Prefeito de Laguna cobra mais transparência da CCR e alerta para impactos da interdição da Ponte Anita Garibaldi
Peterson Crippa afirma que situação afeta toda a região Sul e defende criação de protocolos permanentes para futuras intervenções na BR-101
A interdição da Ponte Anita Garibaldi, na BR-101, em Laguna, continua provocando reflexos significativos na mobilidade da região Sul de Santa Catarina. Em entrevista à Rádio Araranguá, o prefeito de Laguna, Peterson Crippa, atualizou o cenário enfrentado pelo município, comentou os impactos na rotina da população e cobrou maior participação das lideranças locais no acompanhamento dos trabalhos realizados pela concessionária responsável pela rodovia.
Segundo o prefeito, Laguna é a cidade mais diretamente afetada pela interrupção do tráfego na estrutura. “A cidade mais impactada é Laguna. Pelo fato de que o ir e vir aqui agora ficou cerceado. Algumas comunidades nossas, estão com dificuldades de deslocamento”, afirmou.
Saúde e serviços públicos já sentem os reflexos
Crippa destacou que setores essenciais, como a saúde, já enfrentam dificuldades operacionais devido aos congestionamentos e desvios.
“Nós temos uma conexão muito forte entre Laguna e Tubarão, Laguna e o Hospital Santa Teresinha, em Braço do Norte, fazendo Tratamento Fora de Domicílio diariamente. Antes eram três, quatro ou cinco viagens por dia. Agora não estamos conseguindo fazer duas”.
De acordo com o prefeito, os impactos ainda estão sendo dimensionados, uma vez que novos problemas surgem diariamente. “As circunstâncias não são passíveis de medição agora, porque estamos sendo impactados dia após dia”.
Prefeitura busca acesso às informações técnicas
Durante a entrevista, o prefeito revelou que protocolou um ofício junto à CCR solicitando acesso às informações e às inspeções realizadas na ponte.
Segundo ele, além de gestor público, é seu dever acompanhar de perto a situação para prestar esclarecimentos à população. “Como prefeito, como impactado, como gestor e como cidadão também, eu tenho que ser o representante apto a ir lá ver se aquilo que eles estão falando é verdade. Não estou levantando dúvidas, mas precisamos estar lá também”.
Crippa destacou que a população busca respostas concretas sobre o andamento dos trabalhos e sobre a previsão de normalização do tráfego. “As pessoas buscam que a gente tenha veracidade. Existe muita informação circulando e é importante estar lá, olhar, levar engenheiros e entender exatamente o que está acontecendo”.
Turismo e aniversário de Laguna também sofrem impactos
A preocupação da administração municipal vai além da mobilidade urbana. Segundo o prefeito, a interdição ocorre justamente no período em que Laguna inicia as comemorações pelos seus 350 anos de fundação, celebrados em 29 de julho.
“Estamos iniciando as comemorações e sendo impactados porque as pessoas não estão vindo de fora. Existe um medo: será que demora para ir e para voltar?”
A redução do fluxo de visitantes preocupa o município, especialmente em um período de eventos e movimentação turística.
Travessia por balsa opera no limite
Questionado sobre o aumento da procura pela travessia por balsa, o prefeito explicou que o serviço está operando no limite de sua capacidade. “A balsa está atendendo no máximo da sua capacidade, com toda a segurança que tem. Logicamente não resolve o problema”.
Segundo ele, a estrutura atual possui limitações históricas e o município já trabalha para lançar uma licitação que permita melhorias no sistema de travessia. “Laguna não tem nenhum documento formal há anos com a concessionária. Devemos fazer uma licitação nos próximos meses”.
Mesmo operando 24 horas por dia com duas embarcações, a capacidade de transporte é limitada. “Vai 30, 40 carros por vez. Ela desafoga um pouco, mas representa talvez 2% ou 3% do volume que a BR-101 acumula”.
Falta de planejamento para emergências é criticada
Durante a entrevista, Peterson Crippa fez uma reflexão sobre a necessidade de planejamento para situações semelhantes no futuro.
Na avaliação do prefeito, uma obra da magnitude da Ponte Anita Garibaldi deveria ter previsto protocolos de contingência desde sua concepção. “Para mim, o grande erro inicial foi uma ponte dessa magnitude não ter previsto antecipadamente, no seu projeto, a possibilidade de uma interdição”.
Ele argumenta que, embora a estrutura tenha sido construída para atender à demanda da época, não foram planejadas alternativas adequadas para situações emergenciais.
“Foi feita da melhor maneira possível naquele momento, mas estava longe de ser o protocolo ideal caso um dia fosse necessário realizar um reparo”.
Proposta é criar protocolo permanente de acompanhamento
O prefeito também defendeu a criação de mecanismos institucionais permanentes para monitoramento da ponte e planejamento de futuras intervenções.
A proposta envolve a participação de entidades regionais como a Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) e a Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec).
“É fundamental que haja um protocolo de manutenção que possa ser acompanhado tecnicamente de maneira isonômica. Precisa existir um termo de cooperação técnica para acompanhar essa estrutura daqui para frente”.
Segundo Crippa, além de resolver a situação atual, é necessário construir soluções que evitem transtornos semelhantes no futuro. “Temos que entender a logística funcional para futuras necessidades de interdição. Isso é engenharia, isso é planejamento”.
Prefeitura segue acompanhando a situação
Ao encerrar a entrevista, o prefeito reafirmou que a administração municipal continuará acompanhando de perto o caso e buscando informações junto aos órgãos responsáveis. “Nós estamos aqui para o bem comum e da nossa parte vocês vão ter os melhores propósitos”.









