Defesa Civil alerta para possibilidade de chuvas acima da média durante fenômeno El Niño em Santa Catarina
Com previsões indicando forte presença do fenômeno El Niño ao longo deste ano, autoridades catarinenses reforçam o alerta para o aumento do volume de chuvas, principalmente entre os meses de junho e agosto. A preocupação é com a possibilidade de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra em diversas regiões do Estado.
Diante deste cenário, a ACAERT realizou nesta quarta-feira, dia 13, uma coletiva de imprensa para discutir os impactos do fenômeno climático em Santa Catarina e as ações preventivas desenvolvidas pelo Estado.
Participaram da entrevista o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, Fabiano de Souza, e o coordenador de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil, Frederico Rudorff.
El Niño aumenta volume de chuva, mas não garante desastres
Durante a coletiva, o coronel Fabiano de Souza explicou que o El Niño costuma provocar aumento no volume de chuva em relação à média histórica, mas ressaltou que isso não significa automaticamente a ocorrência de grandes desastres.
“Em tempos de El Niño a gente tem mais chuva. O volume registrado é maior do que a média histórica em períodos de neutralidade, e isso por si só já demanda uma atenção de toda a população e uma preparação de todos os órgãos e das comunidades”, afirmou.
Segundo ele, o fator mais importante não é apenas o volume total de chuva, mas sim a concentração em curto período de tempo. “Se essa chuva precipitar em pouco tempo, independente se a gente está vivendo El Niño ou La Niña, a gente vai ter problema por conta do volume e da concentração da chuva”, destacou.
Fabiano lembrou ainda que Santa Catarina já enfrentou grandes desastres tanto em períodos de El Niño quanto de La Niña, citando como exemplo as enchentes históricas de 1983 e 1984. “O que a gente pode dizer com muita certeza é que toda a tendência é para caracterização de um El Niño forte. Mas dizer nesse momento que teremos desastre de grande proporção é precipitado”, pontuou.
Possibilidade de El Niño muito forte preocupa especialistas
O coordenador Frederico Rudorff destacou que o fenômeno deve se consolidar principalmente a partir do inverno em Santa Catarina, aumentando a frequência de eventos extremos. “A gente tende a ter durante anos de El Niño uma maior frequência desses eventos. Isso significa maior probabilidade de deslizamentos, enxurradas e inundações”, explicou.
Segundo ele, existe atualmente cerca de 25% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte. “A gente tem outros ingredientes também que combinam com o efeito do El Niño. Os oceanos estão muito aquecidos e isso pode trazer uma combinação de efeitos que no passado não era muito comum”, ressaltou.
Frederico também lembrou que eventos severos podem ocorrer mesmo fora de períodos de El Niño, citando episódios como o ciclone bomba, o desastre de Presidente Getúlio e eventos extremos registrados durante anos de La Niña. “Não quer dizer que só nos anos de El Niño que a gente tem grandes desastres. A gente precisa estar preparado todos os anos”, afirmou.
Estado amplia investimentos em monitoramento e alerta
Durante a coletiva, o secretário Fabiano destacou os avanços realizados pelo Estado nos últimos anos na área de monitoramento meteorológico e emissão de alertas. “Quando iniciamos na secretaria, em 2011, não existia um radar meteorológico próprio. Hoje existem quatro, com previsão de aquisição de um quinto radar e 100% do território coberto”, explicou.
Ele também destacou a evolução dos sistemas de comunicação utilizados pela Defesa Civil. “Hoje, com o cell broadcast, a pessoa recebe o alerta no celular independente de cadastro. O sistema de comunicação vem melhorando muito”, comentou.
O secretário afirmou ainda que existe um trabalho contínuo de conscientização da população para fortalecer a cultura de prevenção. “A gente ainda tem um longo caminho na mudança cultural voltada para a prevenção de desastres, mas vejo uma evolução da população sobre a importância desses alertas”, avaliou.
Bombeiros e Defesa Civil intensificam preparação
As autoridades também destacaram as ações de preparação realizadas em todo o Estado. Segundo Frederico Rudorff, equipamentos e viaturas foram entregues para fortalecer as Defesas Civis municipais, principalmente em cidades menores.
Já o Corpo de Bombeiros Militar vem promovendo treinamentos e simulados em diversas regiões catarinenses. “Todas as equipes vêm treinando constantemente. Temos exercícios conjuntos previstos com Rio Grande do Sul e Paraná focados em inundações, busca e resgate”, explicou.
O coordenador reforçou que a população também precisa fazer sua parte, acompanhando os alertas e conhecendo os procedimentos de segurança. “Se a pessoa reside em área vulnerável, deve procurar a Defesa Civil municipal, verificar os abrigos e saber o que fazer durante um desastre”, destacou.
Autoridades alertam para risco de imprudência
Durante a entrevista, os representantes da Defesa Civil lamentaram que muitas mortes registradas em eventos climáticos extremos aconteçam por imprudência da própria população. “Os óbitos registrados em 2023, na sua maioria, foram tentativas de atravessar áreas alagadas”, afirmou Frederico.
Ele reforçou que a população deve seguir rigorosamente os alertas emitidos pelos órgãos oficiais. “A vida é mais importante do que qualquer patrimônio. Na dúvida, pergunte. É melhor ter certeza do que arriscar perder a vida. A orientação é para que a população acompanhe constantemente os alertas meteorológicos e siga todas as recomendações de segurança emitidas pelos órgãos oficiais”, concluiu.
Os telefones de emergência disponibilizados pelas autoridades são: 193 para o Corpo de Bombeiros e 199 para a Defesa Civil.
Confira a coletiva na íntegra:











