El Niño muito forte preocupa agricultores, e Sindicato Rural orienta produtores de Araranguá a reforçarem prevenção
O presidente do Sindicato Rural de Araranguá, Rogério Pessi, reforçou a importância de os produtores rurais acompanharem as previsões climáticas e adotarem medidas preventivas diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade durante a primavera e o verão. As orientações foram apresentadas durante entrevista concedida ao jornalista Diego Macan, no programa Estúdio 95, da Rádio Araranguá.

Segundo Pessi, além da representação dos produtores, o sindicato tem entre suas funções orientar os associados diante das constantes mudanças nas regras que envolvem a atividade rural.
“Todo sindicato tem um papel relevante que é representar os seus produtores, mas essa representação aqui no nosso caso, ela também se faz através de esclarecimento, de orientação, porque a gente vê que muito hoje acontece no dia a dia do produtor rural, de muita desinformação às vezes”, afirmou.
O dirigente destacou que o produtor precisa lidar atualmente com uma série de normas, obrigações e mudanças tributárias. Ele citou como exemplo o Imposto Territorial Rural (ITR) e outras obrigações relacionadas à atividade.
“Hoje nós vivemos uma era muito burocrática, cheia de artigos e normas, então o produtor rural às vezes fica meio perdido nessas atualizações de regras e novas leis”, explicou.
Pessi afirmou ainda que o sindicato busca se manter atualizado para auxiliar os associados. “Por isso fazemos um papel de orientar a questão tributária, que está mudando agora também, a questão de arrecadação de impostos, o que o produtor deve pagar, o que não deve, ITR, por exemplo que agora é até o dia 30 de setembro para fazer a declaração”, disse.
Preocupação com o El Niño
A principal preocupação apresentada durante a entrevista foi relacionada às condições climáticas previstas para os próximos meses. A Epagri/Ciram aponta chuva acima da média para setembro, outubro e novembro, com possibilidade de eventos de chuva forte, temporais, granizo e vendavais. O órgão também prevê El Niño de intensidade muito forte na primavera, com possibilidade de persistência até o início do outono de 2027.
Pessi lembrou que episódios recentes de granizo já provocaram danos em propriedades rurais de Santa Catarina, inclusive em Araranguá.
“Pode trazer muitos prejuízos, a gente já viu aí há uns 20 dias uma anomalia assim muito forte. Foi granizo caindo aqui no estado inteiro, em várias regiões que nunca tinham caído e a gente, aqui em Araranguá também sofreu com isso”, relatou.
Segundo o presidente do sindicato, os danos podem atingir tanto as plantações quanto as estruturas das propriedades.
“Em algumas áreas o granizo acabou com tudo. Porque assim, onde ele cai, se não tiver nenhuma proteção, mata verdura, acaba com fumo, acaba com milho pequeno, e tem também a questão de prejudicar a própria estrutura do produtor, que às vezes tem galpões, e tem casa, e tem estufa”, acrescentou.
Orientação é se preparar para um cenário de chuva acima da média
Diante das projeções climáticas, Pessi recomenda cautela aos produtores e defende que as propriedades estejam preparadas para enfrentar períodos de chuva intensa.
“Se confirmarem as previsões, a nossa região será muito afetada, a gente alerta sempre os produtores nas conversas, que assim, adotem algumas precauções, porque cautela é a palavra de ordem”, afirmou.
O presidente do Sindicato Rural resumiu a postura que considera adequada diante de uma previsão que ainda envolve incertezas.
“Eu tenho sempre uma frase que eu uso: a gente tem que, para tudo na vida, esperar sempre o melhor, se preparar para o pior e agradecer o que vier.”
Pessi destacou que a agricultura depende da chuva e que o problema está nos volumes excessivos e nos eventos extremos.
“A agricultura precisa de água, precisa de chuva, e a gente torce para que não venham os volumes que estão sendo falados, mas, se vierem, podem trazer enormes prejuízos para a lavoura. Então é tentar fazer todo o possível”, afirmou.
Drenagem pode reduzir impactos
Entre as medidas preventivas citadas por Pessi está a preparação da propriedade para facilitar o escoamento da água. A Epagri também recomenda a manutenção de estruturas de drenagem, como valas e canais, além de cuidados específicos para áreas de arroz irrigado.
No caso do arroz, Pessi explica que a cultura depende da disponibilidade de água, mas que o excesso provocado por enchentes pode comprometer a produção.
“O arroz, por exemplo, a gente precisa de água, quanto mais água, claro dentro do normal, o arroz sobrevive, mas não pode ter enchentes, pois, a plantação não aguenta.”
Ele recomenda atenção especial à estrutura utilizada para retirar a água das lavouras.
“Você se preparar com valos bem limpos, com comportas, que já existem no rio, com bombas para, se possível, drenar essa água, tirar essa água da lavoura”, orientou.
Fumo, milho, mandioca e soja exigem atenção
Pessi também chama a atenção para outras culturas importantes na economia regional. Segundo ele, períodos prolongados de umidade podem representar dificuldades para lavouras como fumo, milho, mandioca e soja.
“A gente sabe que as frutas, elas não são tão afetadas se elas não estiverem na fase reprodutiva, mas o fumo, o milho, a mandioca, que são grandes culturas aqui na nossa região, que tem, assim, um valor econômico bem importante, elas são bem afetadas”, explicou.
A Epagri já registrou, em episódios anteriores de chuvas excessivas associadas ao El Niño em Santa Catarina, impactos importantes sobre diferentes culturas agrícolas, incluindo fumo, milho e arroz.
Para Pessi, uma das medidas possíveis é reforçar a drenagem das propriedades.
“Eu alerto para que os produtores de mandioca, de milho, de soja, de fumo, que não toleram tanta umidade, estejam preparados. Se possível fazer bastante canais de drenagem”, afirmou.
Plantio pode ser ajustado, mas depende da previsão
Outra possibilidade levantada durante a entrevista foi a avaliação do momento do plantio de acordo com o comportamento esperado do clima. Pessi, entretanto, ressalta que não existe garantia sobre o que ocorrerá daqui a vários meses.
“No caso do arroz ele vai ter a parte reprodutiva dele lá para fim de dezembro, começo de janeiro, que é quando ele começa a lagar flor, então assim, quanto mais tarde você plantar, é uma lógica, ele vai encaixar mais tarde, então assim, você vai estar mais perto do fim do El Niño”, explicou.
A partir dessa avaliação, ele apontou uma possibilidade para os produtores.
“Então seria essa a dica que a gente dá, para que de repente atrase um pouco o plantio. Para o pessoal que planta mandioca, plantar mais para o verão”, afirmou.
De acordo com Pessi, o período mais quente pode favorecer a secagem do solo.
“No verão a terra tem um poder maior de absorção. Os dias são maiores, o sol é mais quente, evapora mais, então assim, é mais difícil dessa propriedade ficar molhada no verão.”
Diante disso, ele apresentou sua avaliação pessoal como produtor: “Eu, como produtor daria a dica de que atrase tudo que se for plantar, para que pegue mais verão.”
Acompanhamento diário continua sendo fundamental
Apesar das sugestões, Pessi reforçou que as previsões de longo prazo não permitem determinar com precisão como estará o tempo em uma determinada semana ou mês.
“A gente não tem uma bola de cristal, então é muito difícil de você dar uma recomendação nessa questão, vai mais do olho do produtor”, afirmou.
Ele também destacou que uma decisão tomada apenas com base em uma previsão distante pode trazer riscos.
“Às vezes a pessoa escuta eu aqui, e vai que dá uma seca em janeiro. Ninguém garante, então é uma coisa muito minuciosa, muito complicada, fica como orientação, como a sugestão.”
Por isso, o presidente do Sindicato Rural reforçou que os produtores devem acompanhar continuamente a evolução das condições meteorológicas.
“O importante é ter a propriedade bem preparada para evitar prejuízos maiores.”
A recomendação também está alinhada às orientações da Epagri/Ciram, que destaca que previsões sazonais indicam tendências para períodos mais amplos, enquanto eventos de curta duração precisam ser acompanhados por avisos meteorológicos atualizados.
Segundo Pessi, o Sindicato Rural de Araranguá mantém os associados informados por meio das reuniões e também pelas ferramentas digitais.
“Isso aí é passado nas reuniões, na conversa que a gente tem com os associados, e até pelo próprio WhatsApp. A gente hoje tem essa ferramenta que é muito fácil, a gente sempre alerta o produtor para que esteja atento às janelas do tempo”, explicou.
A orientação, portanto, é de preparação, acompanhamento das previsões e avaliação individual de cada propriedade, sem tratar as projeções climáticas de longo prazo como uma certeza absoluta.
Confira a entrevista completa:











