Economia Aciva celebra 55 anos de história com atuação no desenvolvimento de Araranguá e região

Aciva celebra 55 anos de história com atuação no desenvolvimento de Araranguá e região

14/10/2026 - 10h21

Em entrevista à Rádio Araranguá, o presidente Jadiel Boza Della Vecchia e os ex-presidentes Beto Rizzotto e Karoly Agardi relembraram conquistas da entidade, destacaram pautas de infraestrutura e educação e apresentaram as novidades do FAN 2026.

A Associação Empresarial de Araranguá e do Extremo Sul Catarinense (ACIVA) completa 55 anos de história com uma trajetória marcada pela representação do setor empresarial e pela participação em pautas importantes para o desenvolvimento de Araranguá e da região.

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o atual presidente, Jadiel Boza Della Vecchia, e os ex-presidentes Beto Rizzotto e Karoly Agardi recordaram mobilizações históricas e apresentaram as prioridades que seguem na agenda da entidade.

Ao longo da conversa, os entrevistados destacaram a evolução da ACIVA, que ampliou sua atuação para além dos interesses empresariais, passando a participar de discussões relacionadas à infraestrutura, educação, saúde, energia e desenvolvimento regional.

Uma entidade que acompanhou a transformação de Araranguá

Durante a entrevista, os ex-presidentes lembraram que a entidade, fundada em 1971, passou por mudanças ao longo das décadas, ampliando sua representatividade e participação nas discussões sobre o futuro do município.

“Inicialmente era só industrial, depois virou industrial e comercial e, por fim, entrou toda, virou empresarial. Daí abraçou a representatividade de todas as empresas da nossa região”, recordaram durante a conversa.

Entre as mobilizações históricas citadas esteve a articulação para a implantação do Corpo de Bombeiros em Araranguá, na década de 1990. Segundo os entrevistados, na época, a mobilização reuniu diferentes entidades para defender a instalação do serviço no município.

“Todas as entidades, na época, se uniram e foram atrás da instalação desse Corpo de Bombeiros, que realmente nós não tínhamos. O mais próximo que tínhamos era em Criciúma. Até Criciúma chegar aqui, só pegava cinza depois quando chegava”, lembraram.

Os ex-presidentes também destacaram a participação da ACIVA nas discussões sobre a duplicação da BR-101, especialmente na definição do traçado da rodovia. “Tudo que teve relação não só com o desenvolvimento industrial, comercial e empresarial da cidade, mas com as causas, tu é testemunha disso, de que a ACIVA faz parte de todas as bandeiras que teve nos últimos 55 anos de Araranguá”, afirmaram.

Na avaliação dos entrevistados, a escolha do traçado da rodovia foi importante para evitar que o fluxo principal de veículos passasse pelo centro da cidade, como ocorreu em outros municípios.

Eles também apontaram problemas nos acessos a Araranguá após a duplicação da BR-101, defendendo que a infraestrutura viária continue sendo debatida e aperfeiçoada.

Um dos entrevistados destacou que a antiga pista da rodovia pode ganhar uma nova função com o desenvolvimento de atividades comerciais e industriais. “Eu estou ali praticamente há dez anos e a gente percebe que, na verdade, hoje está se reinventando aquele antigo traçado, está se criando uma nova estrutura de novos comércios, indústrias. Eu acredito que a cidade vai tomar o espaço daquele antigo traçado”, afirmou.

O entrevistado também mencionou a possibilidade de municipalização do trecho, medida que, na avaliação dele, poderia abrir caminho para novos projetos urbanos.

Mobilização da ACIVA contribuiu para a chegada da UFSC

Outro momento lembrado pelos participantes foi a mobilização para ampliar a presença da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Araranguá, incluindo a conquista do curso de Medicina.

Os ex-presidentes relataram que a comunidade empresarial e outras entidades locais participaram das articulações para defender cursos considerados estratégicos para o desenvolvimento regional.

“Sonhar alto ou sonhar baixo dá o mesmo trabalho. E, graças à persistência e ao trabalho da ACIVA, ajudou a vir o curso de Medicina para Araranguá. E não ajudou só Araranguá, ajudou toda a região”, destacou um dos participantes.

Durante a entrevista, foi recordada a mobilização que reuniu cerca de seis mil assinaturas em defesa da ampliação da oferta de cursos na universidade. “Nós conseguimos, na época, seis mil assinaturas, entregamos para ele. Essas seis mil assinaturas eram 10% da população”, afirmou um dos ex-presidentes.

Segundo os relatos, o movimento contou com a participação de diferentes entidades, associações de bairros e representantes da comunidade.

Os entrevistados avaliaram que a instalação de cursos universitários contribuiu para atrair estudantes, formar profissionais e ampliar o desenvolvimento regional. “Vem muita gente que vem estudar, acaba se formando, acaba gostando da qualidade de vida do lugar, da posição estratégica da cidade e ficando aqui”, ressaltaram.

Para os participantes, o resultado dessas mobilizações demonstra que o trabalho de entidades empresariais nem sempre produz efeitos imediatos, mas pode contribuir para mudanças estruturais ao longo dos anos.

“Eu vejo que é um trabalho formiguinha que acontece, mas que às vezes o resultado vai levar algum tempo, vai se estruturando”, destacou um dos entrevistados.

Federalização da SC-285 e nova subestação estão entre as prioridades

O atual presidente da ACIVA, Jadiel Boza Della Vecchia, afirmou que a entidade mantém uma agenda de reivindicações voltada à infraestrutura e à competitividade regional.

Uma das pautas destacadas é a federalização do trecho da SC-285 entre Timbé do Sul e Araranguá, além da discussão sobre os futuros contornos de Turvo e Ermo. “Eu costumo começar pela pauta da 285, que lá no passado a ACIVA se posicionou pela pavimentação, e a pavimentação hoje é uma realidade, está sendo entregue agora. E agora a pauta mudou: estamos lutando pela federalização do trecho que falta, que é de Timbé do Sul a Araranguá, e pelo futuro contorno da cidade de Turvo e Ermo”, explicou.

Outra demanda considerada estratégica é a construção de uma nova subestação de energia elétrica em Araranguá. Segundo Jadiel, a estrutura atual gera limitações para o crescimento da cidade e para a expansão de empresas que precisam de maior disponibilidade de energia.

“Araranguá sofre com uma subestação só. Tem regiões da cidade que têm falta de demanda de energia, tem empresas que querem aumentar a produção e não conseguem por falta de energia. A gente fica submetido a uma subestação só”, afirmou.

O presidente também recordou um episódio de interrupção no fornecimento de energia que atingiu o município e defendeu a nova estrutura como forma de ampliar a segurança do sistema. “Se tem uma outra subestação, a gente consegue fazer um bypass e dividir a carga, mudar, enfim”, explicou.

De acordo com Jadiel, a expectativa apresentada durante a entrevista era concluir o processo licitatório até o final de 2026, com início das obras no começo de 2027. A estrutura deverá atender áreas como a região de Morro dos Conventos e o eixo em direção a Balneário Arroio do Silva, além de permitir a interligação com a subestação existente.

ACIVA também acompanha pauta do Morro dos Cavalos

A entidade também participa de mobilizações regionais pela busca de uma solução para os problemas de trânsito no trecho do Morro dos Cavalos, na BR-101, em Palhoça.

Jadiel explicou que a ACIVA, em conjunto com outras associações empresariais e a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), defende uma solução que garanta maior previsibilidade nos deslocamentos.

“Durante esse ano, a gente fez uma campanha pela solução do Morro dos Cavalos, em que a gente não se posicionava pelo tipo de solução ou projeto, mas que solucionasse para termos uma garantia de trânsito, de tempo para a chegada em Florianópolis, por questão de saúde, transporte e negócios”, declarou.

O presidente relatou que os congestionamentos provocados por acidentes e pelas condições de tráfego tornam os deslocamentos imprevisíveis. “Eu, neste ano, acho que umas duas ou três vezes passei ali, tinha acidente e estava fila quilométrica. Então, a gente nunca sabe se vai levar duas, três horas ou cinco horas para chegar a Florianópolis”, afirmou.

Entidade acompanha retomada das obras da UFSC

Outra pauta destacada por Jadiel é a retomada da construção do prédio da área da saúde da UFSC em Araranguá. Segundo ele, a obra foi planejada em três etapas, mas sofreu interrupções após problemas com a empresa responsável pela execução de uma das fases e questões relacionadas aos recursos.

O presidente explicou que a ACIVA passou a colaborar na articulação para viabilizar os estudos necessários à continuidade do projeto. “O próximo passo seria fazer um laudo estrutural para verificar e conseguir liberar a verba para continuar”, afirmou.

Conforme Jadiel, o município de Araranguá, em parceria com a UFSC, viabilizou recursos para a contratação de um estudo técnico com tecnologia de scanner 3D, destinado a avaliar as condições da estrutura que ficou exposta durante o período de paralisação.

“É um laudo com scanner 3D, em que a gente consegue verificar a ferragem interna. Como a obra ficou parada um tempo, tem microfissuras, e o corpo de engenharia da UFSC tem medo que tenha comprometido a parte da ferragem”, explicou.

Segundo o presidente, a avaliação permitirá verificar as condições da estrutura e orientar as próximas etapas da construção. “Fazendo esse laudo, liberando isso, já vai para a cobertura e, posteriormente, já tem uma parte do recurso pronta para vir e dar continuidade”, afirmou.

FAN 2026 terá feira, palestras e rodada de negócios

Além das pautas estruturais, a ACIVA prepara a realização do FAN 2026, evento voltado ao empreendedorismo, à inovação e à geração de negócios. Neste ano, a programação está marcada para os dias 11 e 12 de novembro, no Centro Multiuso de Araranguá, com entrada gratuita.

Jadiel destacou que o evento reunirá empresas da região em uma programação que combina feira de negócios, palestras e oportunidades de networking. “Esse ano, diferentemente dos outros, em função das eleições, a gente vai fazer em novembro, depois do resultado do segundo turno, nos dias 11 e 12, ali no Centro Multiuso, aqui em Araranguá. Um evento totalmente gratuito, o maior evento de empreendedorismo do Sul, todo gratuito”, declarou.

A expectativa é reunir entre 28 e 30 estandes de empresas associadas, que poderão apresentar produtos e serviços ao público.

A programação também prevê palestras e conversas com profissionais e lideranças empresariais. Na primeira noite, está previsto um bate-papo com Cris Werner sobre o agronegócio e os desafios da sucessão no setor. Laine Valgas também participará com uma abordagem sobre inteligência emocional e características comuns às empresas que crescem.

Na segunda noite, a programação contará com Dayane, da Baly, e Hugo Olivo, CEO da La Moda, além de um bate-papo com representantes das empresas Resicolor e Farben. Ao final das noites, haverá momentos de networking.

Outro destaque será a sessão de negócios prevista para a tarde do segundo dia, com a participação estimada de 120 empresas. “Em torno de 120 empresas sentam em mesas redondas e conseguem ter um tempo para fazer o pitch e vender seu produto ou serviço para as 120 empresas que estão ali”, explicou Jadiel.

O presidente reforçou o convite para que empresários e interessados participem do evento. “Quero agradecer a todos que fizeram parte desses 55 anos de história. Os ex-presidentes, que fizeram um trabalho voluntário, e graças ao trabalho deles a gente consegue hoje estar comemorando os 55 anos. Agradecer a todos os colaboradores, todos os associados, a imprensa, que é uma parceira também e nos acompanha”, afirmou.

As inscrições para o FAN 2026 podem ser realizadas gratuitamente pela plataforma Sympla, pelas redes sociais ou pelo site oficial da ACIVA. O evento ocorre nos dias 11 e 12 de novembro, às 19h, no Centro Multiuso de Araranguá, com programação de feira, palestras e atividades voltadas à geração de negócios.