“Não é terremoto”: Piter Scheuer explica o verdadeiro motor do El Niño e reforça alerta sobre um fenômeno “fora da curva”
Muita gente acredita que terremotos ou outros eventos geológicos sejam responsáveis pelo surgimento do El Niño. A explicação, porém, está bem distante disso. Durante participação no programa Dia a Dia, da Rádio Araranguá, nesta quinta-feira (30), o meteorologista Piter Scheuer esclareceu, de forma didática, como o fenômeno climático se forma e por que o episódio previsto para este ano é considerado excepcional.
Segundo ele, o principal responsável pelo aquecimento ou resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial é o comportamento dos ventos, e não qualquer atividade sísmica.
“Muita gente acha que é por conta de terremotos que aconteceram em determinadas partes do globo, mas não tem nada a ver com terremoto. O terremoto não influencia absolutamente nada. O que modula o aquecimento das águas é o vento.”
Para facilitar a compreensão, Scheuer fez uma comparação simples.
“Vou dar um exemplo: uma bacia com água aquecida. Se você soprar, vai esfriar a água. Se você deixar ela ali no sol, ela vai aquecer. Então é exatamente isso.”
Ele explicou que a região do Oceano Pacífico localizada sobre a Linha do Equador recebe intensa incidência solar durante todo o ano. Quando os chamados ventos alísios enfraquecem, a água permanece mais tempo aquecida, favorecendo o desenvolvimento do El Niño.
“Lá no Oceano Pacífico Equatorial, bem na Linha do Equador, é uma região do planeta que pega muita insolação. É a região que mais pega sol. Se esses ventos, que nós chamamos de ventos alísios, são fracos, há um aquecimento forte da água. Aí surge o El Niño. Por outro lado, se tem muito vento, resfria a água, aí temos a La Niña. Então o que modula o clima do planeta são esses ventos.”
Um “super El Niño”
O meteorologista destacou que o fenômeno previsto é considerado atípico pela intensidade.
“Neste El Niño o que acontece? Ele vai estar provocando muita chuva no Sul do Brasil, seca no Norte e Nordeste do Brasil, muito calor do Centro ao Sul dos Estados Unidos, muito calor naquela região que teve a Copa do Mundo agora, no centro-leste, naquela região de Nova Iorque. Lá na China tem muita cheia. Então tudo isso é por conta do fenômeno global El Niño.”
Segundo Scheuer, embora o El Niño seja um fenômeno natural, a força observada neste episódio chama a atenção dos especialistas.
“Só que tem o seguinte: esse El Niño é um anormal. É um fenômeno natural, só que este é fora da curva. É um super El Niño que a gente vai ter. Nessa época do ano, por exemplo, ter 2 graus lá no Centro-Pacífico Equatorial, em julho, isso é bem anormal. Nem em 1982 e 1983 estava tão forte assim.”
Como fica o tempo na região
Além da explicação sobre o fenômeno climático, Piter Scheuer atualizou a previsão para Araranguá e região.
Para esta quinta-feira (30), a expectativa é de tempo predominantemente estável.
“Vai seguindo com um padrão de tempo mais estável, com presença de muitas nuvens, intercalando com alguns momentos de sol. É um dia mais aproveitável, propício para as atividades ao ar livre.”
Mesmo assim, ele ressalta que não está descartada a ocorrência de chuva rápida e isolada durante a tarde e à noite devido à umidade transportada pelos ventos de sul e sudeste.
“No geral, é um dia aproveitável com tempo seco, mas isoladamente alguma garoa fraca, bem pontual, durante a tarde e à noite, não dá para descartar.”
A temperatura máxima em Araranguá deve ficar próxima dos 20°C.
Na sexta-feira (31), o sol aparece por mais tempo e as temperaturas voltam a subir.
“Esquenta um pouco mais, o sol aparece de maneira mais prolongada e isso faz com que os termômetros atinjam pontuais de 26 e 27 graus à tarde.”
O fim de semana também deve ser marcado pelo predomínio do tempo firme.
“Sábado com presença de sol, algumas variações de nuvens e calor. Os termômetros atingem valores próximos ou acima dos 30 graus. Lembrando que nas praias sempre é frio nessa época do ano.”
No domingo, o aumento da nebulosidade pode favorecer pancadas muito isoladas durante a manhã, sem expectativa de volumes expressivos.
Já para a próxima semana, a tendência é de alternância entre períodos de sol e pancadas típicas de verão, concentradas principalmente entre as tardes e noites.
“A princípio, as pancadas não são volumosas para a região. É uma semana que tem aquela alternância entre sol e pancadas à tarde e à noite, mas são chuvas irregulares. Em uma área você tem aquela pancada e, na área vizinha, não passa de uma simples ameaça.”









