Esquerda realiza primeira convenção eleitoral em Santa Catarina e oficializa chapa para a disputa estadual
Os partidos que compõem o campo da esquerda em Santa Catarina foram os primeiros a realizar convenções partidárias dentro do prazo legal para as eleições de 2026. Em ato conjunto realizado na terça-feira (21), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), PT, PSB, PDT, PSOL e a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) confirmaram os nomes que disputarão os cargos majoritários e proporcionais no Estado.
A convenção oficializou o ex-deputado estadual Gelson Merisio (PSB) como candidato ao Governo de Santa Catarina, tendo como candidata a vice-governadora a ex-deputada estadual e federal Ângela Albino (PDT). Para o Senado, foram homologadas as candidaturas de Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL). Os partidos também confirmaram os candidatos que disputarão vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.
Durante o programa Dia a Dia da Rádio Araranguá, o comentarista político Upiara Boschi destacou que o encontro marcou a formação da primeira coligação oficialmente confirmada no Estado.
“Nesta terça-feira foi confirmada a primeira coligação que vai disputar as eleições em Santa Catarina. É a chapa da esquerda com os partidos que, em Santa Catarina, apoiam a reeleição do presidente Lula”, afirmou.
Boschi observou que a candidatura de Gelson Merisio representa uma mudança política construída nos últimos anos. Segundo ele, o ex-presidente da Alesc, que em 2018 declarou apoio ao então candidato Jair Bolsonaro, passou a integrar o campo político de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e coordenou a campanha de Décio Lima ao Governo do Estado em 2022.
Na avaliação do comentarista, um dos aspectos mais marcantes do discurso de Merisio durante a convenção foi a explicação sobre sua mudança de posicionamento político.
“O que me chamou a atenção na fala do Merisio foi ele sempre explicando por que mudou de lado. Também fez uma defesa enfática de Lula e disse que, quando conheceu o presidente, em 2022, os dois criaram uma relação de amizade. Ao mesmo tempo, defendeu ampliar o eleitorado de Lula em Santa Catarina”, analisou.
Outro ponto destacado por Boschi foi a estratégia adotada pelo candidato ao governo ao relacionar o discurso da esquerda com uma defesa da trajetória histórica do Estado.
“Gelson reforçou que Santa Catarina é o melhor estado do país pelo que foi construído pelas diferentes gerações de catarinenses e pelos governos que passaram pelo Estado, e não apenas nos últimos anos. É interessante porque há uma união entre o discurso da esquerda e um resgate histórico da política catarinense”, comentou.
Segundo o analista, a convenção reuniu grande número de militantes e lideranças dos partidos. As reuniões ocorreram simultaneamente em diferentes espaços da Assembleia Legislativa. O plenário principal recebeu o PDT, o Plenarinho sediou o PSOL e o auditório Antonieta de Barros foi utilizado pela Federação Brasil da Esperança. Em seguida, todos os participantes realizaram um ato conjunto.
Para Boschi, a campanha de Merisio passa agora pela tarefa de ampliar seu conhecimento junto ao eleitorado identificado com o presidente Lula.
“O evento conseguiu, no mínimo, fazer com que a militância e as lideranças da esquerda se aglutinassem em torno do nome dele e começassem a propagar que Merisio é o nome de Lula em Santa Catarina”, observou.

Na análise do comentarista, a estratégia também busca repetir o desempenho alcançado pelo campo da esquerda em 2022, quando Décio Lima levou a disputa estadual ao segundo turno.
“O objetivo é chegar novamente ao segundo turno. Na eleição passada havia um cenário muito mais fragmentado, com várias candidaturas competitivas. Agora, os votos tendem a ficar mais concentrados. Resta saber como o eleitorado vai reagir a essa metamorfose política de Merisio e ao novo arranjo da esquerda em Santa Catarina”, concluiu Boschi.
Imagens: Upiara Boschi
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