Segurança “Estamos entrando em caráter de emergência”: prefeito de Laguna relata efeitos do fechamento da Ponte Anita Garibald

“Estamos entrando em caráter de emergência”: prefeito de Laguna relata efeitos do fechamento da Ponte Anita Garibald

10/07/2026 - 16h38

O fechamento preventivo da Ponte Anita Garibaldi, na BR-101, em Laguna, começa a provocar impactos em toda a região Sul de Santa Catarina. Além dos longos congestionamentos e dos transtornos para motoristas, prefeitos já relatam dificuldades na prestação de serviços públicos e avaliam medidas emergenciais para minimizar os prejuízos.

O prefeito de Laguna, Peterson Crippa da Silva, afirmou, em entrevista ao jornalista Diego Macan, que a administração municipal foi comunicada sobre a interdição apenas no início da noite de quinta-feira (9). Segundo ele, o aviso ocorreu pouco antes do bloqueio total da estrutura.

“Ontem eu fui avisado por volta das 18h10min que às 19h haveria uma interdição emergencial preventiva para remediar possível dano que haviam tecnicamente identificado. Não se sabia naquele momento o tamanho do problema ou qual o problema seria. Então precisava virar à noite para poder virem técnicos de fora, que é o que está acontecendo ao longo da sexta-feira.”

De acordo com o prefeito, as informações técnicas ainda são limitadas e dependem das avaliações realizadas pela concessionária responsável pela rodovia.

“Ainda são muito imprecisas as informações. A CCR está explicando tecnicamente, de tempos em tempo, através de notas os estudos e as análises. O que se tem é que a ponte ficará fechada por 10 dias, pelo menos até 20 de julho.”

Peterson destaca que a interrupção da principal ligação entre o Sul catarinense e o restante do estado afeta diretamente a rotina dos municípios, que mantêm forte integração econômica e na oferta de serviços.

“Para nós isso é extremamente preocupante, porque nós temos uma vida onde os municípios da região, Laguna, Tubarão, Capivari de Baixo, Pescaria Brava, enfim, se complementam através da troca de serviços.”

Um dos setores mais afetados, segundo ele, é a saúde pública. O sistema de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), responsável pelo transporte de pacientes para consultas e procedimentos em outras cidades, já sofre reflexos da interdição.

“O sistema de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) de Laguna hoje colapsou. Nós temos, por exemplo, motoristas que iam três a quatro vezes a Tubarão por dia. Na atual situação, o motorista está conseguindo fazer apenas uma viagem por dia.”

Diante do agravamento da situação, a prefeitura começa a tratar o cenário como uma emergência administrativa.

“Aos poucos nós estamos entrando institucionalmente em caráter de emergência, infelizmente isso está acontecendo.”

Apesar das dificuldades, o prefeito ressalta que a interdição foi adotada por segurança e manifesta expectativa de que o problema seja solucionado o mais rápido possível.

“Felizmente é um protocolo preventivo, mas a gente espera que não seja algo muito longo, que possa ser resolvido tecnicamente com segurança o quanto antes.”

Enquanto equipes técnicas trabalham na avaliação e no reparo da estrutura da ponte, os municípios da região seguem reorganizando serviços essenciais e monitorando diariamente os impactos causados pela interrupção da principal ligação viária do Sul do estado.

“Estamos atentos junto aos órgãos de compliance e técnicos. Estamos fazendo a parceria que precisa ser feita como instituição, prefeitura, e vamos viver dia após dia desejando que tudo possa ser equacionado e que as coisas boas possam voltar a prosperar.”