Eleições 2026 Arlindo Rocha, o Lali, defende retomada da representação do PT no Sul e apresenta propostas para eventual mandato na Assembleia

Arlindo Rocha, o Lali, defende retomada da representação do PT no Sul e apresenta propostas para eventual mandato na Assembleia

28/09/2026 - 10h08

Dando sequência à série de entrevistas com candidatos nas Eleições 2026, a Rádio Araranguá recebeu, na manhã desta segunda-feira, o candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Arlindo Rocha, conhecido como Lali. Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, o ex-prefeito de Maracajá falou sobre a reta final da campanha, a estratégia eleitoral do partido, sua experiência à frente do município e as principais propostas para um eventual mandato na Assembleia Legislativa.

Cálculo eleitoral e estratégia do PT

Na abertura da entrevista, Lali afirmou que a campanha entrou na fase de contato direto com os eleitores, com entrega de materiais e conversas para reforçar o pedido de voto.

Questionado sobre a expectativa de votação, o candidato afirmou que trabalha com uma projeção superior a 35 mil votos e apresentou sua interpretação sobre o desempenho necessário dentro da legenda. “Nós temos uma projeção de votação próximo, um pouco mais, um pouco menos, de 35 mil votos. Nessa eleição, nós estamos projetando algo em torno de 23 mil votos.”

O sistema eleitoral para deputado estadual é proporcional: as cadeiras são distribuídas entre partidos e federações conforme a votação obtida, e depois preenchidas pelos candidatos mais votados dentro das respectivas legendas.

Avaliação sobre a perda de espaço do PT na região

Durante a entrevista, Saulo Machado questionou Lali sobre a redução da representação do PT no Sul de Santa Catarina e sobre a trajetória do partido, que já teve prefeitos, vereadores e deputado estadual na região.

O candidato atribuiu parte da perda de espaço político ao que classificou como um período de forte associação do PT a denúncias de corrupção e a um ambiente de desinformação e polarização política.

“O Partido dos Trabalhadores sofreu um ataque muito grande nos últimos anos, nas últimas eleições, de vincular o Partido dos Trabalhadores à corrupção, a crime, ou seja, inverdades que acabaram levando até a condenação do presidente Lula.”

Ao falar sobre os processos envolvendo o atual presidente, Lali afirmou que houve posteriormente a anulação das condenações e classificou o episódio como um dos fatores que contribuíram para a perda de espaço do partido.

O candidato também criticou o que considera uma mudança do debate público para temas relacionados ao medo e à polarização, defendendo que questões econômicas e sociais deveriam ocupar maior espaço nas discussões eleitorais.

Emendas e representação regional

Outro ponto destacado por Lali foi a importância de eleger um deputado estadual identificado com as demandas dos municípios do Sul.

Segundo ele, lideranças municipais passaram a apoiar parlamentares de outras regiões em razão da destinação de recursos, o que, na avaliação do candidato, teria contribuído para fragmentar a representação política regional. “Só de emendas parlamentares são 20 milhões. Toda a estrutura de um gabinete de um deputado estadual fica a trabalho da região.”

Lali afirmou que um parlamentar regional deveria atuar não apenas na destinação de recursos, mas também na fiscalização e articulação de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e segurança. “Você não consegue eleger vereadores, prefeitos e vice-prefeitos se você não tiver um mandato de deputado estadual comprometido com a região e cada município.”

Compromisso com municípios independentemente do partido

Questionado sobre como seria sua postura na destinação de emendas caso fosse eleito, considerando que, segundo ele, não há atualmente prefeitura comandada pelo PT na região da AMESC, Lali afirmou que os recursos seriam destinados de acordo com prioridades municipais, e não pela filiação partidária dos prefeitos.

“Elas vão observar as prioridades. Então, em primeiro lugar, eu quero me sentar junto com os prefeitos nas associações de municípios. Porque ali eles têm as prioridades e podem tratar conjuntamente.”

O candidato citou como exemplos de demandas regionais a federalização da BR-285, a conclusão do campus da Universidade Federal de Santa Catarina em Araranguá e a transferência de um antigo trecho da BR-101 para o município. “Isso precisa ter um entendimento com o Governo Federal.”

Lali afirmou que sua experiência como prefeito lhe permitiu conhecer a estrutura administrativa e os caminhos para encaminhamento de demandas junto a secretarias, ministérios e autarquias.

Experiência como prefeito de Maracajá

O candidato também utilizou sua experiência à frente da Prefeitura de Maracajá para apresentar exemplos de obras que, segundo ele, demonstram como pretende atuar caso seja eleito deputado estadual.

Entre as realizações citadas estão a pavimentação da rodovia Jacobi Vestri, acessos em comunidades do município e investimentos na área da educação.

Sobre a rodovia, Lali afirmou que a obra chegou a ser estimada em aproximadamente R$ 30 milhões, mas foi executada por cerca de R$ 13 milhões. “Tudo muito planejado, economizando cada centavo e tendo a participação da comunidade.”

Ele também mencionou obras nas localidades de Cruz do Barro Vermelho, Garajuva e Espigão da Toca, além da rodovia Dilto de Medeiros, no Acesso Norte.

Na educação, destacou a conclusão de duas escolas e a utilização de tablets pelos estudantes.

Papel do deputado na fiscalização

Lali apresentou uma visão do mandato parlamentar baseada na fiscalização do Executivo. Para explicar sua concepção, comparou a administração pública à gestão de um condomínio. “A gestão pública é um condomínio. Como prefeito ou como governador, ele é um síndico. Os deputados ou os vereadores são membros do conselho fiscal.”

Segundo o candidato, cabe ao deputado participar da discussão e votação do orçamento estadual e, posteriormente, fiscalizar sua execução. “No ano seguinte, ele vai fiscalizar a execução do orçamento que ele votou.”

Lali afirmou que a fiscalização deve abranger não apenas obras e infraestrutura, mas também a qualidade dos serviços públicos, especialmente nas áreas de educação, saúde e segurança.

Ele destacou ainda sua formação como advogado, a experiência como prefeito e a passagem pela presidência da associação regional de municípios como fatores que, na sua avaliação, contribuíram para conhecer as demandas do Extremo Sul.

BR-285 e desenvolvimento regional

Entre as prioridades citadas para um eventual mandato, Lali destacou a BR-285, defendendo que a conclusão e a federalização da rodovia podem ampliar o escoamento da produção e também estimular o turismo.

“Acho que a BR-285 vai trazer muito para a nossa região. Não só o escoamento da produção do Noroeste gaúcho. Ela vai trazer o turismo, essa indústria, Saulo, que nós ainda nem começamos a explorar.”

O candidato também relacionou o desenvolvimento da infraestrutura à valorização imobiliária e ao potencial turístico do litoral do Extremo Sul catarinense.

Violência contra a mulher

Questionado sobre propostas para o enfrentamento da violência contra a mulher, Lali defendeu uma abordagem que combine prevenção, educação e punição.

O candidato afirmou que não considera suficiente uma política baseada apenas no encarceramento e defendeu investimentos em educação, formação profissional e oportunidades para os jovens.

“Eu quero um Estado preventivo. Um Estado que tem opção e que dê opção para o jovem ir para uma escola pública de qualidade, para uma universidade, para um instituto profissional, que ele possa ter uma profissão.”

Sobre a violência contra as mulheres, Lali relacionou o problema a fatores históricos e culturais e defendeu que a discussão sobre igualdade seja ampliada para escolas, famílias, igrejas e ambientes de trabalho. “Nós temos que colaborar para isso. Em todos os sentidos. É na casa, é na escola, é nas igrejas, é no trabalho, é em tudo.”

Ao mesmo tempo, afirmou que medidas de punição continuam necessárias para autores de violência. “Enquanto isso não acontece, nós temos que ter punição para os homens que se acham donos das mulheres.”

Trabalho de presos

Outro tema abordado foi a possibilidade de pessoas condenadas trabalharem durante o cumprimento da pena.

Lali defendeu a ampliação das iniciativas de trabalho prisional e citou Santa Catarina como referência nesse tipo de política. “Acho que isso deve ser feito, deve ser potencializado e o fruto desse trabalho, do rendimento, deve ser guardado: uma parte para o preso e a outra para a sua família.”

Ligação com o Governo Federal

Na reta final da entrevista, Lali apresentou como uma das propostas centrais a construção de uma ligação política entre um eventual mandato estadual e o Governo Federal.

O candidato afirmou que sua candidatura foi estruturada pelo PT como uma alternativa de representação regional e disse que pretende atuar em pautas que dependem de articulação com Brasília.

Entre os projetos citados estão a BR-285, o campus da UFSC em Araranguá e questões administrativas envolvendo trechos de rodovias federais. “Com o mandato do Partido dos Trabalhadores aqui ligado diretamente ao Governo Federal, nós vamos ter resultados.”

Lali também defendeu que o debate regional seja concentrado em temas econômicos e de desenvolvimento, deixando em segundo plano disputas ideológicas. “Vamos olhar para frente a questão econômica, onde vai trazer mais investimentos, onde nós vamos crescer.”

Candidatura única do PT na região

Segundo Lali, o PT decidiu concentrar esforços em sua candidatura na região da AMESC, enquanto mantém outras candidaturas em diferentes áreas do Estado.

Ele afirmou que a estratégia busca aumentar a viabilidade eleitoral para que o partido volte a conquistar uma cadeira de deputado estadual com origem política no Sul catarinense.

“A previsão nossa é de fazermos mais de 35 mil votos, viabilizando esse mandato para, de uma vez por todas, estabelecer uma ligação entre o mandato no Sul do Estado e o Governo Federal.”

O candidato afirmou ainda que pretende atuar não apenas na esfera parlamentar, mas também na organização partidária nos municípios.

Pedido de voto

Nas considerações finais, Arlindo Rocha agradeceu ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio à candidatura e pediu votos aos eleitores.

Ele direcionou o pedido especialmente aos eleitores que apoiam o atual presidente e apresentou seu número de campanha. “O eleitor do presidente Lula precisa saber: deputado estadual no Vale do Araranguá, na região da AMESC, tem nome, é Arlindo Rocha”.

Lali encerrou afirmando que pretende utilizar a experiência acumulada como prefeito de Maracajá para exercer um eventual mandato na Assembleia Legislativa. “Farei muito melhor do que eu fiz quando fui prefeito de Maracajá.”

Como funcionam as entrevistas da Rádio Araranguá

A entrevista com Arlindo Rocha integra a série de entrevistas da Rádio Araranguá com candidatos nas Eleições 2026. A emissora estabeleceu critérios objetivos, previamente definidos e aplicados de maneira uniforme aos candidatos que disputam o mesmo cargo.

As entrevistas são realizadas de segunda a sexta-feira, entre 8h e 12h, com 20 minutos de duração, no estúdio da Rádio Araranguá. A participação é previamente agendada e está condicionada à disponibilidade da agenda da emissora.

Os candidatos ao mesmo cargo têm a mesma oportunidade de participação, respeitando o limite de dois candidatos por partido ou federação.

O formato é padronizado, com o mesmo tempo de duração e critérios de condução. As entrevistas são realizadas por dois comunicadores da emissora e transmitidas ao vivo, sem edição.

Eventuais manifestações de ouvintes durante as transmissões ao vivo não são utilizadas como critério para favorecer ou prejudicar candidatos, e a emissora não toma essas manifestações como parte da condução das entrevistas, em observância às regras estabelecidas para a cobertura eleitoral.

O candidato que confirmar e não participar no dia e horário agendados perderá aquela oportunidade, sem garantia de remarcação. Eventuais ausências comunicadas previamente serão avaliadas conforme a disponibilidade da agenda e a necessidade de preservar a igualdade de condições.

Os critérios foram estabelecidos com base na legislação eleitoral e na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observando os princípios da isonomia, imparcialidade, impessoalidade e igualdade de oportunidades.

A Rádio Araranguá dará continuidade à série de entrevistas com os demais candidatos, mantendo os mesmos critérios para os concorrentes ao mesmo cargo.