Segurança Defesa Civil de Araranguá reforça preparação para chuva intensa e alerta sobre possíveis alagamentos

Defesa Civil de Araranguá reforça preparação para chuva intensa e alerta sobre possíveis alagamentos

28/08/2026 - 09h20

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o coordenador da Defesa Civil de Araranguá, Alexandre Rezende Pereira, falou sobre a previsão de chuva volumosa para os próximos dias no Sul de Santa Catarina e detalhou as medidas adotadas pelo município para reduzir os impactos de um possível evento climático.

Segundo Alexandre, a Defesa Civil vem monitorando as condições meteorológicas há vários dias, com acompanhamento de canais oficiais e de meteorologistas. A previsão indica volumes elevados de chuva, principalmente entre domingo e segunda-feira.

Previsão de até 250 milímetros

O coordenador explicou que os modelos meteorológicos apresentam diferentes projeções, algumas indicando entre 150 e 200 milímetros, enquanto outras apontam para até 250 milímetros em aproximadamente 60 horas.

“Vai sim ter um volume de chuva alto nos próximos dias. Vai ter um volume de chuva, pode ter algumas tempestades isoladas, alguns problemas localizados com inundação ou uma rua que alagou. Nós vamos estar de plantão, qualquer coisa liga pra Defesa Civil, nós vamos estar com as equipes todas prontas”, afirmou.

A previsão é de que a chuva comece de forma mais gradual entre o fim da tarde e o início da noite, ganhando intensidade posteriormente. Alexandre destacou ainda a preocupação com a quantidade de água que pode descer da Serra em direção ao Rio Araranguá.

“Tem modelos que mostram 150 milímetros, mas tem modelos que mostram 200, 250 milímetros. Isso dentro de 60 horas. Então vamos torcer para que o rio consiga escoar rápido, que o mar não represe e que essa chuva vá e não cause transtornos”, disse.

Comportas estão sendo monitoradas

Durante a entrevista, Alexandre também explicou a situação das comportas utilizadas para controlar o avanço da água em áreas de risco. Segundo ele, a comporta da Rua Rui Barbosa está funcionando normalmente e recebeu um sistema que permite acionamento mais rápido por meio de talha.

“Já a comporta da Barranca ainda depende de máquina para ser operada. Projetos estão sendo preparados para modernizar as estruturas existentes e, em alguns pontos, utilizar sistemas automáticos”.

Alexandre ressaltou, porém, que o fechamento das comportas precisa ocorrer no momento correto. Segundo ele, fechar antecipadamente pode provocar alagamentos na região da Barranca, enquanto fechar tarde demais permitiria a entrada da água do rio.

“Não é simplesmente ‘vamos abrir’ ou ‘não vamos’. A comporta tem que ser fechada no momento certo”, explicou.

Sistema de macrodrenagem preocupa

Outro ponto abordado foi a fragilidade do sistema de macrodrenagem de Araranguá. “Quando o nível do Rio Araranguá sobe, a água que normalmente seria conduzida para o rio deixa de ter capacidade de escoamento e pode retornar para áreas urbanas”.

O coordenador também chamou atenção para as erosões existentes às margens do Rio Araranguá. Segundo ele, alguns pontos já apresentam problemas crônicos e podem sofrer novos impactos caso ocorra uma enchente com grande velocidade da água.

“Essas erosões são comuns. Com enchente, com a força da água que vem, ela pode causar algumas erosões pontuais”, explicou.

Barra do Rio Araranguá também é monitorada

Alexandre informou que a Defesa Civil acompanha de perto a situação da Barra do Rio Araranguá, inclusive diante da existência de assoreamento que pode dificultar o escoamento em uma situação de grande volume de água.

Ele explicou que a abertura da barra não deve ser tratada como uma solução automática. É necessário avaliar as condições do rio e do mar, já que, dependendo da situação, a entrada da água do mar poderia agravar o problema.

“Se o mar tiver um pouco alto, se você abrir a barra, o mar é que vai entrar no rio. Aí fica pior ainda, pode atrapalhar ao invés de ajudar”, alertou.

O coordenador afirmou ainda que, se houver necessidade de intervenção emergencial e forem atendidas as condições previstas para situações de calamidade, o município possui mecanismos legais para realizar o trabalho de desassoreamento.

Defesa Civil preparada para possíveis remoções

Alexandre também destacou que o município avançou na organização da Defesa Civil para situações de emergência. “Já existe um plano de ação estabelecendo locais de alojamento, recebimento de doações, logística e procedimentos para retirada de moradores”.

Entre os locais previstos para receber famílias estão o Ginásio Padre Ézio Juli, o Ginásio Bolha e o ginásio de esportes da Divinéia.

O município também se preparou para atender animais de estimação. Conforme Alexandre, em uma eventual remoção, os animais deverão acompanhar as famílias e haverá estrutura provisória para mantê-los próximos aos seus responsáveis.

“Tudo isso já está. O plano de ação, para onde vai, quem vai, como funciona”, afirmou.

Também foram adquiridos kits de higiene, materiais de limpeza, lonas, uniformes e outros equipamentos para utilização em situações de emergência.

Empresa para poda de árvores ainda aguarda conclusão de processo

Outro assunto levantado durante a entrevista foi o risco de queda de árvores antigas. Alexandre explicou que a Defesa Civil realiza as vistorias e, quando necessário, encaminha as situações para os procedimentos adequados.

“Uma empresa terceirizada deverá ser contratada para realizar podas e remoções, mas o processo licitatório ainda não foi concluído. A previsão é de que o procedimento seja finalizado nas próximas semanas”.

Defesa Civil acompanha escolas

Alexandre também comentou o trabalho preventivo realizado nas escolas municipais. “A Defesa Civil vem desenvolvendo ações educativas com crianças, utilizando uma linguagem adaptada ao público infantil. O objetivo é fazer com que os alunos levem para casa orientações de segurança e também ajudem a conscientizar as famílias”.

O coordenador relatou ter recebido a mensagem de uma mãe cujo filho participou de uma das ações. “Ao chegar em casa, a criança teria repassado à família uma das orientações aprendidas: durante uma tempestade, não permanecer próximo a janelas de vidro”.

Alexandre afirmou que esse tipo de retorno demonstra a importância do trabalho preventivo.

Bombas podem ajudar, mas têm limitações

Questionado por um ouvinte sobre a possibilidade de utilizar bombas para retirar a água de áreas alagadas e devolvê-la ao leito do rio, Alexandre explicou que o município possui duas bombas de grande porte, mas que o equipamento não seria capaz de solucionar sozinho uma inundação de grandes proporções.

“As bombas podem ser úteis em determinados níveis de água, mas, quando o rio transborda e a água invade outras áreas, a capacidade do equipamento torna-se insuficiente”.

Fixação da barra é apontada como solução de longo prazo

Alexandre também defendeu a importância da obra de fixação da Barra do Rio Araranguá. Segundo ele, o projeto já avançou em Brasília e aguarda a liberação dos recursos.

Para o coordenador, a obra não eliminaria completamente o risco de enchentes, mas poderia melhorar significativamente a capacidade de escoamento e reduzir a possibilidade de alagamentos.

“A partir do momento que tu fixar uma barra, não quer dizer que não vai ter uma enchente, pode ter. Mas a chance é bem menor”, afirmou.

Ele também destacou que a solução poderia contribuir, no futuro, para retirar a região da Barranca da classificação de área de risco.

Alerta para informações falsas nas redes sociais

Ao final da entrevista, Alexandre fez um apelo para que a população busque informações nos canais oficiais e não compartilhe conteúdos alarmistas sem confirmação.

“Vai sim ter um volume de chuva alto nos próximos dias”, reforçou, mas ponderou que existem muitas informações circulando nas redes sociais e que algumas delas são falsas.

A orientação é que, diante de dúvidas ou situações de risco, a população procure diretamente a Defesa Civil. O telefone do plantão informado durante a entrevista é (48) 98841-3559.

Alexandre afirmou que permanecerá de plantão durante todo o fim de semana, acompanhando a evolução do nível do Rio Araranguá, as condições da barra, o comportamento do mar e os impactos da chuva no município.