Defesa Civil de Araranguá intensifica monitoramento e busca autorização para desassoreamento da Barra do Rio Araranguá
A Defesa Civil de Araranguá acompanha de forma permanente o comportamento do Rio Araranguá após o elevado volume de chuvas registrado na região e reforça as ações preventivas diante da previsão de novos eventos climáticos intensos. Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o coordenador da Defesa Civil do município, Alexandre Rezende Pereira, destacou que, apesar da chuva expressiva, a situação do rio permanece sob controle e não há motivo para preocupação neste momento.
Segundo Alexandre, o monitoramento constante é realizado por meio de um moderno sistema hidrológico, que permite acompanhar em tempo real o nível dos rios, a quantidade de chuva, a velocidade dos ventos e outros indicadores importantes.
“A gente teve bastante chuva e com volume alto, tanto em Araranguá como na Amesc. O rio permanece numa situação bem tranquila. Agora vai receber um acúmulo maior de água que está descendo das outras regiões, mas não é motivo para preocupação. A Barra está se comportando bem e está nos ajudando”.
Ele explicou que a tecnologia trouxe mais segurança para o trabalho da Defesa Civil. “Hoje a gente consegue visualizar através das câmeras, acompanhar os rios de Santa Catarina e até do Rio Grande do Sul. O aplicativo informa o vento, os milímetros de chuva, a altura do rio e nos permite ter uma previsão para que a gente não seja mais pego de surpresa como antigamente”.
Alexandre ressaltou que os investimentos realizados pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de Araranguá fortaleceram a estrutura da Defesa Civil. “A gente está se preparando e cada dia evoluindo para enfrentar essas questões climáticas que, infelizmente, vão se tornar corriqueiras na nossa vida”.
Desassoreamento da barra é prioridade
Um dos principais assuntos da entrevista foi a necessidade de realizar o desassoreamento da Barra do Rio Araranguá. Conforme o coordenador, a abertura realizada anteriormente mostrou-se eficiente, evitando novos alagamentos, porém o local voltou a acumular sedimentos e exige manutenção.
“A barra foi aberta no local exato. Se não tivesse sido, já teríamos enfrentado uma mini enchente. Com a última chuva houve um desassoreamento parcial, mas ainda existe muito sedimento e galhos de árvores que podem atrapalhar. Precisamos fazer essa manutenção”.
Para viabilizar a intervenção, a prefeitura encaminhou à Defesa Civil Estadual um pedido de autorização baseado no decreto estadual voltado à prevenção de desastres.
“O documento é uma declaração de relevante interesse público de situação de emergência da Defesa Civil. Isso significa que entendemos que o desassoreamento da Barra do Rio Araranguá é fundamental para evitar perdas de vidas e de bens materiais”.
Alexandre explicou que toda a documentação reúne históricos das enchentes, relatórios técnicos, fotografias e registros oficiais inseridos no sistema do Governo Federal.
“Encaminhamos todo esse material para conseguir essa autorização de retirar os sedimentos e melhorar a vazão. Com esse reconhecimento, o processo fica mais rápido e pode dispensar as licenças ambientais tradicionais. Esperamos uma resposta em cerca de 20 a 30 dias”.
Obra será realizada apenas quando houver necessidade
Apesar da expectativa pela autorização, Alexandre esclareceu que a limpeza da barra não será feita imediatamente após a liberação. Segundo ele, a intervenção só produz resultados quando existe grande vazão de água, que ajuda a remover naturalmente o material retirado pelas máquinas.
“Não adianta mexer agora. É como tirar um pouco de areia dentro da água na praia. Ela volta. Nós precisamos de força de água para que, quando mexer, essa areia excedente vá embora”.
Ele acrescentou que o objetivo é aprofundar o canal entre um metro e meio e dois metros, aumentando a capacidade de escoamento. “O que pode acontecer é, se essa chuva vier muito forte e começar a segurar, a gente colocar as máquinas e fazer um desassoreamento de um metro e meio a dois metros. Isso vai evitar que encha os bairros, não só aqui em Araranguá, mas em toda a região”.
Limpeza de valas e drenagem segue em vários bairros
Além da preocupação com a barra, a Defesa Civil mantém equipes atuando na limpeza de valas, canais e sistemas de drenagem em diversos bairros do município.
Alexandre destacou que os trabalhos estão concentrados, entre outros locais, na Baixadinha e na Barranca. “Não paramos. Todos os dias estamos trabalhando. Fizemos o desassoreamento dos valos na Baixadinha, abrimos valetas para escoar a água e continuaremos esse trabalho também na Barranca”.
O coordenador ainda fez um apelo para que moradores comuniquem situações de risco à Defesa Civil. “Onde não está sendo feito, a gente pede que a população entre em contato. Ainda tem muito serviço pela frente, mas estamos fazendo tudo o que é possível para minimizar os impactos dos próximos dias”.
Defesa Civil reforça preparação para novos eventos climáticos
Ao final da entrevista, Alexandre afirmou que o município trabalha preventivamente diante da previsão de intensificação do El Niño e das mudanças climáticas.
Segundo ele, a Defesa Civil conta hoje com melhor estrutura, equipamentos modernos, monitoramento permanente, plano de contingência atualizado e integração com outros órgãos de segurança.
“A Defesa Civil hoje melhorou mil por cento. Temos recursos, equipamentos, acompanhamento técnico, ajuda humanitária e uma estrutura muito maior. As mudanças climáticas vão ser mais frequentes e precisamos estar preparados”.
Ele concluiu destacando que a prevenção continua sendo o principal objetivo do órgão. “A Defesa Civil trabalha para prevenir e se preparar. Se a prevenção não for suficiente, aí entra a ação e depois a recuperação. Estamos preparados e buscando cada dia mais informação e mais ajuda. Tomara que não aconteça nada, mas, se acontecer, vamos tentar minimizar ao máximo os impactos para a população”.









