Política Movimento político em SC aproxima ainda mais lideranças evangélicas do PL e amplia conexão com o campo bolsonarista

Movimento político em SC aproxima ainda mais lideranças evangélicas do PL e amplia conexão com o campo bolsonarista

09/04/2026 - 09h50

O deputado federal Ismael dos Santos, natural de Blumenau, protagonizou um movimento político relevante ao trocar o PSD pelo PL. Em Brasília, ele foi recebido por lideranças de peso, entre elas Valdemar Costa Neto e o presidenciável Flávio Bolsonaro. A articulação contou ainda com a presença do governador Jorginho Mello, responsável por conduzir o encontro.

Ligado à Assembleia de Deus, Ismael representa um segmento importante do eleitorado evangélico. Segundo análise do comentarista político Upiara Boschi, a filiação ao PL simboliza a superação de resistências internas, especialmente entre setores mais ideológicos do bolsonarismo, como o grupo representado pela deputada Júlia Zanatta.

Para Upiara, o movimento de Ismael não é isolado. Trata-se de uma tendência mais ampla: a aproximação de lideranças evangélicas com o campo político ligado ao bolsonarismo, em sintonia com o perfil de seu eleitorado, segmento no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta maior dificuldade de penetração.

Movimento também na Alesc

A reorganização também ocorre no âmbito estadual. Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, parlamentares ligados a denominações evangélicas vêm migrando para o PL. É o caso de Marcos da Rosa, Júnior Cardoso e Jair Miotto, todos com vínculos religiosos e que deixaram suas antigas siglas para ingressar no partido.

Esse movimento reduz a dispersão partidária desse grupo, que historicamente estava distribuído em legendas menores, onde mantinham maior autonomia e protagonismo. Com as mudanças no sistema político, como a cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais, esses partidos perderam espaço, impulsionando a migração para siglas mais estruturadas.

Por outro lado, o Republicanos adotou uma estratégia diferente. Historicamente ligado à Igreja Universal, o partido ampliou seu espectro político, incorporando lideranças de diferentes perfis. Em Santa Catarina, mantém nomes como o deputado estadual Sérgio Motta e passou a contar também com a deputada federal Geovânia de Sá.

Com isso, o cenário aponta para uma concentração: parlamentares eleitos anteriormente por diferentes siglas passam a se agrupar, principalmente em torno de dois partidos. Para Upiara, esse redesenho partidário pode impactar diretamente o resultado das próximas eleições, refletindo a reorganização das forças políticas no Estado e no país.

Confira o comentário completo: