“Até que a morte nos separe?”: delegado Jorge Giraldi alerta para aumento da violência contra a mulher e critica relações marcadas por controle e agressão
Na mesma entrevista à Rádio Araranguá, o delegado Jorge Giraldi também abordou um tema sensível e recorrente: a violência contra a mulher. Com base na experiência diária na delegacia de Araranguá, ele afirmou que os casos continuam frequentes e, muitas vezes, evoluem para situações graves.
Origem do comportamento agressor
Giraldi destacou que muitos agressores apresentam dificuldade em lidar com rejeição e perda de controle dentro do relacionamento. “Eles sustentam uma imagem de autoridade, mas não sabem lidar com frustração. Quando perdem o controle da relação, partem para a agressão. O padre antes de dizer até que a morte os separe deve dizer para o noivo ler toda a Lei Maria da Penha, para depois casar”, explicou.
Violência além da agressão física
O delegado alertou que a violência não se limita ao aspecto físico. Segundo ele, a violência psicológica é extremamente comum e, em muitos casos, ainda mais prejudicial. “Eles iniciam com humilhações constantes, xingamentos, desvalorização da vítima, controle emocional. A agressão psicológica destrói a autoestima e pode impedir a mulher até de sair de casa”, afirmou.
Papel da legislação
Giraldi reforçou a importância da Lei Maria da Penha como instrumento de proteção, especialmente por meio das medidas protetivas.
No entanto, ele reconheceu que, apesar dos avanços legais, os casos de feminicídio ainda ocorrem, muitas vezes dentro do ambiente familiar. “A lei protege, mas não resolve tudo. Ainda vemos casos graves acontecendo”, alertou.
Ambiente familiar e impacto social
Um dos pontos mais preocupantes, segundo o delegado, é o fato de que muitos crimes acontecem dentro de casa e, em alguns casos, na presença dos filhos. “É uma violência que destrói famílias inteiras e deixa marcas profundas nas crianças”, destacou.
Atendimento e medidas legais
Giraldi explicou que, em situações de violência:
- a vítima deve registrar ocorrência
- o agressor pode ser preso em flagrante
- medidas protetivas podem ser solicitadas imediatamente
“Embora a lei seja voltada à proteção da mulher, homens também podem ser responsabilizados em casos de agressão no âmbito familiar, por meio de outras medidas legais”, disse.
Conscientização e mudança cultural
Por fim, o delegado reforçou que o combate à violência contra a mulher passa por mudança cultural e conscientização. “Não é só questão de lei. É preciso mudar comportamento, respeitar e entender limites dentro de uma relação”, concluiu.







