Segurança “Uma comunidade quilombola não pode estar impregnada de faccionados e marginais”, alega Giraldi sobre a Vila Samaria

“Uma comunidade quilombola não pode estar impregnada de faccionados e marginais”, alega Giraldi sobre a Vila Samaria

18/07/2025 - 10h27

Em entrevista ao programa Dia a Dia da Rádio Araranguá, apresentado por Saulo Machado, o delegado e vereador de Araranguá Jorge Giraldi, falou sobre a Vila Samaria, popularmente conhecida como Buraco Quente. Giraldi disse que irá pedir esclarecimentos sobre a região virar, oficialmente, uma comunidade quilombola e como está ao status do processo.     

“Estou contestando com veemência, porque além de delegado de polícia eu sou vereador a sei muito do que acontece ali dentro do Buraco Quente. Eu até me surpreendi quando voltei a tralhar em Araranguá e passei por ali e vi um desenho quilombola. Fiquei até estarrecido. Pelo que eu tinha conhecimento, era Vila Samaria, popular Buraco quente. Com exceção das pessoas honestas que moram lá dentro, que eu sei que tem, ali é um reduto de marginais. Vária prisões foram feitas ali dentro, aí eu fiquei impressionado. Uma comunidade quilombola não pode estar impregnada de faccionados e marginais”, afirma Jorge Giraldi.

O parlamentar ainda adianta que o tema é polêmico, mas precisa ser debatido.

“Que eu saiba pela história, comunidade quilombola é composta por refugiados, de origem africana que se refugiaram das torturas e da escravidão. Eles se acomodam em determinado local e ali criam uma comunidade. E aí, agora do dia para a noite, uma vila se transforma em uma comunidade quilombola. Eu acho que como parlamentar eu tenho que tratar isso, porque eu sei que há um acovardamento político quando se trata de temas polêmicos, e eu não tenho problema com temas polêmicos. Nós estamos aí para melhorar”, enfatiza o parlamentar.

Pedido de informações

“Nós vamos, através da Câmara de Vereadores, que tem o setor jurídico, buscar informações junto ao Incra, que é o órgão responsável pela regularização, se houve uma autodeterminação dessa comunidade e como foram buscar as origens, para ver se aqui está realmente regularizado 100% e como foi feito isso. Pelo que eu saiba, comunidades quilombolas recebem verba federal. Na verdade, a verba é nossa, nós pagamos impostos. Não sei há quanto tempo foi criada essa comunidade, porque eu fiquei afastado de Araranguá durante um tempo e a situação ali dentro não se resolveu. Eu até levei uma policial recentemente para conhecer e é uma imundice só, esgoto a céu aberto. É lixo espalhado e um cheiro muito ruim; insuportável”.

Como delegado, Giradi destaca a última operação feita no local. “Quando nós fizemos aquela prisão na segunda-feira, que foi uma prisão cirúrgica, 100% dentro da lei e naquela casa onde estavam refugiados dois marginais, um adolescente infrator que está recolhido e uma preso pela dupla tentativa de homicídio, haviam várias crianças em um pequeno cubículo, inclusive uma criança autista vivando ali dentro. Haviam também duas armas de fogo de grosso calibre. Então eu tenho que contestar isso. Se há uma comunidade quilombola, alguém terá que ser o representante daquela comunidade, eu acredito que tenha um representa, que faça a ordem valer. Não pode só sobrar para a polícia e para o município de Araranguá. Daqui a pouco, em um atrito policial com marginais ali dentro, vai que morra uma criança filho de um quilombola. Vão dizer que a polícia matou um integrante quilombola. Tem que urbanizar aquilo ali. Não é um criadouro de criança. Eu vi lá dentro que tem umas moças robustas que eu nunca vi trabalhar e tem uma carrada de filho. Será que tudo aquilo ali é quilombola. Tudo é descendente ou se enfiaram ali dentro. Vamos regularizar isso. Se está vindo verba federal tem que mostrar no que foi usado, pois, pelo que eu vi, não mudou nada lá dentro”, conclui Giraldi.

Confira entrevista na íntegra: