Política Samae de Araranguá identifica tecnologias que podem reduzir custos e modernizar o abastecimento de água

Samae de Araranguá identifica tecnologias que podem reduzir custos e modernizar o abastecimento de água

27/10/2026 - 09h40

Afrânio Ronconi e Elton Pacheco falaram sobre as novidades conhecidas na FENASAN 2026. Uma bomba flutuante pode reduzir em cerca de R$ 400 mil o custo previsto para melhorias na captação de água da Lagoa da Serra.

O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Araranguá está avaliando novas tecnologias para modernizar os serviços, reduzir custos e melhorar o abastecimento de água no município. As possibilidades foram identificadas durante a participação de representantes da autarquia na FENASAN 2026, considerada a maior feira de saneamento ambiental da América Latina.

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o diretor-geral adjunto do Samae, Afrânio Ronconi, e o diretor-administrativo, Elton Pacheco, compartilharam as principais novidades conhecidas durante o evento e explicaram quais equipamentos poderão ser incorporados à estrutura da autarquia.

Afrânio destacou a dimensão da feira, que reuniu expositores de 29 países em uma área de aproximadamente 37 mil metros quadrados. Entre as principais tendências observadas, ele apontou a automação dos processos de tratamento de água e esgoto.

“Nós vimos muita novidade. Como tu disse, é a maior feira da América Latina. São mais de 29 países expondo nessa feira”, afirmou.

Segundo o diretor-geral adjunto, a automação permite controlar com maior precisão os processos realizados nas estações de tratamento, incluindo a dosagem de produtos químicos e o monitoramento da turbidez da água.

“Então, tudo automatizado. O nosso operador da estação só vai acompanhar ali o equipamento e ver se ele está trabalhando certinho”, explicou Afrânio.

Ele também ressaltou a importância de investir em tecnologias que contribuam para diminuir as perdas de água, um dos desafios do setor de saneamento.

Bomba flutuante pode gerar economia de até R$ 400 mil

Uma das principais novidades identificadas durante a feira foi uma alternativa para a ampliação da captação de água na estação de tratamento da Lagoa da Serra.

De acordo com Afrânio, os orçamentos iniciais para a melhoria ultrapassavam R$ 1 milhão. Com a tecnologia de uma bomba flutuante, o investimento poderá ficar entre R$ 600 mil e R$ 800 mil.

“Com essa nova tecnologia que a gente viu lá, pode ser que a gente consiga fazer isso entre 600 e 800 mil reais. Então, tem uma economia de quase 400 mil reais”, destacou.

Elton Pacheco explicou que o equipamento funciona na superfície da lagoa, acompanhando as variações do nível da água. A solução também pode evitar problemas frequentes nas bombas submersas, que podem ser obstruídas por areia, vegetação e caramujos.

“Essa bomba flutuante não precisa mais daquela bomba embaixo d’água. Então, ela é flutuante”, explicou Elton.

O diretor acrescentou que a tecnologia pode diminuir a necessidade de manutenção e facilitar o trabalho das equipes. A proposta ainda está em avaliação, e a autarquia buscava informações técnicas para verificar a viabilidade da aquisição.

Equipamento pode localizar tubulações e evitar rompimentos

Outra tecnologia que chamou a atenção dos representantes do Samae foi um equipamento capaz de identificar redes subterrâneas, apontando a localização e a profundidade das tubulações.

Elton explicou que a solução poderá ajudar a evitar rompimentos durante obras realizadas nas ruas do município, situação que pode provocar vazamentos, interrupções no abastecimento e alterações na turbidez da água.

“Ela vai fazer o mapeamento, essa máquina faz o mapeamento, mostra onde é que está o cano, a profundidade que está”, afirmou.

Segundo ele, o equipamento consegue identificar estruturas subterrâneas em profundidades de até dez metros, permitindo que as equipes tenham mais informações antes da execução de obras.

“Então, assim, essa máquina aí, a gente pretende adquirir isso no ano que vem”, disse Elton, ao explicar que o planejamento de uma possível compra depende da disponibilidade orçamentária.

Os diretores também conheceram equipamentos para realizar perfurações subterrâneas e instalar tubulações sem a necessidade de abrir grandes trechos de asfalto. A tecnologia poderá ser considerada futuramente para obras de ampliação das redes de água e esgoto.

Samae avalia máquina para soldar tubulações

A autarquia também demonstrou interesse em uma máquina de soldagem para tubulações de polietileno de alta densidade (PEAD). O equipamento utiliza uma conexão específica que une as extremidades dos tubos por meio de fusão, reduzindo o risco de rompimentos.

Segundo os diretores, a máquina custa aproximadamente R$ 20 mil a R$ 23 mil e está entre os equipamentos que poderão ser adquiridos no próximo ano.

Elton explicou que o investimento pode compensar diante dos custos atuais de contratação desse tipo de serviço.

“Essa máquina dessa de solda, nós pagamos na época ali para fazer a solda R$ 2.700,00”, relatou, referindo-se ao valor pago por um serviço realizado anteriormente.

“E se a gente vai comprar e pagar R$ 20 mil, é muito mais em conta”, acrescentou.

O equipamento também poderá ser acompanhado de treinamento para os funcionários, facilitando a utilização da tecnologia pelas equipes da própria autarquia.

Novas tampas e caixas de hidrômetros

Entre as demais novidades apresentadas na FENASAN, os representantes conheceram tampas produzidas em material compósito, alternativa às tradicionais peças de ferro utilizadas em estruturas de saneamento.

Conforme explicado durante a entrevista, o material não enferruja e pode reduzir os ruídos provocados pelo impacto dos veículos sobre as tampas instaladas nas vias públicas.

A autarquia também identificou caixas subterrâneas para hidrômetros, instaladas no nível da calçada. A solução poderá atender imóveis com muros de vidro ou locais onde não seja possível colocar o padrão convencional na parede.

“É só uma opção a mais que a gente vai ter com o contribuinte”, explicou Elton.

Equipamentos mais modernos para medir e tratar a água

Durante a conversa, os diretores também falaram sobre a modernização dos hidrômetros e dos sistemas de filtragem utilizados pelo Samae.

Segundo eles, a autarquia está investindo em equipamentos de medição mais precisos, com o objetivo de garantir que o consumo seja registrado corretamente para o contribuinte e para o serviço municipal.

Elton comentou ainda que o Samae está substituindo o sistema de filtragem que utiliza carvão e areia por uma tecnologia baseada em um produto chamado Filtralife, de origem alemã.

“Hoje vai ser um único produto, que é o tal do Filtralife, que eles chamam. É um produto alemão importado, que vai ter uma filtragem muito melhor”, afirmou.

Os representantes também citaram a aquisição de uma máquina para aferição de hidrômetros. Conforme Elton, um equipamento disponível anteriormente no mercado custava mais de R$ 300 mil. Depois de conhecerem uma alternativa em uma feira realizada em Caxias do Sul, a autarquia comprou outro modelo por R$ 24 mil.

“Para ver como é interessante ir nesses eventos, né? É muito interessante ir nesses eventos”, destacou.

Modernização para melhorar o serviço à população

Ao avaliar a participação na FENASAN, Afrânio e Elton ressaltaram que o contato direto com fabricantes e técnicos permite conhecer o funcionamento dos equipamentos e comparar alternativas antes de realizar investimentos.

As tecnologias identificadas serão avaliadas conforme as necessidades operacionais e a viabilidade financeira do Samae. Entre os objetivos estão reduzir despesas com manutenção e contratação de serviços, prevenir rompimentos de tubulações e aprimorar os processos de captação, tratamento e distribuição de água.

Elton também destacou o trabalho realizado pelas equipes da autarquia no dia a dia. “É um pessoal que trabalha, que não tem falta de vontade de fazer o melhor. Não tem hora”, afirmou.