Política “A nossa sorte é que Deus está pregado na cruz, porque se ele descer com um relho ele sova nós todos”, afirma vereador Giraldi

“A nossa sorte é que Deus está pregado na cruz, porque se ele descer com um relho ele sova nós todos”, afirma vereador Giraldi

08/04/2025 - 10h26

Nesta segunda-feira, 07, o convidado especial foi o delegado e vereadores por Araranguá Jorge Giraldi.

Natural de Pedras Grandes, ele nasceu no dia 29 de janeiro de 1959 e é filho do seu Gentil Giraldi e dona Angelina Parize Giraldi. Durante a entrevista Jorge explicou suas origens e a paixão que tem pela comunidade de Azambuja.     

“Como meu filho conseguiu a dupla cidadania é Jorge ‘Guiraldo’ agora, mas Girardi se eternizou. Meu tataravô Santo Guiraldo veio da Itália e trouxe com ele o filho Tranquilo Guiraldo e se estabeleceram na comunidade de Azambuja, ali próximo a Pedras Grandes. Na verdade Azambuja é o berço da colonização Italiana, lá pelos anos de 1870. Este meu tataravô foi fazer uma visita a um filho na região de Sertão dos Correias, próximo a Tubarão. Saiu a pé como era de costume e não apareceu mais. Aí foram procurá-lo. Acabaram encontrando ele morto próximo a um rio. Ele fez com o capote (casaco) um travesseiro, colocou a bíblia sobre o corpo e faleceu. Os filhos encontraram e acabaram sepultando em Azambuja. Onde ele foi encontrado os filhos esculpiram uma cruz, no tamanho uns 30 centímetros, com as inicias SG, que é Santo Guiraldo. Então está até hoje lá, se eternizou no tempo. O filho dele que é o meu bisavô, o Tranquilo, também teve uma morte trágica. Ele ajudou na construção da Serra do Rio do Rastro, até para ganhar um dinheiro extra já que começaram a vida do zero. Colocaram uma banana de dinamite para explodir, não explodiu e o encarregado pediu para que ele fosse olhar o que tinha acontecido e quando chegou perto explodiu. Como não tinha meio de transporte colocaram ele em uma maca e vieram caminhando, lá de Guatá até Azambuja, levaram quatro dias. Como o corpo já estava em decomposição resolveram sepultar ele em Azambuja mesmo. Eu também tenho meu avô que é o Arthur e meu pai que é o Gentil e eu sou o quinto desta geração”.

Giraldi relembra o trabalho no campo para ajudar o pai e sua participação como coroinha. “A gente se criou em Pedras Grandes, o pai migrou para lá. Trabalhávamos na roça e eu sei tudo de agricultura. Até meus 15 anos de idade eu trabalhei na roça e ali eu comecei minha vida. Lá existia um colégio de freiras, que era Imaculado Coração de Maria; eram rigorosas (freiras). Disciplina total e a gente cumpria. Nós integramos um grupo de alunos que faziam parte dos coroinhas, para ajudar na celebração das missas. Então minha infância até os 15 anos foi em Pedras Grandes, por isso que eu volto lá sempre”.

Para buscar uma vida melhor, Giraldi mergulhou nos estudos.

“Filho de pobre, não tem dinheiro, tive que estudar. Neste colégio de freiras eu fiz o primeiro e o ginásio; ali foi a base de tudo. Depois fui me virando. O pai se mudou para Tubarão. Quando meus irmãos começaram a casar e deixar a casa, meu pai já não tinha mais condições de trabalhar na roça, então vendeu tudo e foi morar em Tubarão. Ali eu comecei a fazer o segundo grau, ingressei na estrada de ferro; na rede Ferroviária Federal, como agente de segurança. Foi o meu primeiro emprego. Depois eu fui, quando completei 18 anos, servir no batalhão da polícia do exército em Brasília, fiquei lá durante um ano. Na transição do regime militar para democracia eu estava por lá. Dois, três anos depois fiz concurso para a polícia como comissário de polícia e na época trabalhei em Tubarão, depois me transferi para Criciúma, aí quando fiz vestibular para Direito o objetivo era ser delegado de polícia. Quando saiu concurso para delegado já fui agraciado no primeiro certame. Minha primeira lotação foi Balneário Camboriú, depois Barra Velha e na sequência vim para o Sul, que sempre foi meu objetivo. Não troco Araranguá por nenhuma outra cidade do Estado”.

A vida humilde da família sempre foi cercada por muita fé. “A casa onde eu nasci não tinha luz elétrica. Era aquela lamparina com querosene que o nariz ficava preto de manhã cedo. A gente rezava o terço, jantava, dormíamos cedo, acordávamos cedo para ter que trabalhar e estudar. Minha infância foi boa e sinto saudades”.

Giraldi também diz que um membro da segurança pública precisa fazer parte do dia a dia dos cidadãos.  

“O policial, de uma forma geral, tem que estar integrado a sociedade. Ele não pode simplesmente ir para uma delegacia ou repartição, terminar o expediente fechar a porta e ir embora. Ele tem que conversar com as pessoas. Essas pessoas que sabem dos problemas e têm as informações. Mas o cidadão comum tem que confiar no policial. Se não há essa integração do delegado de polícia com a sociedade ele não consegue trabalhar. Quando eu vim para Araranguá eu era um ilustre desconhecido e fui conhecendo pessoas assim”.

Adaptação na política

“Se eu falar com certeza que eu estou adaptado, ainda não, eu estou me adaptando. Foram dois, três meses de Câmara de Vereadores e não me adaptei ainda. Eu acho que enquanto os políticos não mudarem o comportamento e não separarem o que é público do que é privado, a coisa não anda. Eu sempre prezo pela moralização e pelo bem-estar. Eu não entrei na política para fazer carreira, eu entrei para ajudar o povo e tem como ajudar. Eu já falei na Câmara de Vereadores várias vezes. Se fala tanto em nome de Deus. Banalizaram tanto o nome de Deus. As falcatruas se cometem em nome de Deus. A nossa sorte é que Deus está pregado na cruz porque se ele descer daquela cruz com um relho ele sova nós todos. Banalizaram mesmo o nome de Deus. Então eu estou em fase de adaptação. Já mostrei para o que eu vim. Eu sempre vou prezar pela honestidade, pela impessoalidade, pela eficiência e pela legalidade em todos os atos públicos”.       

Confira a entrevista completa: