José Milton Scheffer defende representação federal do Extremo Sul e apresenta prioridades para eventual mandato em Brasília
Dando sequência à série de entrevistas com candidatos às Eleições 2026, a Rádio Araranguá recebeu no estúdio o deputado estadual e candidato a deputado federal pelo Progressistas (PP), José Milton Scheffer. A entrevista foi conduzida pelo apresentador Lucas Casagrande e abordou a decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, a avaliação dos quatro mandatos na Assembleia Legislativa, investimentos na região, saúde, agricultura, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Durante a conversa, José Milton afirmou que a candidatura à Câmara Federal surgiu a partir de uma combinação de fatores, entre eles a necessidade de renovação na Assembleia Legislativa e a cobrança de lideranças empresariais, políticas e comunitárias do Extremo Sul por uma representação própria em Brasília.
Candidatura a deputado federal
José Milton explicou que, após quatro mandatos como deputado estadual, já havia manifestado ao partido o entendimento de que era necessário abrir espaço para novas lideranças.
“Depois de quatro mandatos você tem que dar espaço para outras lideranças. A renovação, novas ideias, é importante a nível de representatividade na Assembleia Legislativa.”
Segundo o candidato, outro fator determinante foi a cobrança de entidades e lideranças da região. Ele citou a ACIVA, prefeitos, vereadores e outros movimentos associativistas que, segundo ele, sentiam falta de um deputado federal residente no Extremo Sul para acompanhar as demandas regionais diretamente em Brasília.
José Milton também relatou uma conversa que teve com uma moradora de Araranguá durante a festa de Nossa Senhora Mãe dos Homens, no ano passado. Segundo ele, a mulher pediu que aceitasse o desafio de disputar uma vaga na Câmara Federal.
Ela teria contado que trabalha em uma loja na Cidade Alta, recebe menos de dois salários mínimos e tem um filho cursando Medicina em Araranguá. Para José Milton, o relato teve grande peso na decisão. “Isso me queimou na cabeça por uns seis meses. E teve um peso muito grande na minha decisão. Porque ela era uma pessoa fora da bolha política.”
O candidato destacou ainda que pretende atuar em Brasília não apenas em defesa de interesses partidários, mas como representante dos 15 municípios da Amesc.
“Não é um desafio puramente partidário, ele é um desafio regional para ser a voz das pessoas, para lutar pelas nossas bandeiras lá em Brasília, para viabilizar projetos, para construir soluções para os nossos problemas.”
Mais força política para o Extremo Sul
José Milton defendeu que a região precisa ampliar sua representatividade política. Ele citou os deputados federais que atualmente residem em Criciúma e afirmou torcer pela permanência deles no Congresso, mas sustentou que o Extremo Sul precisa de um representante que more na própria região.
“A Amesc precisa ter o seu para cuidar das nossas pautas com mais cuidado, com mais carinho e que possa entregar resultado.”
O candidato também defendeu a manutenção das cadeiras atualmente ocupadas na Assembleia Legislativa por representantes da região e citou o deputado estadual Tiago Zilli e o candidato Evandro Scaini.
Para José Milton, a articulação regional precisa ir além da política. “A nossa região, a gente tem que ser um pouco mais corporativista, olhar para nós que moramos aqui, não só no campo político, mas também na hora de fazer uma compra, na hora de trazer uma empresa para a região.”
Críticas ao cenário político nacional
Questionado por Lucas Casagrande sobre o que pretende fazer de diferente em Brasília, José Milton afirmou que o país precisa de mudanças nos três Poderes.
O candidato criticou a falta de debates sobre projetos de longo prazo e afirmou que as discussões eleitorais acabam concentradas em acusações entre adversários. “Eu não vejo os candidatos debater isso. A gente liga a TV, um está acusando o outro que roubou mais, o outro que roubou menos.”
Na avaliação de José Milton, é necessário discutir qual país será construído para as próximas décadas. “Que Brasil que nós queremos daqui a 10, 20 anos? Como é que nós vamos fazer isso?”
Ele também fez críticas ao Poder Judiciário e defendeu reformas no Executivo, Legislativo e Judiciário.
Outro ponto abordado foi a participação da população nas eleições. José Milton afirmou que a falta de interesse e de debate pode abrir espaço para pessoas que, segundo ele, não deveriam ocupar posições de poder. “Se as pessoas de bem, bem-intencionadas, com propósito, não se colocarem à disposição nas eleições, as pessoas mal-intencionadas vão tomando conta.”
O candidato defendeu ainda que os eleitores avaliem propostas, conteúdo e histórico dos candidatos, evitando, segundo ele, decisões baseadas exclusivamente em polarização política.
Infraestrutura e investimentos federais
Ao tratar das principais demandas regionais, José Milton citou obras e projetos que considera estratégicos para o Extremo Sul. Entre eles estão a federalização da SC-285 até a BR-101, a retomada das discussões sobre a Barragem do Rio do Salto e investimentos na BR-101. “A ausência de um deputado federal da região teria contribuído para a perda de investimentos”.
Ele também citou a conclusão do prédio das Ciências da Saúde e atribuiu ao ex-deputado federal Jorge Boeira um papel importante na implantação da universidade na região.
José Milton lembrou ainda sua participação na continuidade das obras da Serra da Rocinha. “Durante o governo estadual anterior, foram liberados R$ 15 milhões para evitar que a empresa responsável abandonasse a obra. Liberamos 15 milhões, depois o governo federal veio e concluiu a obra.”
Para o candidato, a presença de um deputado federal do Extremo Sul permitiria uma atuação mais próxima junto aos ministérios e órgãos federais.
Barragem do Rio do Salto é apontada como prioridade
Questionado sobre qual seria a principal obra federal necessária atualmente para a região, José Milton apontou a Barragem do Rio do Salto. “A obra federal que nós mais precisamos hoje seria a barragem do Rio do Salto. Barragem multiuso, segurança hídrica.”
Segundo ele, o projeto tem importância tanto para a prevenção de enchentes quanto para garantir segurança hídrica aos produtores.
José Milton relacionou a discussão às mudanças climáticas e às oscilações entre períodos de excesso de chuva e estiagem. “Destaco a importância da obra para a rizicultura, setor econômico e relevante no Extremo Sul”.
Agricultura e defesa dos produtores
A agricultura aparece entre as principais bandeiras apresentadas pelo candidato para uma eventual atuação na Câmara Federal.
“Coordeno a Câmara Setorial do Arroz em Santa Catarina e defendo políticas nacionais para dar maior estabilidade ao setor. O mercado agrícola não pode ser um tobogã como é hoje. Um ano está o preço a 120 e no outro ano cai para 50. Não tem agricultor competente que consiga sobreviver nesse mercado.”
Entre as propostas, ele citou a criação de mecanismos de proteção aos agricultores, seguros acessíveis diante de eventos climáticos e políticas de mercado.
O candidato também criticou a entrada de produtos estrangeiros em momentos em que produtores brasileiros enfrentam preços baixos. “Nós não podemos aceitar que entre produtos de outros países aqui quando o nosso agricultor está vendendo o produto dele abaixo do preço.”
Além do arroz, José Milton mencionou o leite e outros produtos agrícolas.
Segurança pública
A segurança pública também esteve entre os principais temas da entrevista. José Milton afirmou que o Congresso Nacional possui papel fundamental na discussão da legislação relacionada ao setor.
“Na esfera regional, cito o baixo efetivo policial em municípios do Extremo Sul. Como exemplo, temos Balneário Gaivota, onde, existem cinco policiais militares e dois policiais civis”.
O candidato afirmou ter recebido um abaixo-assinado com mais de 1,2 mil assinaturas solicitando o aumento do efetivo policial no município. “É um direito do cidadão. Não adianta nós avançarmos enquanto sociedade se não vier acompanhado da segurança.”
Para uma eventual atuação federal, José Milton defendeu a destinação de recursos para equipamentos, veículos, armamentos e estrutura tecnológica das forças de segurança. “Também pretendo trabalhar pela realização de concursos regionalizados, buscando manter policiais próximos de suas regiões de origem”.
Redução da maioridade penal
Na área legislativa, José Milton defendeu mudanças na legislação relacionada à maioridade penal.
Segundo ele, o sistema atual acaba sendo utilizado pelo crime organizado para recrutar menores de idade. “A maioridade penal se tornou um instrumento do crime organizado para captar pessoas para o crime.”
O candidato afirmou que a mudança na legislação deveria estar acompanhada de ações na educação e de políticas voltadas à proteção e preparação dos jovens.
Violência contra a mulher
José Milton também foi questionado sobre a violência contra a mulher e afirmou que, apesar da criação de novas leis e mecanismos de proteção, os índices continuam preocupantes.
Para ele, além da atuação do Estado e das forças policiais, é necessária uma mudança cultural e educacional. “Nós temos que mudar, proteger as nossas mulheres, respeitar elas, ensinar o jovem, as famílias também têm que educar os seus filhos, a escola também, mas principalmente as famílias.”
O candidato classificou a violência doméstica como algo “inaceitável” e defendeu a conscientização como uma das principais ferramentas de prevenção.
Saúde como uma das principais bandeiras
A saúde foi outro dos principais assuntos da entrevista. José Milton afirmou que o setor está entre suas prioridades desde o início da trajetória como deputado estadual.
Ele destacou a atuação na criação da Política Hospitalar Catarinense, que, segundo o parlamentar, destinou R$ 760 milhões aos hospitais filantrópicos no ano passado. “Se existe um legado, uma coisa que me dá orgulho foi de construir essa lei ao lado dos hospitais de Santa Catarina.”
De acordo com José Milton, o modelo considera o porte dos hospitais para definir os recursos e estabelece repasses mensais para auxiliar as instituições.
O candidato também citou investimentos em hospitais da região e afirmou ter trabalhado pela implantação de UTIs no Hospital Regional de Araranguá e no Hospital de Sombrio.
Críticas ao financiamento do SUS
Para José Milton, um dos principais problemas da saúde brasileira está no modelo de financiamento e na defasagem dos valores pagos pelo Sistema Único de Saúde.
Ele questionou a remuneração de procedimentos e consultas e defendeu uma atualização da tabela do SUS ou a criação de outro mecanismo de financiamento. “Eu vou brigar lá em Brasília para trazer para cá mais recursos.”
O candidato afirmou ainda que Santa Catarina estaria deixando de receber cerca de R$ 450 milhões anuais relacionados ao teto de média e alta complexidade. “Paraná e Rio Grande do Sul já estariam recebendo recursos adicionais nessa área”.
José Milton afirmou que pretende levar a pauta ao Ministério da Saúde caso seja eleito. “Eu vou entrar para dentro dos ministérios, vou trabalhar junto com o Estado para trazer esses recursos para cá.”
Cirurgias eletivas
Durante a entrevista, José Milton também avaliou o programa estadual de cirurgias eletivas e destacou a atuação do governador Jorginho Mello na iniciativa.
Segundo o candidato, o programa complementa os valores pagos pelo SUS e permitiu ampliar o número de procedimentos realizados em Santa Catarina. “Eu apoio esse programa, porque ele tira as pessoas da fila. O governo federal deveria adotar uma política semelhante em parceria com os estados para acelerar a realização de cirurgias”.
Desenvolvimento econômico e reforma tributária
Nas considerações finais, José Milton apresentou o desenvolvimento econômico e a redução da burocracia como outras prioridades.
Ele afirmou que pretende trabalhar na regulamentação da reforma tributária e defender pequenas e médias empresas. “É muito imposto que vai para Brasília e muito pouco dinheiro que vem.”
O candidato defendeu a simplificação do sistema tributário e afirmou que não há espaço para aumento da carga de impostos. A geração de empregos também foi colocada como uma das principais metas.
Segundo José Milton, a intenção é criar condições para atrair novas empresas e permitir que os jovens permaneçam trabalhando na própria região. “Nós temos que gerar emprego aqui na região da Amesc, articular a vinda de outras empresas para cá, para que os nossos filhos e netos não precisem sair daqui para trabalhar em outros municípios, em outras regiões.”
Universidade e novos cursos
Outro compromisso apresentado foi com a educação superior. José Milton citou uma parceria com a ACIVA e afirmou ter assumido o compromisso de trabalhar pela ampliação da estrutura universitária em Araranguá.
Entre as propostas, mencionou a busca por maior autonomia de gestão e recursos para implantação de novos cursos. “É com esse intuito que nós estamos indo para Brasília, de ajudar na saúde, na agricultura, no desenvolvimento econômico, na diminuição da carga tributária e na melhoria da qualidade de vida da nossa população.”
Ao encerrar a entrevista, José Milton reforçou que pretende utilizar uma eventual cadeira na Câmara Federal para defender pautas regionais, especialmente nas áreas de saúde, agricultura, infraestrutura, segurança, educação e desenvolvimento econômico. “O deputado Zé Milton é alguém que entrou para a política porque gosta de trabalhar com gente. Eu não sou eleito porque eu tenho um grupo.”
Como funcionam as entrevistas da Rádio Araranguá
A entrevista com José Milton Scheffer integra a série de entrevistas da Rádio Araranguá com candidatos nas Eleições 2026. A emissora estabeleceu critérios objetivos, previamente definidos e aplicados de maneira uniforme aos candidatos que disputam o mesmo cargo.
As entrevistas são realizadas de segunda a sexta-feira, entre 8h e 12h, com 20 minutos de duração, no estúdio da Rádio Araranguá. A participação é previamente agendada e está condicionada à disponibilidade da agenda da emissora.
Os candidatos ao mesmo cargo têm a mesma oportunidade de participação, respeitando o limite de dois candidatos por partido ou federação.
O formato é padronizado, com o mesmo tempo de duração e critérios de condução. As entrevistas são realizadas por dois comunicadores da emissora e transmitidas ao vivo, sem edição.
Eventuais manifestações de ouvintes durante as transmissões ao vivo não são utilizadas como critério para favorecer ou prejudicar candidatos, e a emissora não toma essas manifestações como parte da condução das entrevistas, em observância às regras estabelecidas para a cobertura eleitoral.
O candidato que confirmar e não participar no dia e horário agendados perderá aquela oportunidade, sem garantia de remarcação. Eventuais ausências comunicadas previamente serão avaliadas conforme a disponibilidade da agenda e a necessidade de preservar a igualdade de condições.
Os critérios foram estabelecidos com base na legislação eleitoral e na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observando os princípios da isonomia, imparcialidade, impessoalidade e igualdade de oportunidades.
A Rádio Araranguá dará continuidade à série de entrevistas com os demais candidatos, mantendo os mesmos critérios para os concorrentes ao mesmo cargo.









