Política Projetos sobre violência contra a mulher e sustentabilidade ganham destaque na Comissão de Educação

Projetos sobre violência contra a mulher e sustentabilidade ganham destaque na Comissão de Educação

27/05/2026 - 15h57

Projetos em destaque

Dois projetos desenvolvidos por escolas estaduais do Sul catarinense, voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher e à sustentabilidade ambiental, marcaram os debates da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa na manhã desta quarta-feira (27), durante a 10ª edição do programa Alesc Itinerante, em Araranguá.

Confira o vídeo completo da reunião

A presidente da comissão, a deputada Luciane Carminatti (PT), destacou que as experiências apresentadas refletem o trabalho de excelência realizado pelos professores da rede pública estadual.

“São experiências que demonstram o compromisso da escola pública com a transformação social, com o desenvolvimento de uma nova consciência e com uma educação que faz sentido para a vida das pessoas”

Enfrentamento à violência

A primeira experiência apresentada foi o projeto de enfrentamento à violência contra as mulheres, desenvolvido na Escola de Educação Básica Araranguá, sob coordenação da professora Geruza Prestes da Silva Longaray e apresentado pela professora Karen Scheffer, que atua há 24 anos em sala de aula.

Veja também: Relatório sobre violência contra a mulher é lançado com participação da Alesc e do OVM-SC

O projeto começou a ganhar forma em 2023, mas nasceu de uma experiência pessoal vivida pela professora Geruza no ano anterior, quando foi vítima de violência doméstica. A dor vivida por Geruza acabou se transformando em instrumento de acolhimento e conscientização dentro da escola. 

“Depois de alguns meses, ela sentiu que precisava transformar aquela dor em alguma coisa. Ela queria conversar com outras mulheres e encorajá-las. E quando ela relatou sua  experiência na escola, descobriu que não estava sozinha”, disse Karen. 

A primeira palestra ocorreu em 8 de março de 2023, data que marca o  Dia Internacional da Mulher, com estudantes da unidade escolar.

Após o encontro, diversos alunos procuraram as professoras para relatar situações de violência vividas dentro de casa.

“Meninas e meninos vieram conversar conosco sobre a violência que sofriam. Foi quando percebemos a necessidade de ampliar esse debate”, destacou Karen Scheffer.

Protagonismo feminino

A partir daí, o projeto ganhou dimensão coletiva. A escola passou a promover trilhas de aprofundamento, palestras e ações educativas com apoio de profissionais da saúde, representantes da OAB e da Rede Catarina.

Também foram realizadas saídas de campo, como a visita a Laguna para estudar a trajetória de Anita Garibaldi e discutir o protagonismo feminino na história.

Em 2024, o trabalho recebeu premiação em um concurso de curtas-metragens e, em 2025, promoveu uma passeata de conscientização envolvendo a comunidade escolar.

Um levantamento realizado com 540 estudantes apontou que 66 deles relataram já ter sofrido algum tipo de violência.

Durante o debate, a deputada Luciane Carminatti criticou a legislação estadual que restringe discussões sobre gênero nas escolas sem autorização dos pais e reforçou a importância do ambiente escolar como espaço de diálogo e reflexão.

“A escola precisa ser um espaço de reflexão, diálogo e proteção da vida. Infelizmente, muitos meninos e meninas sofrem violência e precisam encontrar acolhimento dentro da escola”, afirmou.

Karen Scheffer também defendeu o papel da educação no combate à violência. “Preservar a vida começa na escola. Não é só a mulher que sofre violência. Precisamos ensinar respeito e cuidado desde cedo.”

Sustentabilidade ambiental

 A segunda experiência apresentada foi o projeto “Cooperar para o Amanhã”, desenvolvido pela Escola de Educação Básica Abel Esteves de Aguiar,  no município de Praia Grande.

O trabalho foi apresentado pelo professor Everton Farias do Nascimento e tem como foco sustentabilidade ambiental e reciclagem de resíduos.

Localizada na área rural e com mais de 70 anos de história, a escola desenvolve ações para enfrentar um problema recorrente da região: a ausência de coleta seletiva e os altos custos com transporte e descarte de resíduos.

“Resíduo não é lixo. É um recurso estagnado”, destacou o professor Everton.

Com o envolvimento de toda comunidade escolar, foi criada uma gincana mensal de arrecadação de materiais recicláveis.

A iniciativa já recolheu quase duas mil toneladas de resíduos e tem como meta ultrapassar seis mil quilos. Os recursos arrecadados com a reciclagem são revertidos para a própria escola.

O projeto também busca consolidar a unidade escolar como referência regional em sustentabilidade, fortalecendo a integração entre escola e comunidade.

“São projetos construídos a muitas mãos, unindo escola e comunidade em torno de um objetivo comum”,  ressaltou o professor.

Ao final da reunião, a deputada Luciane Carminatti agradeceu aos educadores e destacou o impacto social das iniciativas.

“Quando a educação tem significado, ela transforma realidades. Esses projetos mostram exatamente isso”, concluiu.

ALESC EXPLICA

Quais temas foram debatidos na reunião?

Foram apresentados projetos voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher e à sustentabilidade ambiental.

Qual escola desenvolveu o projeto sobre violência contra a mulher?

A Escola de Educação Básica Araranguá.

Qual projeto foi apresentado pela escola de Praia Grande?

O projeto “Cooperar para o Amanhã”, voltado à reciclagem e sustentabilidade.

Qual foi um dos resultados apresentados pelo projeto sobre violência?

Um levantamento apontou que 66 estudantes relataram já ter sofrido algum tipo de violência.