Governador Jorginho Mello visita áreas atingidas pela cheia em Araranguá e discute medidas para evitar novos alagamentos
Governador percorreu os bairros Barranca e Baixadinha, visitou famílias no abrigo e afirmou que Estado está levantando prejuízos causados pelas chuvas; prefeito Cesar Cesa defendeu a manutenção e fixação da barra do Rio Araranguá
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, esteve em Araranguá na tarde desta quarta-feira, dia 23, para acompanhar de perto os impactos provocados pelas fortes chuvas e pela cheia do Rio Araranguá. Acompanhado do prefeito Cesar Cesa, o governador percorreu os bairros Barranca e Baixadinha e visitou o abrigo montado no Ginásio Padre Ézio Julli, onde estão acolhidas famílias retiradas das áreas atingidas.
Na oportunidade, o jornalista da Rádio Araranguá Saulo Machado cobriu o encontro e trouxe todos os detalhes. Durante a visita, Jorginho Mello afirmou que o objetivo é não apenas atender as famílias afetadas, mas também discutir com os municípios medidas estruturais para reduzir os impactos de futuros eventos climáticos. “Nós estamos indo ao encontro das pessoas que estão necessitando do nosso auxílio, auxílio do Governo.”
O governador também esteve em outros municípios da região e afirmou que a Proteção e Defesa Civil estadual está acompanhando as demandas apresentadas pelas prefeituras.
Governo quer discutir soluções para evitar novos problemas
Jorginho Mello afirmou que pretende aproveitar as visitas aos municípios atingidos para identificar as necessidades de cada localidade e discutir intervenções que possam reduzir os impactos de novas chuvas intensas.
“A gente possa ir já combinando com os prefeitos e ver quais os próximos passos que têm que ser dados para não estar de vez em quando a mesma coisa, para a gente ir resolvendo o problema pela raiz.”
O governador citou ainda investimentos realizados pelo Estado em estruturas de proteção contra eventos climáticos extremos, incluindo barragens e sistemas de controle de vazão.
“O Estado investiu R$ 970 milhões em proteção e Defesa Civil. Além disso, estruturas de barragens passaram por reformas e modernizações. Então, tudo o que a gente puder fazer para melhorar é o que nós estamos fazendo.”
Limpeza e desassoreamento de rios
Outro ponto destacado pelo governador foi o trabalho de limpeza e desassoreamento de rios. Jorginho afirmou que aproximadamente 400 quilômetros de rios foram limpos ou dragados pelo Estado.
Ele também chamou atenção para o descarte irregular de resíduos nos cursos d’água. “A professora Luciane estava dizendo que eles estão fazendo nas escolas já um trabalho de dizer para as crianças, falar com a família em casa, que lixo, o lugar é no lixo, não é no rio.”
Jorginho relacionou o acúmulo de lixo nos rios aos problemas enfrentados durante períodos de chuva intensa e defendeu ações de educação ambiental junto às comunidades.
Estado ainda contabiliza os prejuízos
Questionado sobre o tamanho dos prejuízos provocados pelas chuvas em Santa Catarina, o governador afirmou que o levantamento ainda está sendo realizado. “Nós estamos levantando agora. A gente veio para o Sul, lá no Oeste também ocorreu. O Secretário Fabiano está recebendo os pleitos, os decretos dos municípios que encaminharam o decreto de emergência, e a gente está contabilizando os prejuízos.”
Segundo Jorginho, as estruturas municipais de Defesa Civil já possuem condições de realizar os primeiros atendimentos às famílias atingidas, como fornecimento de colchões, alimentos e materiais de limpeza. “Então estamos levantando para saber o que a gente pode fazer.”
Sobre a capacidade financeira do Estado para atender os municípios, o governador afirmou: “Graças a Deus! O Estado não deve um pilar para ninguém, a Proteção e Defesa Civil tem orçamento.”
Recursos da Alesc
Durante a coletiva, Jorginho também foi questionado sobre o anúncio da Assembleia Legislativa de Santa Catarina de recursos para o período pós-cheias.
O governador afirmou que os pedidos precisam chegar formalmente ao Executivo para que sejam analisados. “Quando chegar o pedido eu vou avaliar.”
Jorginho disse ainda que os pedidos serão avaliados individualmente, de acordo com critérios técnicos e com as demandas apresentadas pela Proteção e Defesa Civil.
Cesar Cesa fala sobre a sexta cheia em Araranguá
O prefeito Cesar Cesa acompanhou a visita e classificou o episódio como a sexta cheia registrada durante seu período à frente da Prefeitura. “Infelizmente a sexta. Eu sempre brinco com as pessoas: na Mega-Sena eu não ganho, né? Ficou 10, 11 anos sem ter enchente e agora em 5 anos de governo, 5 anos e pouquinho, foram 6 cheias.”
Cesar afirmou que a presença do governador na cidade é importante para avaliar os danos e discutir possíveis medidas de apoio ao município. “Eu fico muito feliz que o Governador venha, porque ele mostra tudo aquilo que eu sempre já tenho falado: ele é um Governador extremamente trabalhador, ele não se custa.”
Segundo o prefeito, Jorginho se colocou à disposição para discutir novas ações para Araranguá após a redução das águas.
Prefeitura defende manutenção da barra do Rio Araranguá
Um dos principais pontos abordados por Cesar Cesa durante a entrevista foi a barra do Rio Araranguá.
O prefeito defendeu que a abertura realizada na foz contribuiu para o escoamento das águas durante o episódio de cheia e afirmou que pretende discutir com o Estado medidas para manter a vazão. “A barra não é para mim, nem para você; a barra é para todos nós do Vale do Araranguá.”
Cesar destacou que o Rio Araranguá recebe águas provenientes de diversos municípios da região e defendeu a importância da estrutura para o escoamento até o mar. “Essa barra tem uma importância que é difícil até de tu medir a dimensão de tudo isso.”
Segundo o prefeito, a intenção é buscar uma solução que reduza o acúmulo de areia e sedimentos na região da foz. “Porque fixando as duas partes com pedra, ela não recebe mais areia. Ela não recebendo mais areia, está sempre aberta para receber todo esse volume de água que vai para o mar em vez de entrar na casa das pessoas.”
Retirada de famílias da área de risco
Cesar Cesa também foi questionado sobre a possibilidade de discutir uma solução habitacional para famílias que vivem em áreas vulneráveis, especialmente no bairro Barranca.
O prefeito afirmou que prefere aguardar a redução das águas para, posteriormente, discutir com o governador quais medidas podem ser adotadas. “Vamos esperar isso baixar e vamos tentar conversar dessa forma, né, para ver o que é melhor, o que a gente possa fazer.”
Na sequência, o prefeito citou o programa habitacional Casa Catarina, que prevê a construção de 43 moradias em Araranguá.
Cesar explicou que o município pretende disponibilizar os terrenos e distribuir as casas em diferentes núcleos. “Nós temos 43 casas para colocar aí agora que o Governador deu. Nós vamos dar o terreno, vamos deixar terreno vazio entre as casas e divididas em 5 núcleos.”
O prefeito também detalhou critérios que, segundo ele, serão considerados na seleção das famílias, incluindo tempo de residência no município, situação cadastral e prioridades sociais.
Segundo Cesar, as entidades do município foram chamadas para participar do processo de seleção. “Nós chamamos todas as entidades, da UAMA até a OAB, para participar deste conselho para que a gente possa fazer da melhor forma possível.”
Ele afirmou ainda que a localização dos núcleos deverá considerar a proximidade com oportunidades de trabalho. “Distribuídas em 5 núcleos, e de preferência escolhida onde tem um emprego mais próximo para que eles possam trabalhar.”











