Presidente da Cersul destaca expansão da cooperativa, investimentos e papel estratégico no desenvolvimento do Extremo Sul
O presidente da Cooperativa de Distribuição e Geração de Energia (Cersul), Andrei Magagnin, concedeu entrevista à Rádio Araranguá e apresentou um panorama da trajetória da cooperativa, os investimentos realizados nos últimos anos, a atuação em parte do município de Araranguá e os desafios do setor elétrico.
Durante a conversa, Magagnin ressaltou que a Cersul deixou de ser apenas uma distribuidora de energia para se tornar uma agente de desenvolvimento regional, investindo em geração própria, telecomunicações, modernização da rede e apoio às comunidades.
Cooperativa nasceu da necessidade de levar energia ao interior
Ao relembrar a história da Cersul, Andrei Magagnin explicou que a cooperativa surgiu em razão da falta de atendimento por parte do poder público na década de 1960.
Segundo ele, a fundação ocorreu em 20 de setembro de 1961, no Salão Paroquial de Turvo, liderada pelo padre Paulino e por um grupo de 25 moradores que decidiram unir esforços para levar energia elétrica à região.
“A Cersul, como as outras cooperativas, nasceu de uma necessidade da comunidade. O governo não conseguia atender naquele momento e um grupo de 25 homens, liderado pelo padre Paulino, resolveu assumir esse desafio. Depois de aproximadamente um ano de trabalho, conseguiram levar energia para Turvo e, posteriormente, expandiram o atendimento para toda a região”, destacou.
O presidente fez questão de homenagear os pioneiros da cooperativa. “Na verdade, eles foram mais do que fundadores, foram desbravadores. Carregavam postes nas costas, abriam caminho no meio do mato e trabalhavam praticamente de forma braçal. Hoje temos tecnologia, mas naquela época tudo era muito mais difícil”.
Cooperativa ampliou atuação e hoje vai além da distribuição de energia
Ao longo das décadas, a Cersul passou por um processo de modernização e diversificação de suas atividades.
Além da distribuição de energia, a cooperativa passou a investir em geração própria por meio da participação em uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), localizada na região de Santa Rosa de Lima, cuja energia é comercializada no mercado livre.
Mais recentemente, a cooperativa também ingressou no setor de telecomunicações. “A Cersul deixou de ser apenas uma distribuidora de energia. Hoje faz parte da vida das pessoas. Além da geração própria, criamos a Cersul Telecom, que inicialmente surgiu para conectar nosso sistema e hoje também atende os associados com internet”.
Magagnin destacou ainda o envolvimento social da cooperativa. “Contribuímos com hospitais, Apaes, casas de repouso, desenvolvemos projetos educacionais nas escolas, trabalhamos com grupos de mulheres cooperativistas. A Cersul faz parte do dia a dia da nossa comunidade”.
Cooperativa atende cerca de 20 mil unidades consumidoras
Atualmente, a Cersul atende aproximadamente 20 mil unidades consumidoras.
A cooperativa é responsável integralmente pelo fornecimento de energia nos municípios de Turvo, Meleiro, Timbé do Sul, Ermo e Morro Grande, além de atuar parcialmente em Jacinto Machado, Sombrio, Maracajá, Araranguá, Forquilhinha e Nova Veneza.
Segundo Magagnin, a área de atuação se estende “da serra ao mar”. “Atendemos desde a região onde ocorre o salto de asa delta, na Serra da SC-285, até áreas próximas da BR-101 e da Sanga da Toca, em Araranguá. Hoje temos quase três mil quilômetros de rede, sendo a maior cooperativa de Santa Catarina em extensão de rede”.
Associados são os verdadeiros donos da cooperativa
O presidente reforçou que a Cersul é uma cooperativa e que todas as principais decisões são tomadas pelos próprios associados durante as assembleias anuais.
“Eu sou apenas o representante do Conselho de Administração. Quem decide os rumos da cooperativa é o associado. A assembleia é o momento mais importante da Cersul, quando prestamos contas e todas as decisões são aprovadas pelos verdadeiros donos da empresa”.
Investimentos garantem qualidade e tarifas competitivas
Magagnin explicou que os investimentos constantes na rede elétrica refletem diretamente na qualidade do serviço prestado e também influenciam na composição da tarifa de energia.
Segundo ele, fatores como redução das perdas, rapidez no atendimento e menor número de interrupções contribuem para que a cooperativa mantenha bons indicadores.
“O investimento continua sendo o melhor caminho. Quanto menos perdas, menos falta de energia e mais eficiência, melhor é o resultado para o associado. Cada distribuidora faz sua gestão buscando esse equilíbrio”.
Área atendida em Araranguá será estratégica para novo parque industrial
Um dos assuntos abordados durante a entrevista foi o futuro parque industrial de Araranguá. A área onde o empreendimento será implantado pertence justamente à região atendida pela Cersul.
Segundo Magagnin, a Prefeitura de Araranguá procurou a cooperativa ainda durante a fase de planejamento do projeto. “O prefeito César nos apresentou a intenção de implantar o parque industrial e a Cersul prontamente se colocou à disposição para fazer toda a infraestrutura elétrica necessária. Esse investimento também é importante para nós, porque representa novos consumidores e fortalece toda a região”.
O presidente acredita que o empreendimento terá impacto econômico significativo. “Quando você instala várias empresas em um mesmo local, todos ganham: ganha o município, ganha a população, ganha a cooperativa e ganha toda a economia regional”.
Atendimento rápido é prioridade
Durante a entrevista, Magagnin destacou que um dos principais diferenciais da Cersul é a rapidez no atendimento às ocorrências.
Segundo ele, em 2024 a cooperativa conquistou o terceiro melhor tempo de resposta do Brasil entre as distribuidoras, com média de 38 minutos para atendimento das ocorrências.
“O associado pode entrar em contato pelo WhatsApp ou telefone e tudo fica registrado. Temos equipes de plantão 24 horas por dia, durante os 365 dias do ano. Acho que melhor do que ter uma boa tarifa é ser bem atendido”.
O presidente destacou ainda que a energia elétrica se tornou indispensável para praticamente todas as atividades. “Hoje ninguém aceita ficar sem energia. Se falta energia, para internet, comércio, indústria e hospitais. Tudo depende da energia elétrica”.
Mercado livre representa novo desafio para as distribuidoras
Ao falar sobre o futuro do setor, Magagnin apontou o mercado livre de energia como o principal desafio enfrentado pelas distribuidoras.
Segundo ele, desde 2024 a Cersul passou a adquirir energia nesse novo modelo de comercialização. “O produto energia mudou completamente. Antes comprávamos da supridora principal. Hoje compramos no mercado livre e isso exige uma gestão muito mais complexa. É praticamente um balcão de negócios”.
Ele explicou que a cooperativa já precisou trocar de comercializadora devido a problemas contratuais. “O desafio hoje é conseguir bons contratos que garantam segurança no fornecimento e permitam manter uma tarifa competitiva durante todo o período definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica”.
Cooperativa reforça compromisso com a região
Ao encerrar a entrevista, Andrei Magagnin agradeceu o espaço concedido pela Rádio Araranguá e reforçou o compromisso da cooperativa com os consumidores da região. “A Cersul está de portas abertas. Os consumidores de Araranguá fazem parte da cooperativa. A empresa é deles. Quem quiser conhecer a Cersul pode nos visitar e ver de perto o patrimônio que pertence aos associados”.









