Eleições 2026 Em entrevista à Rádio Araranguá, candidata Bia Vargas apresenta trajetória e defende pautas para a Alesc

Em entrevista à Rádio Araranguá, candidata Bia Vargas apresenta trajetória e defende pautas para a Alesc

11/09/2026 - 10h48

Dando sequência à série de entrevistas com candidatos às eleições de 2026, a Rádio Araranguá recebeu no estúdio, nesta sexta-feira (11) a candidata a deputada estadual pelo PT, Bia Vargas.

A entrevista foi comandada pelo apresentador Lucas Casagrande e Bia aproveitou para se apresentar à sociedade.

“Eu tenho 39 anos, sou microempreendedora da área de eventos desde muito nova. Sou natural de Criciúma, mas a família reside hoje no município de Içara, no bairro da Esplanada, que foi onde eu comecei essa vida, entre aspas, pública. Primeiramente com um grupo de jovens, fazendo trabalho voluntário e depois associação de moradores. A partir da associação de moradores eu comecei a entender que através da política a gente amplia as possibilidades de contribuição com a sociedade.”

Segundo Bia, a atuação voluntária também contribuiu para sua aproximação com a política partidária.

“Eu divido essa história política, que eu acho que é compreender que o Estado não chega para todo mundo de uma forma igual. Então, quando a gente doa o nosso tempo, doa a nossa expertise, enfim, de alguma forma o intelecto para a sociedade, fazendo um trabalho voluntário, fazendo qualquer coisa, a gente está fazendo política também. E tem o político partidário que é necessário para a disputa.”

Trajetória política

Bia Vargas também falou sobre sua trajetória partidária e a candidatura à vice-governadora de Santa Catarina em 2022.

“Em 2014, 2015, eu me filio nesse primeiro momento no PSB, ainda aqui em Içara. Ensaio uma candidatura que acabou não acontecendo, mas vida que segue. Aí eu engravido, viro mãe do Hugo, sou mãe solo hoje, ele tem 9 anos, e em 2020 eu sou convidada a ser candidata a vice-prefeita no município de Içara, na chapa com o Alex Michels, PSD, hoje o atual vice-prefeito de Içara.”

Na avaliação da candidata, a campanha de 2020 ganhou força ao longo da disputa.

“Eu saio de 2020 já pré-candidata a deputada federal. Em 2022 eu iria disputar, mas aí, quisera os astros e os caminhos políticos que a vida me levou, a ser candidata a vice-governadora. Foi a primeira vez na história que uma chapa progressista de esquerda vai ao segundo turno em Santa Catarina.”

Bia também destacou a repercussão da candidatura ao lado de Décio Lima.

“Então, ter uma mulher relativamente jovem, negra, na possibilidade de comandar um estado como Santa Catarina, foi o que levou a militância para a rua e possibilitou esse segundo turno.”

Depois da eleição, Bia se mudou para Florianópolis e passou a atuar politicamente na capital. Segundo ela, atualmente ocupa a segunda suplência do PT na Câmara de Vereadores de Florianópolis e exerce a vice-presidência estadual do partido.

Violência contra a mulher e igualdade racial

Durante a entrevista, Bia Vargas apresentou algumas das pautas que, segundo ela, precisam ser debatidas na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

“A gente precisa urgentemente fazer um debate muito sério e efetivo sobre a violência contra a mulher. Santa Catarina é um dos estados recordistas de violência e morte das mulheres. A gente não tem como aceitar isso ou achar que é um grande surto ou que é algo que está para além do nosso controle.”

A candidata defendeu medidas como o fortalecimento de estruturas especializadas de atendimento, delegacias funcionando 24 horas e ações de prevenção nas escolas.

“Não, é algo que é construído através dessa imagem do que é ser homem na sociedade, como que as coisas estão colocadas. A gente precisa de um efetivo da polícia especializado. A gente precisa urgentemente de delegacias 24 horas. Precisamos de um Judiciário exclusivo para julgar esses processos e precisamos fazer esse debate nas escolas.”

Bia também abordou a questão racial e afirmou que Santa Catarina precisa ampliar as políticas públicas voltadas à população negra.

“É preciso aceitar que Santa Catarina não é um Estado 100% branco. Hoje, a população negra pontua 23% da população, somos quase 2 milhões aqui em Santa Catarina. Então, não é um número para se ignorar.”

Ela também criticou a ausência, segundo sua avaliação, de recursos estaduais específicos para políticas de igualdade racial.

“A gente precisa fazer o debate de um Estado que é recordista em injúria racial e por que Santa Catarina não tem um real do seu orçamento público destinado à promoção de igualdade racial, ao combate ao crime racial.”

Cotas raciais

A candidata também defendeu as políticas de cotas raciais e afirmou que o debate sobre o tema ainda é marcado, na sua avaliação, pela falta de informação.

“A polêmica referente às cotas nada mais é do que falta de informação e falta de vontade de informar as pessoas. Porque o que a gente vê as pessoas falando: ‘ai, não tinha que ter cota racial porque somos todos iguais, tinha que ser a cota social’. Meus amigos, a cota racial já é uma cota social.”

Bia citou a própria trajetória como exemplo.

“Eu, por exemplo, sou uma mulher negra que não posso ter acesso à política de cotas na universidade porque eu estudei minha vida inteira em escola particular. Então, eu não posso acessar o sistema de cotas.”

Para a candidata, as políticas afirmativas são uma forma de reparação histórica.

“A base da política de cotas já contempla a questão de renda e a questão social. Então, a gente precisa fazer essa reparação, que ela é histórica. O Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão e o resultado disso nos acompanha até hoje.”

Experiência pessoal com violência doméstica

Durante a entrevista, Bia Vargas também relatou ter sido vítima de violência doméstica e relacionou a experiência pessoal ao debate sobre políticas públicas de proteção às mulheres.

“Eu pouco falo sobre isso em público. Eu sou parte da estatística, sou uma mulher que já fui vítima de violência doméstica. E compreendo bem essas nuances, não só da questão emocional e física, mas também da logística, se assim eu posso dizer; do pós.”

Ela citou dificuldades enfrentadas pelas vítimas desde a denúncia até o acompanhamento dos casos.

“Hoje a gente já tem bons avanços nesse assunto, mas ainda é ineficiente pela demanda que o Estado tem.”

Na avaliação da candidata, além da punição, políticas de prevenção e educação também precisam fazer parte do enfrentamento à violência.

“A questão da prevenção, se assim pode dizer, ela está colocada no sentido de que, para além da agressão e do feminicídio, a gente tem visto que esse agressor também está tirando a sua própria vida. Então, como que a gente vai punir a pessoa que já morreu? Então, a gente tem que entender que a educação está na base disso.”

Bia também defendeu discussões sobre comportamento, educação emocional e relações de gênero, além de ações relacionadas ao conteúdo publicado nas redes sociais.

Punição e prevenção

Ao falar sobre punição, Bia afirmou que a identificação de situações de violência pode ser complexa, especialmente quando os primeiros episódios são tratados como acontecimentos isolados.

“A gente sabe que, a partir do primeiro grito, a partir de uma reação mais violenta, a mulher já tem que ficar atenta e se afastar. Mas sempre tem aquela história: ‘ah, não, mas foi só hoje’. Sim. Foi só um descontrole pontual. Como é que você vai punir criminalmente o que está sendo colocado como pequeno descontrole, que foi algo pontual?”

A candidata voltou a mencionar a própria experiência.

“Na minha situação, por exemplo, eu não tive sinais antes. Foi realmente um rompante que aconteceu, que eu fiquei sem compreender como eu estou vivendo isso. Então, eu não tive sinais que aparecessem antes.”

Campanha eleitoral

Bia também comentou a rotina de campanha e as viagens pelo estado.

“Enlouquecidamente por aí. Eu fiz algumas loucuras aí semana passada. Eu fui de Araquari a Braço do Norte, no mesmo dia, e eu falei: não, calma, que a gente precisa arrumar essa logística. Mas é que as agendas aparecem, e cada uma tem a sua importância, e a gente precisa estar se fazendo presente.”

Segundo ela, nesta semana as atividades estiveram concentradas na região Sul. Para a próxima semana, a previsão é de compromissos no Meio-Oeste e no Norte do estado, com retorno ao Sul na semana do dia 20.

Eleição majoritária

Questionada sobre a disputa majoritária em Santa Catarina, Bia mencionou a eleição de 2022 e afirmou acreditar que o cenário de polarização nacional continuará influenciando a disputa estadual.

“Em 2022, ninguém acreditava que nós iríamos para o segundo turno, que eu e o Décio iríamos para o segundo turno. E a gente via nas ruas essa mobilização e toda a movimentação.”

A candidata avaliou que a polarização entre os grupos políticos ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à família Bolsonaro deverá continuar tendo influência na eleição estadual.

“Eu ainda acho que Santa Catarina está sendo pautada pela questão nacional, sem sombra de dúvidas eu vejo isso nas ruas.”

Bia afirmou ainda acreditar que haverá novamente segundo turno na disputa pelo Governo de Santa Catarina.

“Eu tenho muita tranquilidade de dizer que nós iremos novamente para o segundo turno e fazer essa disputa aqui no Estado.”

Disputa pelo Senado

Sobre a eleição para o Senado Federal, Bia citou a ex-senadora Ideli Salvatti e destacou o cenário com duas vagas em disputa.

“Eu vou parafrasear a nossa ex-senadora Ideli Salvatti, que foi uma grande surpresa em 2002, que ninguém imaginava a eleição dela. Ela disse que não dá para confiar nas pesquisas, que a eleição de duas vagas é uma grande caixinha de surpresa.”

Bia afirmou que o PT trabalha para eleger Décio Lima e Afrânio Boppré para as duas vagas em disputa.

“Mas a gente está trabalhando para as nossas duas vagas, Décio e Afrânio, e confiantes que a gente vai eleger também, repetir 2002.”

Como funcionam as entrevistas da Rádio Araranguá

A entrevista com Bia Vargas integra a série de entrevistas da Rádio Araranguá com candidatos nas Eleições 2026. A emissora estabeleceu critérios objetivos, previamente definidos e aplicados de maneira uniforme aos candidatos que disputam o mesmo cargo.

As entrevistas são realizadas de segunda a sexta-feira, entre 8h e 12h, com 20 minutos de duração, no estúdio da Rádio Araranguá. A participação é previamente agendada e está condicionada à disponibilidade da agenda da emissora.

Os candidatos ao mesmo cargo têm a mesma oportunidade de participação, respeitando o limite de dois candidatos por partido ou federação.

O formato é padronizado, com o mesmo tempo de duração e critérios de condução. As entrevistas são realizadas por dois comunicadores da emissora e transmitidas ao vivo, sem edição.

Eventuais manifestações de ouvintes durante as transmissões ao vivo não são utilizadas como critério para favorecer ou prejudicar candidatos, e a emissora não toma essas manifestações como parte da condução das entrevistas, em observância às regras estabelecidas para a cobertura eleitoral.

O candidato que confirmar e não participar no dia e horário agendados perderá aquela oportunidade, sem garantia de remarcação. Eventuais ausências comunicadas previamente serão avaliadas conforme a disponibilidade da agenda e a necessidade de preservar a igualdade de condições.

Os critérios foram estabelecidos com base na legislação eleitoral e na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observando os princípios da isonomia, imparcialidade, impessoalidade e igualdade de oportunidades.

A Rádio Araranguá dará continuidade à série de entrevistas com os demais candidatos, mantendo os mesmos critérios para os concorrentes ao mesmo cargo.