Nomeação de Leodegar Tiscoski no governo Jorginho Mello reacende disputa interna no PP
A noite de segunda-feira (11), foi marcada por fortes movimentações nos bastidores do Progressistas em Santa Catarina, mostrando ainda mais a disputa interna que atravessa um dos partidos mais tradicionais do Estado. Conforme análise do comentarista político Upiara Boschi, o PP vive hoje um cenário de divisão sobre qual projeto apoiar nas eleições de 2026: a reeleição do governador Jorginho Mello ou a pré-candidatura de João Rodrigues ao governo estadual.
Segundo Boschi, a maioria dos prefeitos progressistas demonstra inclinação para permanecer ao lado de Jorginho Mello. Parte da bancada estadual também acompanha esse movimento, como os deputados estaduais Pepê Colaço e Zé Milton Schaeffer, além de integrantes históricos da sigla ligados ao ex-presidente estadual do partido, Leodegar Tiscoski.
Por outro lado, o senador Esperidião Amin atua para aproximar o Progressistas do projeto liderado por João Rodrigues. Os dois, inclusive, participaram recentemente de agendas políticas conjuntas no Sul do Estado.
Nomeação de Leodegar reacende disputa
O episódio que pode ter elevado ainda mais a temperatura política ocorreu com a decisão do governador Jorginho Mello de recolocar o Progressistas dentro do governo estadual. Após a saída do ex-deputado estadual Sílvio Dreveck da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços, movimento que o deixa apto para disputar as eleições, o governo oficializou a nomeação de Leodegar Tiscoski para o cargo.
A escolha teve forte peso político. Tiscoski havia perdido recentemente o comando estadual do PP em uma articulação liderada por Esperidião Amin junto à executiva nacional do partido. Agora, retorna ao centro do cenário político catarinense ocupando uma secretaria estratégica do governo estadual.
Enquanto a nomeação era publicada em edição extra do Diário Oficial, Amin participava em Florianópolis de um evento político ao lado de João Rodrigues e do presidente estadual do União Brasil, Fábio Schiochet. Os dois comandam em Santa Catarina a Federação União Progressista.
O encontro político foi promovido pelo ex-prefeito da Capital, Jean Loureiro, que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026. O evento reuniu lideranças e coordenadores políticos ligados à campanha de Jean.
“Eu vim de graça”, dispara Amin
Durante o encontro, já sob o impacto da nomeação de Leodegar Tiscoski para o governo estadual, Esperidião Amin fez uma declaração interpretada como recado direto tanto aos prefeitos progressistas alinhados a Jorginho quanto à ala do partido favorável ao governador.
“Eu vim de graça”, afirmou o senador, em tom de provocação política.
Para Upiara Boschi, a fala reforça o cenário de disputa prolongada dentro do Progressistas e mostra que o partido dificilmente chegará unido ao processo eleitoral de 2026.
A avaliação do comentarista é que o mesmo fenômeno deve ocorrer no MDB: nem Progressistas nem MDB deverão seguir integralmente com um único projeto político.
Amin cada vez mais próximo de João Rodrigues
Outro fator que fortalece a leitura de aproximação entre Amin e João Rodrigues foi o apoio público do senador ao senador Flávio Bolsonaro. Amin declarou voto em Flávio, que agradeceu publicamente, mas deixou claro que seus candidatos ao Senado em Santa Catarina são Carol De Toni e Carlos Bolsonaro.
Segundo Boschi, o gesto acabou afastando qualquer possibilidade de composição informal entre Amin e o grupo político de Jorginho Mello.
Na leitura do comentarista, o cenário aponta para um Progressistas dividido entre a força institucional dos prefeitos e lideranças ligadas ao governo estadual, e a influência política de Esperidião Amin junto ao projeto de João Rodrigues.
“Quem vai vencer? A cúpula ou os prefeitos? Por enquanto eu aposto minhas fichas de que Amin vai levar o PP para João Rodrigues mesmo, mas que o governador Jorginho Mello vai ter várias lideranças progressistas”, concluiu Upiara Boschi
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