Política Assembleia Itinerante encerra ciclo em Araranguá e Upiara Boschi destaca força do projeto

Assembleia Itinerante encerra ciclo em Araranguá e Upiara Boschi destaca força do projeto

28/05/2026 - 08h04

A passagem da Assembleia Legislativa de Santa Catarina por Araranguá marcou o encerramento de um ciclo de dez edições do projeto Assembleia Itinerante, iniciativa que levou o parlamento catarinense para diferentes regiões do estado desde 2025. Para o comentarista político Upiara Boschi, o balanço da experiência é positivo tanto do ponto de vista político quanto legislativo.

“Foi a última das dez visitas regionais que foram feitas pela Assembleia Legislativa desde 2025. O projeto começou com o Mauro de Nadal, do MDB, na presidência. Na época, Criciúma, Joinville, Blumenau, Lages e Chapecó, os principais centros regionais, foram escolhidos para comemorar os 190 anos da Assembleia Legislativa. No mandato de Julio Garcia, o projeto contemplou outras cidades nas mesmas regiões, fechando o ciclo agora em Araranguá. Um sucesso de público, um sucesso também de produção legislativa. Parece que as sessões rendem mais fora do parlamento. Claro que não é algo que possa se fazer o tempo todo, mas muito produtiva, tanto no ponto de vista de reuniões de comissões, quanto em aprovação de projetos”, afirmou Upiara.

Segundo o comentarista, um dos pontos mais relevantes da Assembleia Itinerante foi justamente a aproximação do Legislativo com as demandas das regiões catarinenses. Ele destacou a participação das entidades locais e o diálogo promovido entre parlamentares e lideranças regionais.

“A escuta das entidades locais sobre os dramas da população é algo que chamou muita atenção. Inclusive, todas as bancadas regionais tiveram reuniões paralelas para debater questões importantes para as regiões. Foi um momento bastante interessante na Assembleia Legislativa”, analisou.

Upiara também observou que o futuro do projeto ainda é incerto, principalmente diante da mudança de comando no Legislativo catarinense nos próximos anos.

“Fica a dúvida se a próxima legislatura, o próximo presidente, vai manter esse projeto para levar o parlamento a mais cidades de Santa Catarina. Uma coisa é certa, na próxima legislatura não teremos Julio Garcia, presidente da Assembleia Legislativa. Um ícone do Legislativo catarinense que agora vai tentar, pela primeira vez, uma vaga na Câmara dos Deputados”, completou.

Aliança entre Caiado e Zema pode provocar impactos em Santa Catarina

No cenário nacional, Romeu Zema e Ronaldo Caiado passaram a movimentar os bastidores políticos após a possibilidade de formação de uma chapa presidencial entre Novo e PSD ganhar força nos últimos dias. A eventual aliança também repercute diretamente em Santa Catarina, onde os partidos possuem posicionamentos distintos.

“As placas tectônicas da política nacional continuam se mexendo e podem afetar Santa Catarina. A Folha de São Paulo noticiou, nesta quarta-feira (27), que Romeu Zema, do Novo, e Ronaldo Caiado, do PSD, ambos pré-candidatos a presidente, podem formar uma chapa só. Zema na presidência e Caiado de vice, essa aliança PSD e Novo em nível nacional”, comentou Upiara.

O analista lembra que, em Santa Catarina, o Novo mantém proximidade com o PL do governador Jorginho Mello, enquanto o PSD é considerado o principal adversário político do atual governo estadual.

“Até o momento nenhum dos dois negou (Zema e Caiado). Ambos disseram que essa conversa é possível e estão participando paralelamente de muitos eventos, inclusive em Florianópolis. Mas em Santa Catarina, como é que isso ficaria? Porque aqui o PL e o Novo estão juntos. O PL do governador Jorginho Mello e o Novo de Adriano Silva, com o vice, bastante desconfortável com as críticas que Zema tem feito a Flávio Bolsonaro. Como é que vai ficar isso?”, questionou.

Upiara ainda destacou que uma eventual união entre Zema e Caiado também poderia gerar reflexos para o projeto político do ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, apontado como possível nome do PSD para a disputa estadual.

“Nem tudo são flores para campanha. Não seria simplesmente para a pré-campanha de João Rodrigues. Caiado tem sido um aliado fácil de carregar para o eleitor bolsonarista. É alguém que é oposição para Bolsonaro, mas que não critica Bolsonaro e nem os bolsonaristas. Ao contrário de Zema, que tem ido para a contundência. Não seria tão fácil João Rodrigues carregar Zema em Santa Catarina. Como é que vai ficar? Até agosto vai ter muita coisa para a gente entender”, concluiu o comentarista.