final da disputa, Mariana avaliou positivamente a experiência de percorrer diferentes municípios e conversar diretamente com os eleitores.

Ela afirmou que tem recebido atenção especialmente entre mulheres jovens interessadas em temas como meio ambiente, justiça social e direitos das mulheres. “Quando elas veem que tem uma mulher jovem do Sul do Estado que fala de meio ambiente, que fala de justiça social, que fala dos direitos das mulheres, a recepção é muito boa.”

A candidata também afirmou que tem realizado atividades de campanha em diferentes cidades da região e ampliado sua presença nas redes sociais. “A gente tem feito banquinhas pelo centro, em várias cidades aqui da região também.”

Como funcionam as entrevistas da Rádio Araranguá

A entrevista com Mariana Sartor integra a série de entrevistas da Rádio Araranguá com candidatos nas Eleições 2026. A emissora estabeleceu critérios objetivos, previamente definidos e aplicados de maneira uniforme aos candidatos que disputam o mesmo cargo.

As entrevistas são realizadas de segunda a sexta-feira, entre 8h e 12h, com 20 minutos de duração, no estúdio da Rádio Araranguá. A participação é previamente agendada e está condicionada à disponibilidade da agenda da emissora.

Os candidatos ao mesmo cargo têm a mesma oportunidade de participação, respeitando o limite de dois candidatos por partido ou federação.

O formato é padronizado, com o mesmo tempo de duração e critérios de condução. As entrevistas são realizadas por dois comunicadores da emissora e transmitidas ao vivo, sem edição.

Eventuais manifestações de ouvintes durante as transmissões ao vivo não são utilizadas como critério para favorecer ou prejudicar candidatos, e a emissora não toma essas manifestações como parte da condução das entrevistas, em observância às regras estabelecidas para a cobertura eleitoral.

O candidato que confirmar e não participar no dia e horário agendados perderá aquela oportunidade, sem garantia de remarcação. Eventuais ausências comunicadas previamente serão avaliadas conforme a disponibilidade da agenda e a necessidade de preservar a igualdade de condições.

Os critérios foram estabelecidos com base na legislação eleitoral e na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observando os princípios da isonomia, imparcialidade, impessoalidade e igualdade de oportunidades.

A Rádio Araranguá dará continuidade à série de entrevistas com os demais candidatos, mantendo os mesmos critérios para os concorrentes ao mesmo cargo.