Política STF forma maioria para manter suspensão de lei de SC que alteraria sistema de cotas

STF forma maioria para manter suspensão de lei de SC que alteraria sistema de cotas

13/04/2026 - 08h49

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a suspensão da lei de Santa Catarina que proíbe a adoção de cotas raciais em instituições de ensino superior com recursos estaduais.

A norma, sancionada pelo governador Jorginho Mello em janeiro, atinge a UDESC, universidades comunitárias e instituições privadas que participam de programas como o Universidade Gratuita e o Fumdesc (Fundo de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior Catarinense).

A lei já havia sido suspensa pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, após ação movida pelo PSOL. O caso foi levado ao STF, que iniciou o julgamento em plenário virtual na última sexta-feira (10), com voto do relator, Gilmar Mendes.

Até o momento, os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes acompanharam o relator, formando maioria contra a lei de autoria do deputado estadual Alex Brasil, aprovada por ampla maioria na Assembleia Legislativa.

Nos votos, os ministros destacam que a legislação catarinense contraria entendimentos já consolidados pelo STF, que reconhecem a constitucionalidade das cotas, especialmente as raciais, como instrumentos de promoção da igualdade no acesso ao ensino superior.

Outro ponto criticado foi a tramitação acelerada da proposta, sem amplo debate, audiências públicas ou participação das universidades. A lei permitia cotas sociais, mas vedava aquelas classificadas como “ideológicas”, como as raciais.

Durante a análise, os ministros também apontaram falhas no processo legislativo, citando a aprovação “a toque de caixa” e a ausência de diálogo com instituições como a UDESC e universidades privadas.

Entidades do setor educacional alertaram ainda que a medida poderia gerar conflitos com programas federais, como o ProUni, que exigem políticas de cotas.

Confira o comentário de Upiara Boschi