Segurança Ataques às escolas: passado o susto, o que faremos?

Ataques às escolas: passado o susto, o que faremos?

09/05/2023 - 14h25

A sociedade ainda se encontra perplexa com o ataque covarde ocorrido à Escola Cantinho Bom Pastor, na cidade de Blumenau, em Santa Catarina, que vitimou quatro crianças. Esta barbárie colocou o país em comoção a lamentar pelo fim dos sonhos e planos das crianças indefesas.

Ocorre que esta tragédia expôs ao mundo, mais uma vez, os profundos problemas de saúde mental que nossa sociedade apresenta, especialmente depois de uma pandemia cuja principal estratégia de combate a sua disseminação foi o afastamento social.

Escolas de todo o país passaram a analisar seus contextos, descobrindo-se completamente vulneráveis a ataques da mesma natureza. É sabido por todos que onde falta merenda escolar, insumos para o ato de lecionar, elementos absolutamente básicos destinados ao cumprimento da missão escolar institucional, carece também de infraestrutura que garanta o mínimo de segurança para o desempenho do trabalho pedagógico.

Como exigir muros altos e dispositivos de segurança para quem não tem sequer um giz?

Some-se a isto o fato de que a violência psicológica, e às vezes até física, materializada pelo bullying e outras formas de intimidação, encontram na escola um ambiente propício para a sua disseminação. Não fosse o trabalho abnegado de professores, técnicos e gestores escolares, esta realidade estaria ainda mais dramática, porém é inegável que as ações extremas que estamos presenciando tem suas origens, em grande medida, nestas práticas nefastas.

Esta realidade já é por nós, professores, bastante conhecida. Agora a sociedade se vê, pela primeira vez, diante dela, ou ao menos de suas consequências mais implacáveis. Porém, a reflexão que se propõe é: como reagiremos?

Temos acompanhado os debates dos agentes públicos nesta direção, porém, com pouca efetividade. Medidas simplistas para problemas complexos.

Imaginar que o policiamento ostensivo na frente das escolas, realizado por policiais da reserva, será medida suficiente para frear um problema desta magnitude, beira à ingenuidade. Precisamos, isto sim, rediscutir a escola como a conhecemos, especialmente seu papel, seus limites e mecanismos de responsabilizar adequadamente àqueles que atentarem contra a autoridade pedagógica da escola e seus agentes.

Em um país onde o professor é humilhado sistematicamente por seus alunos, em atitudes de pleno desrespeito, sem que nada se possa fazer de efetivo, e em muitos casos, com a conivência dos pais, oriundos de famílias desestruturadas, carentes de tudo, o que se pode esperar de novo?

Enquanto um mar de ações necessita ser implementado, perdemos nosso tempo querendo transferir novamente ao professor a responsabilidade pela segurança de seus alunos, imaginando que um treinamento será suficiente para fazer com que ele tenha a melhor reação em um momento de crise.

É preciso repensar tudo!

Uma escola que tolera o pouco, permite muito!

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