Agronegócio Medidas de vigilância e prevenção permitem manter o status de Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação, obtido há 17 anos

Medidas de vigilância e prevenção permitem manter o status de Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação, obtido há 17 anos

28/05/2024 - 07h58

A cadeia produtiva de proteína de origem animal foi e ainda é beneficiada pelo reconhecimento de Santa Catarina como Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa), em 25 de maio de 2007. O status sanitário que permitiu negociar a carne catarinense nos mercados mais exigentes é o resultado de décadas de trabalho e demanda uma série de medidas para evitar a reintrodução da doença.

O apanhado histórico e principalmente os novos rumos da erradicação da febre aftosa foram debatidos no VII Fórum Catarinense de Prevenção de Febre Aftosa, realizado na manhã desta segunda-feira, 27 de maio, no auditório da Defesa Civil em Florianópolis, com transmissão simultânea via internet, acompanhada por mais de mil pessoas. O evento foi promovido pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, Governo do Estado de Santa Catarina e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O secretário da Agricultura e Pecuária, Valdir Collato, destacou a conjuntura atual, com a perspectiva de todos os estados brasileiros seguirem o caminho de Santa Catarina e poderem suspender a vacinação dos rebanhos.  “Nós fomos pioneiros no Brasil há 17 anos na conquista dessa certificação internacional, agora todo país está entrando nesse processo. É um caminho longo, mas que faz a diferença no nosso produto, que chega a mais de 150 países. Por isso, nossas carnes, nossas proteínas são muito bem aceitas, pela excelência e qualidade e na garantia de sanidade que colocamos na marca de Santa Catarina”, afirma o secretário Colatto.

Para a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, o Estado faz parte hoje da elite sanitária mundial, pois possui alguns dos rebanhos mais saudáveis do planeta. “O trabalho iniciado pela Cidasc há mais de 40 anos, com dificuldades incalculáveis para os dias de hoje, requereu afiado saber técnico e habilidade política na ocasião, que envolveu decisões acertadas e corajosas. Os resultados confirmaram o trabalho feito pela comunidade catarinense”, diz a presidente.

Na abertura do fórum, Celles Regina de Matos lembrou ainda o trabalho de educação sanitária para envolver produtores, agroindústrias e sociedade no combate à doença. Hoje, este esforço é direcionado à manutenção do status sanitário, associado às medidas de vigilância ativa e passiva, rastreabilidade dos rebanhos bovino e bubalino, certificação de granjas de reprodutores, fiscalização sanitária de produtos de origem animal e do trânsito de cargas de interesse agropecuário, entre outras ações.

Além do secretário e da presidente da Cidasc, também compuseram a mesa de autoridades o gerente-executivo do Sindicarne, Jorge Luiz de Lima; o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina (CRMV/SC), Moacir Tonet; o auditor do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Roberto Hausen Messerschmidt, no evento representando o superintendente do Mapa em Santa Catarina, Fulvio Rosar Neto.

A primeira palestra do VII Fórum Catarinense de Prevenção de Febre Aftosa foi ministrada por Gabriel Adrian Sanchez Torres, especialista em febre aftosa e membro do Panaftosa/OPAS/OMS. Ele apresentou o Panaftosa – Centro Panamericano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária – e seus objetivos, e o Programa Hemisférico de Erradicação de Febre Aftosa e a transição para o status de livre sem vacinação.

“Cada vez mais vamos trabalhar com vigilância, prevenção e detecção precoce, pois com a retirada da vacina, precisamos estar atentos a uma possível resposta a reintrodução”, salientou Torres, ao falar sobre o cenário atual, em que há possibilidade de todo o Brasil ser reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação nos próximos anos.

Em Santa Catarina, a Cidasc implantou o Programa de Vigilância Baseado em Risco (PVBR), que tem como um de seus objetivos aumentar o engajamento do produtor, estimulando a detecção precoce da doença a partir de notificações. O trabalho foi realizado em conjunto com o Mapa e a Corb Science. No último semestre, foram realizadas mais de 3700 vistorias, nas quais são levantadas informações sobre os padrões de biosseguridade dessas propriedades. Com os dados obtidos, foram identificados possíveis pontos de vulnerabilidade, para adoção de medidas preventivas.

Os resultados do PVBR foram apresentados no fórum pelo médico veterinário Ody Hess Gonçalves, da Coordenação Estadual de Vigilância para Febre Aftosa e Síndromes Vesiculares da Cidasc. Antes de mostrar os números, trouxe a linha do tempo do combate à febre aftosa em Santa Catarina, que iniciou em 1965.

O último caso da doença foi registrado em 1993 e muitos produtores não vivenciaram esta situação. Por esta razão, a Cidasc mantém o trabalho de educação sanitária e orientação aos produtores, estudantes de medicina veterinária e profissionais, para que todos sejam capazes de comunicar casos suspeitos e evitar reintrodução.

A Cidasc atua também na vigilância ativa, em que se enquadra o PVBR. Foram mapeadas as propriedades com maior movimentação de animais e o estudo incluiu estas propriedades e também uma amostra definida por sorteio. Das propriedades visitadas, 104 passarão por uma nova visita em 2024, dando sequência ao trabalho preventivo.

O que é o PNEFA?

O Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA), instituído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), visa manter o status do país livre de febre aftosa e ampliar as zonas livres sem vacinação em todo o Brasil. A Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa) considera o país livre da enfermidade (com ou sem vacina) desde 2018.

Santa Catarina foi durante 15 anos o único estado brasileiro reconhecido como zona livre sem vacinação e, em 2021, outros seis estados entraram para este grupo: Rio Grande do Sul, Paraná, Acre, Rondônia e partes do Mato Grosso e do Amazonas. No momento, todas as unidades da federação suspenderam a vacinação, buscando chegar ao status de zona livre sem vacinação nos próximos anos. A Omsa deve avaliar no próximo ano o pleito brasileiro de que todo o país seja reconhecido como livre da febre aftosa sem vacinação.

Toda a América do Sul vem passando por significativa e sustentável evolução da sua condição sanitária referente à febre aftosa. Hoje, 99% de todos os rebanhos são livres da doença com ou sem vacinação, conforme preconizado no Plano Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa (PHEFA), do Panaftosa.