IMAS permanece na gestão do Hospital Regional de Araranguá e anuncia novos investimentos
Diretor do instituto destacou a implantação de videocirurgias em até 60 dias, a reorganização da UTI e o planejamento de novos serviços. Ele também falou sobre a fila de cirurgias, as dificuldades para convocar pacientes e as perspectivas para a oncologia na região.
O Instituto Maria Schmitt (IMAS) continuará responsável pela gestão do Hospital Regional de Araranguá e da Policlínica após vencer o edital que definiu a organização responsável pelos serviços. Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o diretor do instituto, Dr. Robson Schmidt, avaliou o resultado do processo e apresentou as perspectivas para o novo contrato, que terá duração de 60 meses, com possibilidade de prorrogação por igual período.

Segundo o diretor, a permanência na gestão do Hospital Regional tem um significado especial para o instituto, já que a região do Extremo Sul catarinense está diretamente ligada ao início de sua trajetória. “Graças a Deus, cresceu muito e hoje nós estamos aí em vários locais, com o nosso trabalho sendo reconhecido até nacionalmente. Mas o Hospital Regional é o berço de tudo, a nossa região da AMESC é o berço de tudo, onde nós começamos, Timbé, Araranguá, Sombrio, e tem, óbvio, um peso emocional muito grande”, afirmou.
Robson Schmidt ressaltou que o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos contribuiu para ampliar a capacidade de atendimento da região. “Eu lembro quando eu cheguei em Araranguá que o melhor hospital de Araranguá era Criciúma, e hoje a gente já percebeu que isso mudou. A gente já tem pessoas da região de Criciúma vindo ser operadas, sendo tratadas, atendidas na região de Araranguá, Sombrio, Timbé, enfim. Acho que isso é um grande orgulho. A AMESC está sendo cada vez mais conhecida como um polo de saúde”, declarou.
Novo contrato prevê investimentos e ampliação dos serviços
De acordo com o diretor, uma das principais diferenças do novo contrato é a previsão de investimentos na estrutura do Hospital Regional, permitindo planejar melhorias e ampliar a oferta de procedimentos.
“Então, ele é um contrato que vai na contramão daquilo que a gente sempre viu nos governos passados. Porque ele traz um investimento para o Hospital Regional. Então, nós vamos poder, se Deus quiser, levar os pacientes para a UTI nova, uma UTI moderna, uma UTI ampla. A gente vai poder reformar alguns setores do hospital, trazer alguns novos serviços”, explicou.
Entre as novidades previstas está a implantação de videocirurgias. Segundo Schmidt, o instituto já trabalha para viabilizar o serviço em curto prazo. “Nós queremos implementar agora, em no máximo 60 dias, as videocirurgias tão sonhadas no Hospital Regional e que a gente não conseguia fazer. Já estamos providenciando essa torre de vídeo. Então, a gente vai conseguir ter grandes avanços no Regional”, afirmou.
O diretor acrescentou que o prazo de cinco anos permitirá ao instituto estabelecer um planejamento de curto, médio e longo prazo, em conjunto com o Governo do Estado. “Esse contrato prevê um investimento bastante vultuoso. A gente sabe que precisa melhorar muito alguns setores que hoje já funcionam, por exemplo, como a nossa UTI. Melhoramos a emergência, melhoramos vários setores, maternidade, mas ainda carecemos de uma ampliação do hospital, uma melhora. E esse contrato prevê isso”, destacou.
Outro aspecto apontado por Schmidt é o modelo de remuneração vinculado à produção de procedimentos. Na avaliação dele, o formato permitirá ampliar os atendimentos sem ficar restrito a metas previamente estabelecidas.
“Quanto mais a gente produzir, mais a gente vai receber. Então, o hospital volta a ter um contrato interessante para nós, onde a gente consegue não atrelar uma meta e, sim, extrapolar essas metas, que é o que o IMAS faz, por exemplo, hoje em Sombrio, Timbé e nas nossas outras unidades”, explicou.
Sobre a duração do contrato, o diretor confirmou que a vigência será de 60 meses, com possibilidade de renovação por igual período. “Eu acho que a gente tem uma história dentro do hospital e esses 60 meses são um prazo bastante saudável para nós, para a gente melhorar muito mais a saúde, mais do que a gente já melhorou. E a gente ter 60 meses para poder planejar novos serviços, planejar investimentos, planejar equipamentos, ter um recurso garantido de investimento, que é uma coisa que a região da AMESC nunca teve”, afirmou.
Oncologia, neurocirurgia e ressonância magnética estão no planejamento
Questionado por Saulo Machado sobre a possibilidade de implantação de um serviço de oncologia no Hospital Regional, Robson Schmidt afirmou que a proposta está entre as perspectivas avaliadas pelo instituto, embora dependa de planejamento e articulação com o Governo do Estado.
“Eu acho que está dentro do planejamento. Eu acho que a gente tem que pensar e entender a rede como um todo, ver também as necessidades do Governo do Estado. Eu acho que a AMESC já tem mais do que necessidade de se ter um serviço de oncologia. A gente sabe da grande necessidade disso. Acho que o Regional tem grandes chances, sim, de botar um serviço desse”, declarou.
O diretor, porém, apontou que a reorganização da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está entre as prioridades atuais. “A nossa UTI hoje está, desde a época da Covid, num local que precisa ir para um local novo. Então, entre as prioridades, eu acho que a reorganização da UTI é a principal, mas eu acho que a oncologia parte dentro desse planejamento”, explicou.
Schmidt também citou a necessidade de ampliar a capacidade regional para atender pacientes que precisam de neurocirurgia, especialmente diante dos casos de acidente vascular cerebral (AVC) e dos traumas relacionados aos acidentes de trânsito na BR-101.
“A gente tem que pensar muito na neurocirurgia, sabe, Saulo? Porque hoje a gente tem o Hospital de Sombrio, que foi recentemente habilitado na neurocirurgia, mas a quantidade de pacientes com AVC, a quantidade de traumas que nós temos por conta da beira da BR, acidentes que chegam para nós, é um número muito grande. E hoje a gente ainda depende muito de hospitais de Criciúma”, afirmou.
A implantação de uma ressonância magnética também foi citada como uma necessidade para a região. “A implantação de uma ressonância magnética, que já foi falado muitas vezes, é uma necessidade do hospital e da região. Sombrio vai ter uma agora, mas uma só em Sombrio não resolve o problema. Nós temos que ter mais uma”, declarou.
O diretor ressaltou que a definição das prioridades deverá ocorrer em conjunto com o Governo do Estado, conforme as necessidades da rede de saúde. “São fases que estão todas dentro do nosso planejamento estratégico, para que a gente possa ir em conjunto com o Governo do Estado, definir quais são as prioridades e começar a executar”, completou.
IMAS defende parceria com o Governo do Estado
Durante a entrevista, Saulo Machado questionou se as divergências que teriam marcado o processo de definição da gestão do Hospital Regional poderiam ser superadas a partir do resultado do edital.
Robson Schmidt afirmou que o instituto pretende manter a parceria com o Governo do Estado, destacando a participação do IMAS nas ações voltadas à redução das filas de cirurgias eletivas.
“O IMAS abraçou, desde o início do governo Jorginho Mello e da nossa querida secretária Carmen Zanotto, o projeto de reduzir as filas eletivas. Nós chegamos a fazer 30%, 35% das cirurgias do Estado eletivas”, declarou.
O diretor também apresentou números da produção cirúrgica do instituto. “Nós fizemos no ano passado, Saulo, 146 mil cirurgias. Então, assim, não é um número qualquer em um ano. A quantidade de pessoas que nós tiramos da fila e a entrega que o IMAS faz hoje para a população de Santa Catarina, que é o grande objetivo do Governo do Estado e do IMAS, que é cuidar da população de Santa Catarina, eu acho que os nossos interesses convergem”, afirmou.
Para Schmidt, a prioridade deve ser a continuidade dos serviços e a ampliação da capacidade de atendimento. “Eu acho que foi justo e, graças a Deus, nós conseguimos ganhar. Acredito que daqui para frente cada um no seu papel, mas a gente fazendo um trabalho em prol de quem realmente precisa, que é a população, que é o habitante de Araranguá e região”, disse.
Ao recordar a situação da saúde regional de anos anteriores, o diretor afirmou que houve avanços na estrutura e no funcionamento dos hospitais da AMESC. “Hoje a gente pode dizer que tem uma saúde em Araranguá, na região de Araranguá, na região da AMESC, digna de inveja para qualquer região do Estado e do Brasil. Então, eu acho que é isso que nós e o Governo do Estado temos que pensar juntos e criar políticas juntos. O IMAS está à disposição”, declarou.
Faltas em consultas e cirurgias dificultam andamento das filas
Um dos principais assuntos da entrevista foi a demora para a realização de consultas e procedimentos cirúrgicos. Ao ser questionado sobre a possibilidade de criação de filas regionalizadas, Robson Schmidt explicou que o processo envolve diferentes fatores, incluindo a ausência de pacientes nos atendimentos agendados e a burocracia para retirá-los das listas.
O diretor citou o uso de uma ferramenta de inteligência artificial chamada Maria, utilizada pelo IMAS para mapear e acompanhar informações relacionadas aos pacientes. “Então, para ter uma noção, só no mês passado nós tivemos 22% de pacientes que não apareceram”, afirmou.
Ao detalhar o dado, Schmidt mencionou atendimentos realizados em Sombrio. “De 18 mil consultas em Sombrio, 1.700 pessoas não apareceram”, declarou.
Segundo ele, também existem pacientes que aguardam por uma cirurgia, mas acabam adiando ou recusando o procedimento quando são chamados, o que dificulta a ocupação das vagas por outras pessoas. “Então, essas pessoas ocupam a vaga de quem precisa. E aí, o que acontece? A fila do CISREG não anda”, afirmou.
O diretor explicou que, conforme os procedimentos administrativos relatados por ele, é necessário realizar novas tentativas de contato e cumprir etapas antes de retirar um paciente da lista.
“Nós temos que chamar três vezes, dar três oportunidades, notificar o motivo. O Estado tem 30 dias para tirar o município e tem que conversar. Então, assim, é uma burocracia gigantesca para tirar um paciente da fila”, declarou.
Ao ser questionado por Saulo Machado sobre pessoas que relatam esperar dois, três ou até cinco anos por uma cirurgia, Schmidt reconheceu que há demandas que ainda precisam ser enfrentadas. Ele defendeu melhorias no acesso às listas de pacientes, para que os hospitais possam agilizar as convocações.
“Hoje, qual é o ponto que eu acho que é um ponto para se trabalhar no futuro? É, além da publicização das filas, que a gente tem acesso à fila. Porque, às vezes, eu deixo de operar paciente ou deixo de atender o paciente por conta dos faltantes. Se eu tivesse acesso à fila, a minha própria equipe poderia chamar o paciente”, explicou.
Schmidt também relatou dificuldades para entrar em contato com os pacientes por telefone e aplicativos de mensagens. Segundo ele, muitas pessoas não atendem às ligações por acreditarem que se trata de telemarketing ou cobrança. “Então, o número de pacientes que não me respondem hoje é gigantesco”, afirmou.
O diretor anunciou que o instituto pretende realizar uma campanha para divulgar os números utilizados pelos hospitais, facilitando o reconhecimento das ligações pelos pacientes.
“A gente vai começar uma campanha agora no mês que vem, divulgando os números do hospital novamente, para que as pessoas saibam que aquele número está ligando para alguma coisa importante. Então, são coisas para as quais a gente vai precisar do apoio da imprensa”, declarou.
Cirurgias de coluna e próteses de joelho estão entre as prioridades
Robson Schmidt afirmou que o IMAS pretende ampliar a oferta de procedimentos para reduzir as filas que ainda apresentam maior demanda, especialmente as cirurgias de coluna e as próteses de joelho.
“Alguns procedimentos a gente ainda tem fila, mas nós já estamos trabalhando para diminuir isso. Por exemplo, a cirurgia de coluna, que tem uma fila muito grande, e cirurgias de prótese de joelho, que ainda têm uma fila muito grande. Quadril já diminuiu muito a fila, graças a Deus, na nossa região”, afirmou.
O diretor explicou que a intenção é ampliar a capacidade de realização de cirurgias nos dois maiores hospitais administrados pelo instituto na região. “O nosso projeto para o IMAS agora, nessa leva, tanto do Regional quanto de Sombrio, que são os dois maiores hospitais, é amplificar e triplicar o número, por exemplo, agora de cirurgias de coluna. Nosso foco é esse, porque é a maior fila que nós temos hoje na nossa região”, declarou.
De acordo com Schmidt, outros procedimentos já apresentam prazos menores de espera. “Por exemplo, cirurgia de hérnia e vesícula praticamente não existe mais fila. Esses pacientes não estão dois, três anos esperando. Agora o cara da coluna está”, afirmou.
Na área da cardiologia, o diretor também apontou avanços nos atendimentos realizados em Sombrio. “Hoje nós estamos operando pacientes que são colocados no nosso drive em 15 dias. Ele entrou no sistema para um procedimento de cateterismo, nós estamos executando esse procedimento em 15 dias, no máximo. Então, a cardiologia, por exemplo, em Sombrio, deu uma qualidade de vida gigantesca para as pessoas da região”, declarou.
Schmidt disse ter expectativas positivas para os próximos anos, especialmente com a possibilidade de planejar a expansão dos serviços e ampliar a resolutividade dos hospitais regionais.
“Eu tenho muitas expectativas positivas, Saulo, para a nossa saúde da região da AMESC. Ainda mais que agora a gente pode planejar com calma, a médio e longo prazo, todos os serviços”, afirmou.
Diretor agradece mobilização em defesa do Hospital Regional
Ao longo da entrevista, o diretor também agradeceu às lideranças políticas, à imprensa e à população que acompanharam o processo de definição da gestão do Hospital Regional.
Segundo ele, a mobilização demonstrou a importância da unidade para os moradores do Extremo Sul catarinense. “A gente viu essa mobilização que foi feita pelo vereador, a gente viu essa mobilização que foi feita pela imprensa, e nós, do IMAS, ficamos muito gratos e muito felizes por isso”, declarou.
Schmidt afirmou que a permanência na gestão representa a continuidade de um trabalho que, segundo ele, tem impacto direto na vida da população regional. “Não é nem tanto por nós, mas por tudo que a gente viu e por quanto de diferença que nós, o Cristian, a equipe do Regional de Araranguá, fazemos pela vida das pessoas da AMESC. Então, acho que é meio que um dever obrigatório continuar fazendo esse bom trabalho e continuar entregando cada vez mais”, afirmou.
Ao encerrar a participação no programa Dia a Dia, o diretor agradeceu o apoio recebido e disse esperar corresponder às expectativas criadas com a renovação da gestão.
“Eu quero dizer que espero poder corresponder a todas essas expectativas. Pode ter certeza que talvez acertar sempre a gente não vai, mas a gente vai sempre fazer com a melhor intenção do mundo”, declarou.
“E o que a gente puder fazer para minimizar a dor das pessoas e ajudar as pessoas, tanto eu quanto o Christian, quanto a equipe que está lá, que é maravilhosa hoje, a gente vai fazer por conta dessa população que me abraçou quando eu fui morar em Araranguá e que a gente ama tanto”, concluiu.









