“Assistencialismo demais não traz progresso, estamos criando vadios”, diz delegado que alerta para aumento de “drogados de rua” e o uso indevido de benefícios sociais
Durante entrevista ao programa apresentado por Saulo Machado, o delegado de polícia e vereador Jorge Giraldi fez duras críticas à situação crescente de pessoas em situação de rua associadas ao uso de drogas no município de Araranguá.
Segundo Giraldi, é fundamental diferenciar pessoas em vulnerabilidade social daquelas que, segundo ele, vivem nas ruas por dependência química e sem interesse em reinserção no mercado de trabalho. “O brasileiro precisa separar quem está em necessidade real daquele que não quer trabalhar e vive às custas do governo e de esmolas”, afirmou.
Críticas ao uso de benefícios sociais
O delegado apontou preocupação com o uso indevido de programas assistenciais, citando que parte dos recursos, como o Bolsa Família, estaria sendo direcionada ao consumo de drogas.
“Há muitos relatos colhidos durante atendimentos policiais que indicam que beneficiários utilizam valores recebidos para adquirir entorpecentes, mantendo um ciclo de dependência e permanência nas ruas. Esse dinheiro, muitas vezes, não é usado para sustento, mas para alimentar o vício. Assistencialismo demais não traz progresso, estamos criando vadios”, destacou.
Segurança pública e sensação de medo
Outro ponto levantado por Giraldi é o aumento da sensação de insegurança. Ele relatou que moradores e comerciantes têm demonstrado preocupação com comportamentos agressivos por parte de alguns indivíduos em situação de rua.
“Há registros de intimidação, pequenos delitos e até potencial risco de crimes mais graves. Eles intimidam, principalmente pessoas mais vulneráveis. E quando ocorre um crime, muitas vezes não há como responsabilizar, pois não têm endereço fixo”, explicou.
Migração e concentração em bairros
Giraldi também observou um fenômeno de deslocamento dessas pessoas dentro da cidade. Segundo ele, ações pontuais acabam apenas transferindo o problema de uma região para outra. “Bairros como Mato Alto e áreas próximas a equipamentos públicos têm registrado aumento na circulação dessas pessoas, o que, exige muita atenção do poder público”.
Limitações legais e possíveis soluções
O delegado ressaltou que o município enfrenta limitações legais para agir diretamente, já que legislação penal é de competência federal. Ainda assim, defendeu ações mais firmes de abordagem e fiscalização.
“Entre as possíveis medidas, precisamos reforçar uma atuação mais intensa da polícia e a criação de uma guarda municipal, integração com assistência social e uma abordagem constante para evitar permanência em determinados locais. Não é violência, é presença do poder público. Quando há fiscalização, muitos acabam deixando o local”, disse.
Debate político e participação popular
Giraldi também defendeu maior debate político sobre o tema e sugeriu que mudanças estruturais dependem de decisões em nível federal. “A solução passa por políticas públicas mais eficazes e pela escolha de representantes comprometidos com a realidade da população”, concluiu.







