Geral Dr. José Luna alerta para avanço do Alzheimer durante sessão na Câmara de Araranguá

Dr. José Luna alerta para avanço do Alzheimer durante sessão na Câmara de Araranguá

12/05/2026 - 09h34

Durante a sessão desta segunda-feira, dia 12, na Câmara de Vereadores de Araranguá, o médico homeopata José Luna utilizou a tribuna para falar sobre a doença de Alzheimer e os desafios relacionados ao envelhecimento da população. A participação ocorreu após requerimento do vereador Juliandro Jacques.

Em sua fala, o profissional destacou que o Alzheimer é uma realidade cada vez mais presente na sociedade e que, direta ou indiretamente, todas as pessoas terão contato com a doença em algum momento da vida.

“A doença de Alzheimer é uma doença que, cedo ou tarde, todos nós entraremos em contato com ela, seja diretamente, desenvolvendo-a, ou seja, indiretamente, através de algum conhecido que possa desenvolver”, afirmou.

O médico explicou que o Alzheimer é apenas um dos tipos de demência que acometem o ser humano, sendo, no entanto, o mais comum atualmente. “Podemos dizer que praticamente metade das demências são do tipo Alzheimer”, ressaltou.

Segundo Dr. Luna, atualmente o Brasil possui cerca de dois milhões de pessoas diagnosticadas com a doença, mas a expectativa é de crescimento significativo nas próximas décadas. “Hoje em dia, a gente tem uma estimativa de 2 milhões de brasileiros com Alzheimer e a estimativa para 2050 é que a gente tenha 6 milhões. Ou seja, isso triplique”, destacou.

O médico também chamou atenção para o envelhecimento populacional vivido em municípios do interior, incluindo Araranguá, o que deve refletir diretamente no aumento dos casos da doença na região.

“Araranguá, como qualquer outra cidade pequena, também está passando pelo mesmo processo de envelhecimento populacional. Então, a gente acredita que esse número se refletirá aqui também”, comentou.

Durante a explanação, Dr. José Luna explicou a diferença entre o envelhecimento natural e o Alzheimer. Conforme ele, o envelhecimento normal pode causar lentidão no raciocínio e dificuldades de atenção, mas sem comprometer drasticamente a autonomia da pessoa.

Já o Alzheimer provoca impactos muito mais severos no cotidiano. “Ele vai levar a uma perda de memória, muitas vezes. Vai levar a uma perda da capacidade de fazer coisas simples, coisas que antes a gente poderia fazer com facilidade”, explicou.

Entre os exemplos citados pelo médico estão dificuldades para pagar contas, cozinhar, tomar medicamentos corretamente e até reconhecer pessoas próximas.

Outro ponto enfatizado pelo profissional foi o longo período silencioso da doença antes do surgimento dos sintomas. “O Alzheimer é uma doença que tem um início 25 anos antes do surgimento dos sintomas. Imaginem que hoje podem ter pessoas aqui com Alzheimer e a gente simplesmente não está sabendo disso”, alertou.

Segundo ele, isso acontece porque a doença já pode estar instalada no organismo, mesmo sem manifestações aparentes.

A participação do médico na Câmara teve como objetivo ampliar o debate sobre conscientização, prevenção e acompanhamento da população idosa, diante do crescimento dos casos de demência no Brasil e no mundo.