Segurança Cheia causa R$ 4,7 milhões em prejuízos em Meleiro; Defesa Civil aponta danos em estradas e lavouras

Cheia causa R$ 4,7 milhões em prejuízos em Meleiro; Defesa Civil aponta danos em estradas e lavouras

30/09/2026 - 09h49

Relatório elaborado pelo município aponta R$ 585 mil em prejuízos nas estradas rurais e R$ 4,18 milhões em perdas na agricultura; Defesa Civil também discute alternativas para reduzir os impactos das próximas cheias

Os trabalhos de recuperação continuam em Meleiro após as fortes chuvas e a cheia que atingiu o município e provocou alagamentos, interrupção de acessos e prejuízos em áreas rurais. O levantamento realizado pela Defesa Civil, em conjunto com diferentes secretarias municipais e órgãos de apoio, aponta R$ 4,767 milhões em prejuízos.

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o coordenador municipal da Defesa Civil de Meleiro, João Francisco Nazário, o Chico, explicou que o relatório reúne informações das secretarias de Obras, Agricultura, Assistência Social e de outros setores envolvidos no atendimento às áreas atingidas.

Agricultura concentra a maior parte dos prejuízos

Segundo João Francisco, do total levantado, R$ 585 mil correspondem a prejuízos nas estradas rurais. Já na agricultura, as perdas diretas chegam a R$ 4,182 milhões, envolvendo principalmente plantações de arroz, fumo e milho.

“A gente teve, em um resumo direto, 585 mil em prejuízos em estradas. O rio levantou, principalmente a região de Sapiranga, Barra do Cedro ali, e a gente teve perda do seixo rolado nessas pistas em áreas rurais.”

De acordo com o coordenador, a força da água provocou a retirada do material utilizado nas estradas e também atingiu áreas recentemente preparadas para o plantio. “A gente teve 4 milhões e 182 mil reais em perda direta no arroz, fumo e milho. Em total, a gente faz um estimado de 4 milhões e 767 mil reais.”

Na agricultura, o levantamento foi realizado com apoio da Epagri, que participou da avaliação dos prejuízos. “A questão da agricultura é toda feita da Epagri. A gente fez a reunião com eles e eles passam o relatório final para nós, que a gente consegue publicar e homologar no Estado.”

Água levou material das estradas rurais

João Francisco explica que algumas localidades que normalmente não registravam problemas com enchentes também foram atingidas durante o episódio. “Foi nas estradas rurais mesmo. A gente teve regiões que nunca receberam cheias, que a água teve passando por cima e, como você mencionou, ela passa com correnteza, acaba levando o material, o seixo da pista na parte rural.”

Além da recomposição das estradas, o município precisa realizar a limpeza dos valos de irrigação existentes às margens das vias.

Segundo o coordenador, 1.168 pessoas foram afetadas em Meleiro e 290 famílias tiveram o acesso às suas localidades interrompido durante a cheia.

Municípios da região contribuem para a elevação do Rio Araranguá

Um dos fatores apontados por João Francisco para a intensidade da cheia em Meleiro é a quantidade de água que chega ao Rio Araranguá a partir de diferentes municípios e cursos d’água.

Ele explica que Meleiro possui diversas áreas próximas ao Rio Araranguá e recebe águas provenientes de municípios como Timbé do Sul, Turvo, Ermo, Morro Grande, Criciúma, Nova Veneza, Forquilhinha e Maracajá.

“Esse é o grande problema de Meleiro, que acaba erguendo muito o nível ali e deixa regiões dos bairros de Meleiro como Barra do Cedro, Jacaré, Rio Cedro Baixo, toda essa região ficar ilhada em dois, três dias por conta dessas cheias.”

SC-447 continua no centro das discussões

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a situação da SC-447, especialmente nos trechos que registram alagamentos entre Meleiro e Araranguá.

João Francisco afirmou que estão sendo discutidas alternativas para melhorar a estrutura da rodovia e reduzir os impactos das enchentes. Uma das propostas envolve uma parceria entre os municípios e o Estado.

Meleiro possui autorização para realizar o desassoreamento de trechos de rios e, segundo o coordenador, o município poderia fornecer parte do material retirado dos cursos d’água para auxiliar na elevação da estrada.

“Meleiro tem 27 quilômetros de rio, que tem muito seixo rolado. A gente tem que tirar esse material do rio para desassoreamento. Esse material está indo para as estradas do município de Meleiro, mas como tem muito material, a gente se propôs em ajudar a erguer esse grade.”

A ideia apresentada é que Meleiro disponibilize o material, enquanto Araranguá poderia participar com o transporte, e o Estado ficaria responsável pela execução da obra nos pontos considerados mais críticos.

“A parte de Araranguá, talvez com os caminhões deles, iria lá buscar, e o Estado faz a obra, toda a pavimentação, toda a compactação do seixo nesses pontos que sempre têm cheia no município de Araranguá.”

Segundo Chico, a proposta ainda precisa passar por regulamentações, documentação e articulação entre os envolvidos.

Defesa Civil defende medidas para melhorar o escoamento da água

Durante a entrevista, o coordenador também falou sobre medidas estruturais para reduzir os impactos das enchentes. Entre as possibilidades citadas está a elevação de alguns trechos próximos ao rio, além de intervenções relacionadas ao escoamento da água.

Ele ponderou, porém, que uma obra de elevação de margens teria grandes dimensões, já que existem residências, áreas de mata e plantações próximas ao Rio Araranguá. “Uma alternativa que merece ser estudada é a melhoria do escoamento pela abertura da barra do rio, embora a gente reconhece que a questão envolve fatores técnicos e condições do nível do mar. Eu acredito que a solução para toda a região seria a abertura da barra lá.”

Recuperação das estradas já está em andamento

Após a redução do nível das águas, o município iniciou os trabalhos de recuperação. Máquinas passaram a atuar primeiro nas áreas onde a água baixou mais rapidamente e, posteriormente, os serviços avançaram para as comunidades do interior.

“Estamos trabalhando até hoje na recuperação, que o município é grande e tem muita via ainda para recuperar.”

O município também mantém um trabalho permanente de desassoreamento. Segundo João Francisco, são 27 quilômetros do Rio Manoel Alves contemplados pela licença para esse tipo de intervenção.

“A gente já está trabalhando nisso há três anos. O prefeito Nino focou nisso muito bem. Antes a gente trabalhava com pouco maquinário, hoje a gente está com duas escavadeiras, mais de oito caminhões. É um trabalho diário.”

O material retirado dos rios também é utilizado na recuperação e elevação de estradas rurais.

Seis pontes estão em diferentes etapas de execução

Outro trabalho citado durante a entrevista envolve a recuperação e construção de pontes. Segundo João Francisco, seis pontes estão sendo acompanhadas pela Defesa Civil.

Entre elas está a ponte da Boca do Pique, que terá 60 metros de extensão, divididos em três vãos de 20 metros. “A empresa está lá hoje, fez a primeira concretagem dos primeiros blocos.”

O coordenador explicou que obras desse tipo dependem diretamente das condições do rio e de períodos de tempo seco para permitir a execução das etapas de fundação e concretagem.

“Outras três pontes menores, com vãos de aproximadamente 11 e 12 metros, estão prontas para receber os kits pré-moldados fornecidos pelo Estado. A previsão apresentada é de que esses materiais sejam disponibilizados entre o fim deste ano e o início de 2027”, destacou.

Também está em andamento uma obra de ponte na divisa com Turvo, com vão de 20 metros.

Defesa Civil destaca estrutura e apoio durante a enchente

João Francisco também avaliou a estrutura atualmente disponível para a Defesa Civil de Meleiro e destacou o apoio recebido do Estado.

Segundo ele, os equipamentos entregues aos municípios, incluindo veículos com tração, foram importantes durante o atendimento às ocorrências.

O coordenador citou, inclusive, uma ocorrência envolvendo um caminhoneiro que entrou em uma área alagada durante a noite. A equipe municipal precisou orientar os bombeiros sobre os acessos possíveis para chegar ao local.

“A gente tem que estar junto para fazer a busca e resgate, como teve uma situação à noite, de um caminhoneiro que não conhecia a região, entrou numa área alagada e o caminhão virou na estrada.”

Para João Francisco, apesar dos avanços, a Defesa Civil ainda precisa continuar buscando melhorias. “A gente vai abraçando tudo, a cabeça sempre cheia, com muito trabalho, mas a gente consegue dar uma atenção. É muito importante isso, a gente trabalha com carinho e atenção e as coisas a gente consegue resolver com o tempo.”

Os R$ 4,767 milhões apontados no relatório agora passam a integrar a documentação utilizada pelo município para registrar oficialmente os impactos da cheia e buscar os encaminhamentos necessários para a recuperação das áreas atingidas.